Os mercados globais amanheceram em clima de alívio nesta quinta-feira (21) após investidores retomarem a aposta de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não permitirá que a guerra no Oriente Médio saia do controle. A percepção de que a Casa Branca tenta evitar uma escalada militar, diante dos impactos do petróleo sobre inflação, juros e bolsas, derrubou o Brent em quase 6% na sessão anterior.
Trump afirmou que as negociações com o Irã estão nos “estágios finais”, mas voltou a ameaçar novos ataques caso Teerã rejeite os termos americanos. Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que qualquer tentativa de impor uma rendição ao país é “uma ilusão”, enquanto a Guarda Revolucionária elevou o tom ao ameaçar expandir o conflito para além do Oriente Médio em caso de novos bombardeios.
Enquanto Israel pressiona por uma nova ofensiva contra o Irã, Washington tenta evitar uma escalada às vésperas do ciclo eleitoral americano, em um momento em que Trump busca recuperar popularidade em meio ao desgaste provocado pela guerra.
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Entre o conflito no Oriente Médio e a expectativa pelo resultado da Nvidia, o mercado praticamente ignorou a ata mais hawkish do Federal Reserve (Fed). O documento reforçou preocupações com a inflação persistente, petróleo elevado e juros altos por mais tempo nos Estados Unidos.
Dirigentes da autoridade monetária discutiram a possibilidade de novas altas de juros, enquanto parte do Comitê defendeu retirar do comunicado qualquer sinalização favorável a cortes. A ata também destacou que a guerra no Oriente Médio se tornou um dos principais vetores de risco para inflação e volatilidade global, sobretudo pelo impacto do petróleo sobre cadeias produtivas e preços ao consumidor.
Após a divulgação do documento, o mercado voltou a enxergar como cenário predominante a manutenção dos juros americanos nos níveis atuais até dezembro. Em condições normais, a combinação de Fed mais duro, guerra prolongada e petróleo acima de US$ 100 pressionaria bolsas e ações de tecnologia. Ainda assim, Wall Street sustentou o rali, apoiada pela forte queda do petróleo e pela expectativa em torno da Nvidia.
A fabricante de chips acabou funcionando como um termômetro global de apetite por risco e inteligência artificial, ajudando a impulsionar Nasdaq, S&P 500 e bolsas emergentes, à medida que investidores aproveitaram o alívio temporário no Oriente Médio para retomar posições em tecnologia.
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No Brasil, o destaque é político após a CCJ do Senado adiar a análise da PEC da autonomia orçamentária do Banco Central, mas a proposta ganhou respaldo explícito de 14 entidades do sistema financeiro, incluindo Febraban, fintechs, bancos e empresas de pagamentos.
Em nota conjunta, o grupo defendeu a “urgente necessidade” de reforço no orçamento e no quadro de pessoal da autoridade monetária. As associações argumentam que a autonomia financeira ajudaria a reduzir a percepção de risco do país, fortalecer a estabilidade da política monetária e aproximar o Brasil das práticas adotadas por economias relevantes. O texto pode voltar à pauta da CCJ já na próxima semana.
No cenário do agronegócio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo deve concluir nos próximos dias um acordo com o Senado para viabilizar o projeto de renegociação das dívidas do setor. A proposta passou a prever prazo de até dez anos para pagamento, com carência de até dois anos.
A Fazenda também discute a criação de um fundo garantidor para o crédito rural, inspirado no FGC, como forma de sustentar o financiamento do setor em meio ao aumento das incertezas globais.
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Manchetes desta manhã
- Mais da metade dos lares no Brasil está no limite da insolvência, mostra pesquisa (Valor)
- Gasto com previdência vai subir R$ 11,5 bi e levar a novo bloqueio no Orçamento de 2026 (Folha)
- Energisa vende 5 empresas de transmissão para Taesa por mais de R$ 1,5 bilhão (Estadão)
- A menos de cinco meses da eleição, Lula acelera gastos com uma medida a cada 3,5 dias (O Globo)
Mercado global volta a olhar para negociações entre EUA e Irã
As bolsas da Europa buscam a estabilidade com o alívio no petróleo diante da expectativa de acordo entre EUA e Irã.
Apesar do PMI da zona do euro abaixo do esperado e dos sinais de desaceleração no Reino Unido e na França, o mercado mantém o apetite por risco.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única, com o balanço da Nvidia fortalecendo o apetite por tecnologia.
A SK Hynix teve valorização de 11,2% com otimismo sobre a demanda global por chips, IA e infraestrutura de data centers e a Samsung Electronics saltou 8,51% após acordo salarial provisório, impulsionando o Kospi a uma alta superior a 8%, marcando sua melhor sessão em meses.
Em Nova York, os índices futuros recuam apesar do alívio no cenário geopolítico após Donald Trump afirmar que as negociações entre EUA e Irã estão na reta final.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,41%
- FTSE 100: -0,44%
- CAC 40: -0,55%
- Nikkei 225: -+3,14%
- Hang Seng: -1,03%
- Shanghai SE Comp: -2,04%
- Ouro (jun): -0,92%, a US$ 4.516,05 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,16%, aos 99,30 pontos
- Bitcoin: -0,51% a US$ 77.208,9
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Commodities
- Petróleo: após despencar 6% na véspera, a commodity volta a subir mais de 2% nesta quinta-feira, com o Brent negociado perto de US$ 107 por barril.
