O mercado de trabalho paulista mostrou recuperação em março, com o setor de serviços liderando a geração de empregos formais e o comércio mantendo trajetória de recomposição após o ajuste sazonal do início do ano.
Os serviços abriram 49.475 vagas com carteira assinada no mês, enquanto o comércio registrou saldo positivo de 4.756 postos, marcando o segundo mês consecutivo de criação líquida de empregos no Estado, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP), ao qual o Monitor do Mercado teve acesso com exclusividade.
Um ano antes, quando foram abertas 21.356 vagas no setor de serviços, o desempenho de março de 2026 mostra aceleração das contratações e expansão mais intensa da atividade.
Em relação ao comércio, na comparação com março de 2025, quando o comércio havia registrado saldo negativo de 2.889 vagas, o desempenho deste ano aponta maior estabilidade das contratações, mesmo em um cenário econômico ainda restritivo.
- Pare de depender só do seu salário! Baixe o guia gratuito e aprenda a viver de renda com FIIs.
A FecomercioSP observa que o resultado de março precisa ser analisado à luz do efeito-calendário: em 2026, o Carnaval ocorreu integralmente neste mês, reduzindo o número de dias úteis e afetando temporariamente o ritmo das admissões em atividades mais dependentes da rotina de consumo e circulação diária.
Mesmo em um ambiente de juros elevados, crédito restrito e maior cautela empresarial, os resultados reforçam a continuidade da recuperação do mercado de trabalho paulista no primeiro trimestre.
Logística e corporativo puxam contratações de serviços
Mesmo com o impacto do Carnaval, o estoque de empregos formais do setor de serviços avançou para 7.826.643 vínculos, acima dos 7.777.168 registrados em fevereiro, consolidando novo crescimento da base ocupacional dos serviços no Estado.
Essa geração de empregos em março teve ampla disseminação entre os segmentos, com destaque para áreas ligadas à logística, serviços administrativos, educação e consumo presencial.
Os maiores saldos positivos vieram de:
- Transporte, armazenagem e correio: 14.638 vagas
- Atividades administrativas e serviços complementares: 14.525 vagas
- Educação: 4.065 vagas
- Alojamento e alimentação: 3.851 vagas
- Saúde e serviços sociais: 3.720 vagas
- Atividades profissionais, científicas e técnicas: 3.317 vagas
De acordo com o estudo, esse desempenho reforça a relevância dos serviços corporativos e logísticos na sustentação da atividade econômica paulista, além da continuidade da recuperação de segmentos ligados ao atendimento presencial.
Serviços acumulam mais de 128 mil vagas no trimestre
Com o resultado de março, o setor de serviços encerrou o primeiro trimestre de 2026 com saldo positivo de 128.212 empregos formais. No período, foram registradas 1.276.566 admissões e 1.148.354 desligamentos.
A recuperação foi sustentada principalmente pelos resultados mais fortes observados em fevereiro e março, após a desaceleração registrada no fim do ano passado.
As atividades que mais contribuíram para a geração de empregos no trimestre foram:
- Atividades administrativas e serviços complementares: 35.411 vagas
- Educação: 23.225 vagas
- Transporte, armazenagem e correio: 20.331 vagas
- Saúde e serviços sociais: 12.459 vagas
- Alojamento e alimentação: 10.219 vagas
- Administração pública, defesa e seguridade social: 10.032 vagas
Os dados da FecomercioSP mostram que os serviços corporativos, educacionais, logísticos e sociais permaneceram como os principais motores do mercado de trabalho formal paulista no início de 2026.
Mesmo com a recuperação disseminada, alguns segmentos apresentaram desempenho mais fraco. Informação e comunicação, por exemplo, registrou saldo negativo de 227 vagas no acumulado do trimestre.
Setor de serviços mostra recuperação ano a ano
A evolução mensal do emprego no setor de serviços entre março de 2025 e março de 2026 revela um ciclo de crescimento relativamente consistente, interrompido apenas pelo forte ajuste sazonal observado no encerramento do ano passado.
