A indústria global de ETFs encerrou o primeiro trimestre com US$ 21,7 trilhões em patrimônio sob gestão, consolidando uma trajetória de forte expansão em relação aos US$ 3,5 trilhões registrados há dez anos, segundo dados apresentados por Sara Marshall, Estrategista Sênior do Nasdaq Index Insights.
Em estudo apresentado durante o evento “ETFs 360º: Estratégia, Renda e Acesso Global”, promovido pela Apimec Brasil nesta quarta-feira (27), Sara apontou que de 2016 e 2025, o setor apresentou crescimento anual composto de 21,2%, com apenas um ano de retração, em 2022.
- Estratégia clara, decisões certeiras. Evite armadilhas e proteja seus investimentos com um método testado. Baixe agora!
Somente em 2025, o patrimônio administrado avançou 10%. Desse total, 4% vieram da entrada líquida de recursos, enquanto 7,3% foram consequência da apreciação dos mercados.
Segundo dados da Nasdaq, a evolução do setor na última década foi marcada por quatro eventos relevantes: a implementação da Regra dos ETFs pela SEC (Securities and Exchange Commission) em 2019; o forte aumento dos fluxos durante a pandemia; a correção dos mercados em 2022; e a aprovação da estrutura de classes de cotas compartilhadas entre fundos mútuos e ETFs.
O crescimento veio acompanhado pela expansão do número de produtos disponíveis. O total no mundo passou de 5.157 para 14.991 ETFs no período. Os mercados da China, Hong Kong e Taiwan, além dos Estados Unidos, lideraram os lançamentos, mais que dobrando a quantidade de produtos disponíveis desde 2016.
EUA concentram quase 70% do patrimônio global
Os Estados Unidos permanecem como principal mercado de ETFs do mundo, reunindo US$ 14,9 trilhões em ativos distribuídos entre 5.181 produtos. O país responde sozinho por 69% do patrimônio global da indústria.
A Europa ocupa a segunda posição, com US$ 3,5 trilhões em ativos e 3.519 ETFs, equivalentes a 16% do mercado global. Na sequência aparecem China, Hong Kong e Taiwan, que somam US$ 1,1 trilhão em patrimônio e 1.956 fundos, representando cerca de 5% do mercado global de ETFs.
Outras regiões também ampliaram sua presença. O Japão acumula US$ 0,8 trilhão em ativos, o Canadá possui US$ 0,7 trilhão, a Coreia do Sul concentra US$ 0,3 trilhão, a Australásia soma US$ 0,2 trilhão e os demais mercados reúnem cerca de US$ 0,1 trilhão.
Embora os Estados Unidos continuem liderando com ampla vantagem, o relatório aponta crescimento gradual da participação da Europa, do Canadá e dos mercados asiáticos ao longo dos últimos anos.
Brasil mais que dobra patrimônio de ETFs em um ano
O mercado brasileiro alcançou US$ 21,2 bilhões em patrimônio sob gestão nos 12 meses encerrados em abril de 2026, enquanto um ano antes o volume era de aproximadamente US$ 9 bilhões. Segundo o levantamento, o crescimento orgânico foi de cerca de 60%.
Os títulos públicos concentraram 57% dos fluxos líquidos recebidos no período, embora representem 35% do patrimônio total do mercado. Nos últimos 12 meses foram lançadas 63 novas estratégias. A maior parte dos lançamentos ocorreu em ativos de ações internacionais e produtos de criptomoedas de ativo único.
Apenas seis novos ETFs tiveram como foco ações brasileiras. Os ETFs de ações do mercado local registraram retorno próximo de 31% em um ano, enquanto o crescimento orgânico da categoria alcançou 22,5%.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações.
Renda fixa domina nos EUA
Os ETFs de ações continuam dominando o patrimônio da indústria americana, respondendo por 80% dos ativos sob gestão. A renda fixa representa 17% do patrimônio total, enquanto commodities e criptoativos possuem participação reduzida.
Quando analisados os fluxos dos últimos 12 meses, a distribuição é diferente. Os ETFs de ações absorveram 64% dos novos recursos, enquanto a renda fixa ficou com 30%.
O relatório destaca que os produtos de renda fixa atraem uma proporção de investimentos significativamente superior à sua participação atual no patrimônio total do mercado. Os de criptomoedas também recebem uma fatia de recursos superior ao peso que possuem atualmente nos ativos administrados.
Captações nos EUA devem renovar recorde em 2026
A indústria americana iniciou 2026 em ritmo acelerado. Até 30 de abril, os ETFs dos Estados Unidos receberam US$ 624 bilhões em novos recursos, o maior volume já registrado para os primeiros quatro meses do ano.
Nos últimos 12 meses, os fluxos líquidos acumulados atingiram aproximadamente US$ 1,7 trilhão. Mantido esse ritmo, o mercado pode encerrar 2026 próximo de US$ 2 trilhões em captações, acima do recorde de US$ 1,5 trilhão observado em 2025.
No acumulado do ano, o patrimônio dos ETFs americanos aumentou US$ 1,4 trilhão. Desse total, US$ 624 bilhões vieram de crescimento orgânico, enquanto US$ 795 bilhões foram resultado da valorização dos mercados.
Os números correspondem a um crescimento total de 10,5%, sendo 4,6% provenientes de novos recursos e 7% decorrentes da apreciação dos ativos.











