A semana começa sob nova pressão nos mercados globais, com o petróleo voltando ao centro das atenções após o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã. O barril do Brent subia cerca de 3% na abertura desta segunda-feira (11), retornando ao patamar de US$ 104, depois que Donald Trump classificou como “inaceitável” a resposta iraniana ao plano de cessar-fogo articulado por Washington.
O movimento reacende o temor de uma nova rodada de inflação global justamente num momento em que investidores tentam calibrar apostas de corte de juros nas principais economias. Com o conflito no Oriente Médio longe de uma solução, o mercado volta a operar sob risco elevado de choque energético.
Segundo o Wall Street Journal, o Irã teria concordado em transferir parte de seu estoque de urânio altamente enriquecido para um terceiro país, mas rejeitado desmontar instalações nucleares — exigência considerada central por Washington e Israel. Teerã negou a informação. A agência Tasnim afirmou que o regime iraniano exige o fim imediato da guerra, suspensão das sanções americanas sobre petróleo, desbloqueio de ativos congelados e manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.
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O mercado interpreta o impasse como sinal de que o cessar-fogo permanece apenas formalmente em vigor, enquanto o risco de uma nova escalada militar segue elevado. Ao mesmo tempo, bancos e consultorias alertam que a guerra já começa a produzir efeitos concretos sobre a oferta global de energia. Análise da Bloomberg mostra que o conflito acelerou o consumo dos estoques globais de petróleo, reduzindo rapidamente a margem de segurança usada pelo mercado para absorver interrupções de oferta.
O Morgan Stanley calcula que os estoques globais recuaram 4,8 milhões de barris por dia entre março e abril, no maior ritmo já registrado. Já o Goldman Sachs afirma que os estoques visíveis já se aproximam dos menores níveis desde 2018 e o JPMorgan avalia que um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz poderia levar os estoques da OCDE a níveis de “estresse operacional” já no próximo mês, ampliando o risco de escassez global de combustíveis até setembro.
A avaliação predominante no mercado é de que o petróleo entrou novamente em uma dinâmica altamente sensível ao noticiário geopolítico, com potencial para contaminar inflação, juros e atividade econômica nas próximas semanas.
No Brasil, o principal destaque da agenda será a divulgação do IPCA de abril, nesta terça-feira (12). A mediana das projeções do Broadcast aponta desaceleração da inflação de 0,88% para 0,67%, com ajuda de combustíveis e alimentos.
Ainda assim, economistas alertam que apesar da perda de força recente dos combustíveis, a nova disparada do petróleo volta a pressionar cadeias industriais, custos logísticos e preços ligados à energia, reacendendo dúvidas sobre o comportamento da inflação nos próximos meses.
Em paralelo, Nova York recebe nesta semana a Brazil Week, que reúne investidores, banqueiros, executivos e autoridades brasileiras e americanas poucos dias após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Ao longo da semana, bancos, gestoras e entidades empresariais promovem mais de 20 eventos voltados a temas como cenário macroeconômico, geopolítica, inteligência artificial, reformas estruturais, sucessão presidencial no Brasil e oportunidades de investimento no país.
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Manchetes desta manhã
- Projeção de dívida do governo entra na mira do TCU (Valor)
- Brasil atinge metade da cota da China para carne bovina e pode ser taxado nos próximos meses (Folha)
- Governo Tarcísio aplica multa de R$ 1 bi à Fast Shop por fraude no ICMS e propina a auditor fiscal (Estadão)
- Vendas do comércio acumulam alta de 5,4% em um ano, diz índice do Varejo Stone (O Globo)
- Concessões federais se consolidam e somam investimentos de R$ 125 bi desde 2023 (Valor)
Mercado global reage ao fracasso das negociações entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam majoritariamente em queda diante da cautela dos investidores após o fracasso das negociações entre EUA e Irã. A alta do petróleo e o temor de que tensões no Estreito de Ormuz pressionem inflação, energia e crescimento seguem pesando sobre os mercados.
Na Ásia, os índices fecharam majoritariamente em alta, sustentados pela expectativa em torno da cúpula entre EUA e China, apesar das tensões no Oriente Médio e da alta do petróleo. O otimismo foi reforçado pela confirmação da mídia estatal chinesa de um encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, entre 13 e 15 de maio.
O forte desempenho das ações de fabricantes de semicondutores também ajudou a impulsionar o setor de tecnologia e dar suporte aos mercados.
Em Nova York, os índices futuros operam em queda, enquanto o petróleo avança, após Donald Trump rejeitar a mais recente proposta do Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,09%
- FTSE 100: +0,07%
- CAC 40: -1,09%
- Nikkei 225: -0,47%
- Hang Seng: +0,05%
- Shanghai SE Comp: +1,08%
- Ouro (jun): -1,06%, a US$ 4.680,59 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,08%, aos 97,98 pontos
- Bitcoin: +0,34% a US$ 81.116,6
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros avançam forte nesta segunda-feira, após Donald Trump rejeitar a proposta do Irã para encerrar o conflito em Ormuz. Teerã pediu suspensão das sanções, fim do bloqueio naval e reconhecimento de sua soberania sobre o estreito, mas a resposta foi classificada pelo presidente americano como “totalmente inaceitável”, ampliando os temores sobre oferta global de energia.