Após o resultado expressivo de fevereiro de 2025, quando foram abertas 84.437 vagas, o setor manteve sequência de saldos positivos entre março e novembro, com geração mensal variando entre 14.919 e 36.025 postos de trabalho.
Segundo a pesquisa, esse movimento refletiu a expansão contínua dos serviços corporativos, logísticos, sociais e das atividades ligadas ao consumo presencial ao longo de 2025.
A inflexão veio em dezembro, quando o setor fechou 129.955 vagas. O resultado concentrou desligamentos típicos do encerramento do ano e reverteu parte das contratações realizadas nos meses anteriores.
Em 2026, o mercado voltou a mostrar recuperação gradual. Janeiro teve abertura moderada de 3.001 vagas, seguido por forte aceleração em fevereiro e novo saldo positivo em março. Embora abaixo do resultado de fevereiro, o desempenho de março segue considerado robusto diante da redução de dias úteis provocada pelo Carnaval.
Comércio paulista volta a criar vagas em março
O comércio do Estado de São Paulo também apresentou recuperação do emprego em março e registrou saldo positivo de 4.756 vagas formais.O resultado decorre de 164.797 admissões e 160.041 desligamentos.
Em fevereiro, o setor já havia aberto 7.119 vagas, revertendo parcialmente as perdas registradas em janeiro, quando houve fechamento de 20.677 postos de trabalho.
Na comparação com março de 2025, quando o comércio havia registrado saldo negativo de 2.889 vagas, o desempenho deste ano aponta maior estabilidade das contratações, mesmo em um cenário econômico ainda restritivo.
Varejo lidera geração de empregos
A abertura setorial mostra que o varejo respondeu pela maior parte das vagas criadas em março. Os destaques foram:
- Comércio varejista: 2.488 vagas
- Comércio atacadista: 1.577 vagas
- Comércio e reparação de veículos: 691 vagas
Segundo a pesquisa, o varejo foi sustentado principalmente pelo consumo das famílias e pela recomposição gradual da atividade após os ajustes do início do ano.
O atacado também apresentou resultado positivo, embora em ritmo mais moderado. Já o desempenho no segmento de veículos foi condicionado pelas condições de financiamento e pela postura mais cautelosa do consumidor diante do ambiente de juros elevados.
Carnaval afetou ritmo das admissões no comércio
Assim como ocorreu no setor de serviços, os efeitos do calendário também influenciaram o desempenho do comércio em março. Em 2026, o Carnaval ocorreu integralmente no mês, ao contrário de 2025, quando a data caiu em fevereiro.
O deslocamento alterou a distribuição das admissões ao longo do primeiro trimestre e reduziu temporariamente o ritmo das contratações, principalmente em segmentos mais dependentes do fluxo diário de consumidores.
Mesmo com esse efeito, o saldo de março permaneceu superior ao observado no mesmo mês do ano passado e reforçou a percepção de recuperação gradual do mercado de trabalho do comércio paulista.
Comércio ainda acumula perdas no trimestre
Apesar da melhora recente, o comércio paulista ainda acumula saldo negativo de 7.930 vagas no primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e março, o setor registrou 456.534 admissões e 464.464 desligamentos.
O resultado reflete principalmente o impacto do forte ajuste observado em janeiro, associado ao encerramento das vagas temporárias abertas no último trimestre de 2025, especialmente no varejo. A partir de fevereiro, o setor voltou a apresentar saldo positivo, movimento que continuou em março, embora em intensidade mais moderada do que a observada ao longo de 2025.
- Os bastidores do mercado direto no seu e-mail! Assine grátis e receba análises que fazem a diferença no seu bolso.
Ainda assim, os dados mais recentes indicam recomposição do emprego ao longo do trimestre. O estoque de empregos formais avançou de 3.033.403 vínculos em fevereiro para 3.039.256 em março, acréscimo de 5.853 postos de trabalho.
Os dados indicam que o mercado de trabalho do comércio paulista entrou em trajetória de estabilização no início de 2026, mas ainda enfrenta limitações impostas pelos juros elevados, crédito mais caro e maior cautela das empresas e consumidores, de forma que a geração de vagas deve permanecer gradual ao longo do ano.











