O Oriente Médio volta a dominar o radar dos investidores nesta segunda-feira (8), adicionando uma nova camada de incerteza aos mercados globais. A retomada dos confrontos entre Israel e Irã impulsiona o petróleo e reacende preocupações com inflação, justamente após dados robustos dos Estados Unidos reduzirem as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).
A tensão aumentou após o Irã lançar novos ataques contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril. A ofensiva ocorreu horas depois de Israel afirmar ter atingido alvos militares no centro e no oeste do território iraniano. Segundo Tel Aviv, a operação foi uma resposta a ataques com mísseis iranianos contra o norte de Israel no domingo, em uma escalada que teve origem em ações israelenses contra o Hezbollah, em Beirute. A reação dos mercados foi imediata: o petróleo chegou a subir mais de 4%, refletindo o temor de interrupções na oferta de energia e de uma ampliação do conflito na região.
Apesar da deterioração do cenário, Donald Trump afirmou que ainda acredita em um acordo nuclear com Teerã e voltou a defender a retomada das negociações. O episódio, porém, expôs divergências públicas entre Washington e o governo de Benjamin Netanyahu. O presidente norte-americano criticou as recentes ações militares israelenses e indicou que pretende pressionar o premiê a evitar uma escalada adicional.
O Irã elevou o tom ao responsabilizar os Estados Unidos pelos desdobramentos mais recentes. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou que os ataques israelenses não podem ser dissociados da política externa americana e acusou Washington de comprometer o já delicado processo diplomático em andamento.
Em uma das declarações mais contundentes desde o início da crise, Trump afirmou que Netanyahu terá de aceitar qualquer acordo que venha a ser fechado entre Estados Unidos e Irã, reforçando a percepção de divergências estratégicas entre os dois aliados. Ele declarou ainda que “ignorância” e “estupidez” ameaçam acordo após Israel e Irã trocarem ataques.
Teerã classificou os ataques israelenses como uma violação dos entendimentos em curso, ameaçou ampliar as ações contra alvos israelenses e americanos na região e determinou o fechamento de seu espaço aéreo na porção oeste do país. No entanto, há pouco, segundo notícias da Fars, as Forças Armadas iranianas anunciaram o fim das operações militares contra Israel e alertaram para ataques mais severos caso Israel retome os ataques ao Líbano.
Para os mercados, a nova alta do petróleo surge em um momento particularmente sensível. Após o payroll dissipar dúvidas sobre a resiliência da economia americana, qualquer pressão adicional sobre energia e cadeias globais de suprimentos pode reforçar a percepção de que o Fed terá menos espaço para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário nos próximos meses.
No Brasil, o governo acompanha o cenário internacional enquanto busca destravar negociações comerciais com os Estados Unidos. O Planalto trabalha para viabilizar um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a reunião do G7, prevista para este mês na França.
A expectativa é avançar nas discussões sobre tarifas comerciais, tema que segue sem progresso relevante. Diante do impasse, o grupo de trabalho criado pelos dois países deve ter seu prazo estendido até julho.
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Manchetes desta manhã
- Trump diz que Israel e Irã buscam ‘cessar-fogo’ após troca de ataques (Valor)
- Focus: Economistas aumentam previsão do juros e da inflação neste ano (Folha)
- SRB pede explicações sobre veto da União Europeia à carne brasileira (Estadão)
- Governadores aumentam gastos, e estados devem somar déficit de R$ 6 bi no ano eleitoral (O Globo)
Mercado global
As bolsas da Europa operam majoritariamente em queda, pressionadas pela escalada das tensões entre Israel e Irã e pela correção global das ações ligadas à inteligência artificial.
A alta do petróleo após os novos ataques no Oriente Médio pesa sobre o setor aéreo, com companhias como Lufthansa e Air France registrando perdas. A IATA também reduziu quase pela metade sua projeção de lucro para o setor diante do aumento dos custos com combustível.
Na Ásia, os índices fecharam em queda, pressionadas pelas perdas no setor de tecnologia e inteligência artificial em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
O destaque negativo da sessão foi o Kospi, da Coreia do Sul, que recuou 8,29%, puxado pelas ações de semicondutores. As gigantes Samsung Electronics e SK Hynix amargaram quedas de 10,18% e 7,68%, respectivamente.