O Brent/junho avança 2,31%, cotado a US$ 103,63 e o WTI/junho sobe 2,34%, a US$ 97,65. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,73% em Dalian, na China, cotado US$ 121,04/ton e o contrato para junho negociado em Singapura fechou em alta de 0,88%, a US$111,4/ton.
Segundo o Ruth Chai, os preços da commodity sobem pela sexta sessão consecutiva, impulsionado por dados positivos da China e pela expectativa de menor pressão sobre o setor siderúrgico após a queda das exportações de aço do país.
Embarques e estoques da commodity abaixo dos níveis do ano passado também ajudaram a sustentar os preços.
Cenário internacional
Nos EUA, as atenções se voltam para o CPI de abril, previsto para esta terça-feira (12). O consenso projeta alta de 0,6% no índice cheio e aceleração do núcleo da inflação de 0,2% para 0,4% na margem, em um momento em que investidores tentam medir o impacto do choque do petróleo sobre os preços.
O dado ganha peso após o payroll acima do esperado na semana passada, que reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter os juros elevados por mais tempo enquanto monitora os efeitos da crise energética sobre a inflação americana.
A agenda internacional ainda inclui vendas no varejo nos Estados Unidos e discursos de dirigentes do Fed e do Banco Central Europeu ao longo da semana, com destaque para a fala de Christine Lagarde na quinta-feira (14).
Na frente política, o governo Trump recorreu da decisão judicial que considerou ilegais as tarifas globais de 10% impostas em fevereiro, ampliando a tensão comercial num momento de crescente fragilidade geopolítica.
Na agenda da semana, o republicano embarca para Pequim nos dias 14 e 15 de maio, na primeira visita de um presidente americano à China desde 2017. A reunião com Xi Jinping deve incluir discussões sobre a guerra envolvendo o Irã, além de tentativas de ampliar a trégua comercial firmada no ano passado.
Na pauta estarão compras chinesas de soja, carne bovina e aeronaves da Boeing, além de temas estratégicos como semicondutores, inteligência artificial e Taiwan.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda inicia com a divulgação do tradicional Boletim Focus, que deve trazer novas revisões para as expectativas de inflação. À tarde, sai a balança comercial semanal. A agenda doméstica ganha força a partir de terça-feira, com a divulgação do IPCA de abril. Na sequência, investidores monitoram os dados de vendas no varejo, na quarta-feira, e volume de serviços, na sexta (15).
Na agenda das autoridades, o presidente do Banco Central participa nesta segunda-feira de reuniões do do Banco de Compensações Internacionais (BIS), em Basileia, na Suíça, ao lado do diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti.
Entre quarta e sexta-feira, a autoridade monetária promove em Brasília sua conferência anual, reunindo acadêmicos, bancos centrais, organismos multilaterais e representantes do mercado para debates sobre macroeconomia, estabilidade financeira e cenário internacional.
No cenário corporativo, a reta final da temporada de balanços do primeiro trimestre destaca o resultado da Petrobras, que deve ser divulgado nesta segunda-feira após o fechamento do mercado. Analistas projetam lucro líquido ajustado de US$ 5,7 bilhões, alta superior a 43% na comparação anual, impulsionada pela valorização do petróleo e pela produção recorde no mercado doméstico.
O mercado, porém, seguirá atento principalmente à política de distribuição de proventos, disciplina de investimentos e trajetória do capex, em um cenário no qual a Petrobras voltou a figurar entre as maiores beneficiadas pela disparada global do petróleo.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: a Refinaria Abreu e Lima bateu recorde de produção de diesel S-10 em abril, reforçando ganhos operacionais em meio à disparada do petróleo.
- PPSA: adiou o sexto leilão de petróleo de julho para agosto em busca de maior estabilidade de mercado.
- Energisa: anunciou R$ 18 bilhões em investimentos após renovação das concessões de distribuidoras.
- Aegea e Sabesp: cadastraram para disputar fatia de 30% da Copasa, que teve lucro líquido de R$ 368,1 milhões no 1º trimestre, queda de 14,1% contra um ano antes.
- Santander Brasil: o Conselho aprovou, por unanimidade, a eleição de Gilson Finkelzstain para o cargo de diretor-presidente, sucedendo Mario Opice Leão.
- Riachuelo: a varejista pagará R$ 40 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,07 por ação. Ex em 14/05.
- Embraer: Brandes Investment passou a deter 5% das ações da fabricante brasileira.











