O custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo subiu 0,72% em março, impulsionado pelo aumento dos combustíveis e dos alimentos. O movimento foi influenciado pela valorização do petróleo em meio à Guerra no Irã, aponta o índice Custo de Vida por Classe Social (CVCS), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
O CVCS, indicador que mede a variação de preços conforme a faixa de renda, acumula alta de 2,09% no primeiro trimestre e de 4,92% em 12 meses. Na comparação anual, o avanço chega a 1,88%.
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De acordo com a FecomercioSP, as pressões inflacionárias associadas ao conflito no Oriente Médio passaram a afetar direta e indiretamente o orçamento das famílias paulistas. Mesmo com o cessar-fogo, a entidade avalia que a normalização dos preços tende a ocorrer de forma gradual.
Impacto é maior no custo de vida de famílias de baixa renda
Dados do índice, aos quais o Monitor do Mercado teve acesso com exclusividade, revelam que o aumento do custo de vida foi mais intenso entre as famílias de menor renda. Em março, a alta foi de 0,93% para a classe D e de 0,86% para a classe E, acima da variação de 0,61% registrada para a classe A.
Em entrevista ao Monitor, o consultor Econômico da Fecomércio, Guilherme Dietze, destaca que “se a inflação está pesando mais para as famílias mais pobres, isso dificulta o acesso a crédito e o equilíbrio das contas; e a partir disso começa aparecer um impacto de fato na inadimplência”.
No acumulado de 12 meses, a diferença também se mantém: a classe E teve alta de 5,34% e a classe D, de 5,22%, enquanto as classes B e A registraram 4,57% e 4,78%, respectivamente. Segundo a FecomercioSP, isso ocorre porque os gastos dessas famílias estão mais concentrados em itens essenciais.
Alimentação e transporte, juntos, representam quase 45% do orçamento médio familiar, o que amplia o impacto da inflação, compromete o equilíbrio financeiro das famílias e contribui para o aumento da inadimplência.

Transporte impulsiona alta no custo de vida em SP
O grupo transportes avançou 1,47% no mês, sendo um dos principais responsáveis pela alta do custo de vida na região. O óleo diesel registrou elevação de 14,4%, enquanto a gasolina subiu 4,4% e o etanol, 1,3%.
Fazendo um recorte no setor de serviços, o índice revela que as passagens aéreas tiveram aumento de 7,8%.
Por faixa de renda, o impacto foi mais significativo nas classes mais baixas: o custo com transporte subiu 2,77% para a classe D e 2,5% para a classe E, acima das variações observadas na classe B (0,83%) e na classe A (0,87%).
Guilherme Dietze destaca que, enquanto outros grupos analisados pelo índice de custo de vida apresentam impactos da inflação sobre um único item, como a energia elétrica no grupo habitação, por exemplo, o grupo transportes, inclui vários itens, como tarifas do transporte coletivo, gasolina, etanol, óleo, diesel e passagem aérea, pesando mais sobre o orçamento das famílias com rendas mais baixas.
Nesse cenário é possível observar como o aumento do diesel tem efeito disseminado na economia, uma vez que encarece o transporte de mercadorias, pressionando outros preços.
Alimentação sobe mais dentro de casa
O grupo de alimentação e bebidas registrou alta de 0,83% em março. Entre as classes de renda, a variação chegou a 1% para a classe E, acima dos 0,79% observados na classe A.
O estudo mostra ainda um avanço mais intenso na alimentação no domicílio, que subiu 0,89%, em comparação com a alimentação fora de casa, que teve alta de 0,73% no mesmo período. Esse comportamento impacta mais fortemente as famílias de baixa renda.
Entre os itens que mais encareceram nos supermercados em março estão o feijão-carioca (15,6%), o tomate (12,2%) e cortes de carne, como acém (5%), alcatra (2,9%) e costela (2,3%).
Dietze, destaca que o segmento de alimentos tem peso de aproximadamente 1/3 no orçamento das famílias de classe E, com destaque principalmente sobre itens essenciais, enquanto nas famílias de classe A esse impacto equivale a apenas 15%.
Além do efeito inflacionário sobre os alimentos decorrente do choque do petróleo, o especialista chama atenção para efeitos inflacionários sazonais, como oferta e demanda de determinados grupos de alimentos, além do ciclo habitual de aumento de preços nessa época do ano.
O aumento dos custos na cadeia logística, de fabricação, no uso de maquinários no campo e sobre insumos importados, que pesam primeiramente sobre o transporte, contamina gradualmente os preços dos alimentos, aponta o economista.
Eletroeletrônicos, habitação e saúde também pressionam
Os artigos do lar avançaram 1,13%, com destaque para o aumento de preços de microcomputadores (3,3%) e televisores (2%).
Já no grupo de habitação, a alta foi influenciada por itens ligados a obras e reformas, como revestimentos de piso e parede (2,4%), além de cimento e tijolo, também com elevação de 2,4%. Esses itens, aponta o estudo, têm maior peso no orçamento das famílias de renda mais alta.
Em saúde e cuidados pessoais, houve aumento tanto no varejo, com itens de higiene e beleza, quanto nos medicamentos. Hormônios subiram 2,7% e antibióticos, 2,6%. Analisando gastos com planos de saúde, estes registraram alta média de 0,5%, enquanto os serviços odontológicos avançaram 0,2%.
Dietze avalia que o aumento do plano de saúde com o reajuste dos medicamentos tem um impacto sobre a inflação, mas não é tão significativo quanto os custos de alimentação e transportes. Além disso, pesa mais no custo de vida de famílias com maior renda, na proporção inversa ao custo de transportes e alimentos para as famílias das classes D e E.
Para o próximo mês, a FecomercioSP vê tendência de manutenção da pressão, em virtude do período de reajuste dos medicamentos.
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Impactos da guerra devem continuar sobrecarregando o custo de vida das famílias
Na avaliação da entidade, a alta recente da arroba bovina, fatores sazonais que reduzem a oferta de alimentos e o aumento dos custos logísticos (influenciados pelo diesel) começam a ser repassados aos preços e esse cenário tende a manter a pressão sobre a alimentação no domicílio nos próximos meses.
Guilherme Dietze avalia que a persistência dos preços do petróleo em níveis altos em meio à escalada do conflito no Oriente Médio deve causar um efeito de contaminação sobre os custos, impactando além dos alimentos e transportes, o setor de serviços, no qual os impactos devem ser diluídos no longo prazo.











