Um em cada três moradores da cidade de São Paulo utiliza plataformas de apostas online (bets) com a expectativa de reforçar rapidamente a renda familiar. É o que aponta levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP) sobre os hábitos de consumo ligados às bets.
Segundo a pesquisa, 35% dos paulistanos afirmam apostar com o objetivo de aumentar o orçamento doméstico. O índice representa crescimento de 10 pontos percentuais em comparação ao estudo realizado pela entidade em 2024.
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Por outro lado, perdeu força a ideia de usar apostas como forma de investimento. A parcela dos entrevistados que declarou apostar para investir caiu de 9% para 5% no período analisado.
Outro dado levantado pelo estudo mostra que quase um em cada dez paulistanos relatou ter vício em jogos. Ao todo, 7% dos entrevistados disseram se considerar dependentes das apostas.
Famílias de menor renda recorrem mais às bets para reforçar o orçamento
Nesse estudo, os resultados ganham contornos mais delicados quando observados sob o recorte de renda — entre pessoas que recebem até dois salários mínimos (cerca de R$ 3 mil), 40% afirmaram recorrer às bets para complementar o orçamento da casa.
O percentual diminui para 30% entre aqueles com renda de dois a cinco salários mínimos e chega a 29% nas famílias que recebem entre cinco e dez salários.
A federação revela ainda que consumidores em situação de vulnerabilidade financeira estão recorrendo cada vez mais a esse tipo de gasto de risco como tentativa de enfrentar dificuldades econômicas.
Num panorama mais amplo, os dados revelam que metade da população paulistana aposta com frequência. O índice de 50% permanece igual ao registrado dois anos atrás.
Apesar da estabilidade geral, a pesquisa mostra que as classes baixa e média utilizam as plataformas com intensidade maior do que os grupos de renda mais alta. Segundo a entidade, isso ocorre porque justamente essas faixas sentem maior necessidade de ampliar a renda mensal.
Apostas disputam espaço com poupança e gastos essenciais
A pesquisa identificou mudança no destino que seria dado ao dinheiro utilizado nas plataformas caso as apostas não existissem. Hoje, 26% dos entrevistados afirmam que guardariam esses recursos. No levantamento anterior, essa proporção era de 19%.
Além da poupança, parte significativa dos paulistanos disse que destinaria o dinheiro a despesas básicas. Cerca de 14% afirmaram que pagariam contas domésticas, enquanto 13% utilizariam os recursos para compra de alimentos.
Na avaliação da FecomercioSP, os dados sugerem que as apostas passaram a competir diretamente com despesas tradicionais das famílias, incluindo alimentação, comércio, serviços e até organização financeira dessas apostas.
Mulheres priorizariam alimentação
Ao analisar as particularidades desse público, o levantamento também mostrou diferenças importantes entre homens e mulheres sobre o destino do dinheiro gasto atualmente nas bets.
Entre as mulheres, 18% disseram que utilizariam os recursos para comprar comida, percentual superior ao registrado entre os homens, de 11%.
A mesma diferença aparece no pagamento de contas domésticas: 18% das mulheres afirmaram que destinariam o dinheiro para essa finalidade, contra 13% dos homens.
Já entre os homens, a tendência de poupar foi maior. Segundo a pesquisa, 28% afirmaram que guardariam os valores, enquanto entre as mulheres o percentual ficou em 18%.
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Apostadores recorrem a empréstimos
Embora represente uma parcela menor dos entrevistados, a FecomercioSP considera relevante o fato de 12% dos paulistanos terem buscado algum tipo de ajuda financeira para continuar apostando. Dentro desse grupo, 5% recorreram a empréstimos com amigos ou familiares. Outros 4% contrataram crédito bancário.
Sob uma perspectiva socioeconômica, esse é um dos indicadores mais sensíveis do levantamento, porque revela que parte dos apostadores já enfrentou problemas financeiros relacionados às bets e precisou recorrer a terceiros para reorganizar a situação.
Maioria mantém gastos baixos nas plataformas
Apesar do avanço das apostas online, o estudo mostra que o perfil predominante ainda é o do chamado “pequeno apostador”.
Mais da metade dos entrevistados, equivalente a 54%, afirmou gastar no máximo R$ 50 por mês nas plataformas. Outros 16% disseram desembolsar até R$ 100 mensais, enquanto 12% afirmaram aplicar até R$ 200 em apostas.
Os percentuais permanecem próximos aos observados em 2024. Ainda assim, houve crescimento relevante no grupo de pessoas que gastam até R$ 100 por mês com bets.
Pix e redes sociais impulsionam expansão das bets
A FecomercioSP avalia que o avanço das plataformas está relacionado à presença cada vez maior das apostas nas redes sociais, à facilidade de acesso por smartphones e à disseminação dos meios de pagamento instantâneo.
O Pix aparece como principal ferramenta utilizada pelos apostadores: 96% dos entrevistados afirmaram utilizar o sistema para realizar pagamentos nas plataformas.
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O estudo também conecta a expansão das bets ao ambiente econômico atual, marcado por juros elevados e aumento do endividamento das famílias.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela própria federação, mostram que 72,9% das famílias paulistanas estavam endividadas em abril, maior patamar registrado nos últimos três anos. Além disso, duas em cada dez famílias da capital (equivalente a 21%) estavam inadimplentes.