Em Nova York, entre os índices futuros, o Dow Jones Futuro abriu em queda, pressionado pela escalada das tensões no Oriente Médio, que impulsiona o petróleo, e pela realização de lucros em ações de inteligência artificial após a forte valorização recente.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,39%
- FTSE 100: -0,15%
- CAC 40: -0,17%
- Nikkei 225: -3,85%
- Shanghai SE Comp: -1,7%
- Hang Seng: -1,22%
- Ouro (jun): -0,42%, a US$ 4.346,95 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,14%, aos 99,93 pontos
- Bitcoin: +1,62% a US$ 62.898,0
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros são impulsionados pela escalada das tensões entre Israel e Irã, que reacende temores de interrupções na oferta global e de restrições no Estreito de Ormuz.
Apesar de a Opep+ ter aprovado um novo aumento de produção para julho, analistas questionam se o acréscimo será suficiente para compensar os riscos geopolíticos e chegar efetivamente ao mercado.
O Brent/agosto avança 3,25%, cotado a US$ 96,12 e o WTI/julho sobe 3,61%, a US$ 93,81. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,78% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 111,88/ton.
O minério de ferro segue pressionado pelo desequilíbrio entre oferta e demanda. Segundo a Baocheng Futures, o consumo de aço está desacelerando após meses de forte atividade, enquanto as margens mais apertadas das siderúrgicas reduzem a demanda pela commodity. O cenário é agravado pela alta dos estoques e pelo avanço dos preços do carvão metalúrgico e do coque, fatores que aumentam a pressão sobre o minério.
Cenário internacional
Nos EUA, a semana será marcada por indicadores de inflação que podem redefinir as expectativas para os juros globais. O destaque é o CPI de maio, que deve ser divulgado na quarta-feira (10), principal referência para os próximos passos do Federal Reserve.
Na quinta-feira (11), saem o PPI americano e a decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE), enquanto a Opep publica seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo.
Já nesta segunda-feira, o Fed de Nova York divulga as expectativas de inflação do consumidor.
Cenário nacional
No Brasil, a escalada do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços da energia dominaram os debates da reunião anual da Iata, realizada no Rio de Janeiro. Executivos e consultorias alertaram que os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz podem pressionar custos e tarifas do setor aéreo por anos.
A S&P Global avalia que uma normalização mais consistente do mercado de combustíveis só deve ocorrer ao longo de 2028, mesmo em um cenário de reabertura gradual da rota marítima. Segundo a consultoria, a recomposição da produção, dos estoques e da logística global exigirá vários meses, prolongando os impactos econômicos da crise.
A Iata projeta que o lucro global das companhias aéreas cairá de US$ 45 bilhões para US$ 23 bilhões em 2026, enquanto o preço do querosene de aviação pode subir cerca de 70% neste ano, elevando os custos do setor em aproximadamente US$ 100 bilhões.
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Destaques do mercado corporativo
- Axia Energia: unifica nesta segunda-feira suas ações na B3: os papéis preferenciais classe A1 (AXIA5) e classe B1 (AXIA6) deixam de existir, com toda a base de acionistas migrada para ações ordinárias (AXIA3), com direito a voto.
- Cyrela: o Conselho de Administração aprovou na sexta-feira um novo programa de recompra, tendo por objeto a aquisição de até 9,68 milhões de ações ordinárias e até 4,8 milhões de papéis preferenciais.
- Raízen: recebeu apoio de 75% dos credores e formaliza acordo extrajudicial na 3ª Vara de Falências de São Paulo para reestruturar dívida de R$ 64,7 bilhões.
- Braskem: recebeu notificação do fundo Shine I, ligado à IG4 Capital, sobre a assinatura do primeiro aditamento ao acordo de acionistas firmado com a PETROBRAS, com o objetivo aprimorar dispositivos de governança corporativa.
- BRB: S&P rebaixou o rating ‘brB-/brB’ para ‘brCCC+/brC’ e alerta que possíveis descompassos na capitalização podem elevar risco de liquidação.
- Banco Inter: recebeu autorização do Escritório de Regulação Financeira da Flórida (OFR) para operar filial nos EUA.