O mercado monitora as negociações entre EUA e Irã e avalia que, mesmo com um possível acordo, a normalização da oferta pode demorar, cenário reforçado pela queda dos estoques acima do esperado.
O Brent/junho sobe 2,2%, cotado a US$ 107,33 e o WTI/junho avança 2,57%, a US$ 100,79. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,07% em Dalian, na China, cotado a US$ 116,07.
Analistas da Nanhua Futures avaliam que oferta e demanda seguem equilibradas, limitando o potencial de alta das commodities diante dos preços já elevados. O sentimento do mercado permanece fraco, pressionado pela expectativa de poucos estímulos econômicos na China no curto prazo.
Cenário internacional
Os mercados globais começam esta quinta-feira com os investidores atentos aos PMIs da Europa e dos Estados Unidos, indicadores vistos como termômetro da atividade econômica em um cenário ainda marcado por juros elevados e tensões geopolíticas. Os dados europeus abriram a agenda do dia, enquanto os números americanos serão divulgados às 10h45.
No noticiário corporativo, a NVIDIA Corporation voltou ao centro das atenções após projetar receita de cerca de US$ 91 bilhões para o trimestre encerrado em julho. Embora o número tenha superado o consenso de mercado, ficou abaixo das estimativas mais otimistas de Wall Street, que já se aproximavam de US$ 96 bilhões.
A reação dos investidores mostrou um mercado mais exigente com o setor de inteligência artificial. As ações chegaram a cair 2,5% no after hours e encerraram o pregão em baixa de 1,26%.
Em uma tentativa de reforçar a remuneração aos acionistas em meio ao amadurecimento do ciclo de IA, a companhia anunciou um programa de recompra de US$ 80 bilhões em ações e elevou o dividendo trimestral para 25 centavos por papel. Mesmo assim, os resultados seguiram robustos. A receita avançou 85% no trimestre, para US$ 81,6 bilhões, acima das projeções do mercado.
A divisão de data centers, principal motor da empresa, faturou US$ 75,2 bilhões, enquanto a companhia afirmou continuar operando com demanda superior à capacidade de oferta. O CEO Jensen Huang voltou a defender que a expansão global da infraestrutura de inteligência artificial ainda está no início, classificando o movimento como “a maior expansão de infraestrutura da história da humanidade”.
Ainda no exterior, a SpaceX protocolou nesta quarta-feira o pedido para realizar sua oferta pública inicial de ações na Nasdaq. A companhia mantém planos ambiciosos, incluindo a construção de centros de processamento de dados em órbita e projetos de colonização de Marte.
Na frente comercial, a União Europeia chegou a um acordo provisório para eliminar tarifas sobre produtos americanos, em mais um avanço nas negociações com Washington. Os Estados Unidos, porém, afirmaram que ainda avaliam algumas emendas incluídas no texto, segundo a Reuters.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda ganha força com uma sequência de indicadores relevantes. O destaque fica para os dados de arrecadação federal de abril, a divulgação do Boletim Regional do Banco Central e a publicação dos votos da última reunião do CMN.
A arrecadação federal, prevista para as 15h, deve somar R$ 275 bilhões, segundo mediana da Broadcast, com avanço real de cerca de 6,3% na comparação anual. O mercado acompanha especialmente o impacto das receitas ligadas ao petróleo, ao IOF e às medidas tributárias adotadas pelo governo nos últimos meses, embora economistas já identifiquem sinais graduais de desaceleração nas receitas mais dependentes da atividade econômica.
Mais cedo, às 10h, o Banco Central divulga a edição anual do Boletim Regional, trazendo uma leitura detalhada sobre atividade, crédito, mercado de trabalho e inflação nas diferentes regiões do país.
No fim do dia, o CMN publica os votos de sua última reunião, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista à CNN Brasil no início da noite.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: concluiu a aquisição de 49,99% de participação nas subsidiárias da Lightsource bp no Brasil e firmou aditivo com a Naturgy para reduzir o preço do gás no Rio a partir de junho.
- BB: aprovou distribuição antecipada de R$ 340,7 milhões em JCP do 2TRI26, equivalentes a R$ 0,0596 por ação; “ex” em 2/6.
- Santander: confirmou a renúncia de Christian Egan ao cargo de vice-presidente executivo. O executivo assumirá a presidência da B3.
- Sabesp: deve desistir da privatização da Copasa, segundo fontes do Valor. . A empresa havia se credenciado para disputar a vaga de sócio de referência no plano de desestatização, mas considerou que “já há muito a fazer em SP”.
- GPA: vendeu sua participação de 66,7% na Stix para a RD Saúde por R$ 23 milhões.
- Oncoclínicas: minoritários pediram que a análise sobre eventual OPA seja levada ao colegiado da CVM.
- BradSaúde: recebeu autorização da B3 para manter free float de 8,609% até outubro de 2027.











