A tentativa de reduzir a tensão no Oriente Médio traz alívio parcial aos mercados nesta terça-feira (9), mas ainda não é suficiente para afastar o receio de uma nova escalada militar. Israel e Irã sinalizaram disposição para reduzir os ataques, porém condicionaram qualquer trégua à postura do adversário, mantendo elevado o grau de incerteza sobre o fim do conflito.
Após disparar com os confrontos do fim de semana, o petróleo devolveu parte dos ganhos mais intensos da madrugada, mas segue negociado acima de US$ 94 por barril. O mercado continua acompanhando de perto os esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para evitar que o conflito se amplie e comprometa ainda mais o equilíbrio energético global.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os ataques ao Irã estão suspensos “por enquanto”, mas advertiu que a guerra está longe do fim e prometeu uma resposta contundente a qualquer nova ofensiva iraniana. Em Teerã, o comando militar declarou encerradas as operações recentes, mas deixou claro que voltará a agir caso interesses iranianos ou o Hezbollah sejam alvo de ataques.
Nesse cenário, o presidente Donald Trump tenta costurar uma trégua de 60 dias para preservar as negociações com o Irã e abrir espaço para um acordo mais amplo. A iniciativa, porém, encontra resistência dos dois lados e segue cercada de incertezas.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
A percepção de risco global também foi reforçada pela Fitch, que revisou de neutra para “em deterioração” sua perspectiva para o setor soberano mundial em 2026. A agência alertou para os impactos do ambiente geopolítico sobre crescimento, inflação e mercados de dívida, além de elevar sua projeção para o petróleo Brent, que pode oscilar entre US$ 100 e US$ 110 nos próximos meses.
No Brasil, o governo intensifica sua articulação diplomática para tentar reverter as restrições impostas pela União Europeia às exportações de produtos de origem animal, especialmente carne bovina. Segundo o Estadão, o presidente Lula deve tratar do tema com Ursula von der Leyen durante a reunião do G7, na próxima semana, na França.
Embora autoridades europeias indiquem disposição para reavaliar o caso diante das garantias sanitárias apresentadas pelo Brasil, integrantes do governo e do agronegócio veem uma solução rápida com ceticismo. A avaliação é que uma reversão completa das restrições antes de setembro ainda enfrenta obstáculos relevantes, sobretudo para a carne bovina.
Além do impacto econômico potencial, estimado em até US$ 1,8 bilhão, o setor teme prejuízos à reputação do país em um dos mercados mais rigorosos e valorizados do mundo. Isso porque, mais do que acesso comercial, a presença no mercado europeu funciona como um importante selo de qualidade sanitária e abre portas para outros compradores globais.
- Estratégia clara, decisões certeiras. Evite armadilhas e proteja seus investimentos com um método testado. Baixe agora!
Manchetes desta manhã
- Mercado precifica alta da Selic e se prepara para menor ciclo de cortes de juros da história (Valor)
- Brasil podia evitar veto à carne, mas não fez, diz porta-voz da União Europeia (Folha)
- Juízes de grupo criado por Fachin para estudar ‘penduricalhos’ receberam até R$ 332,2 mil por mês (Estadão)
- Pentágono acusa BYD e Alibaba de ajudarem exército da China; Pequim reage (O Globo)
- Otto Lobo assume CVM e demite 7 superintendentes (Valor)
Mercado global avançam com alívio do conflito no Oriente Médio
As bolsas da Europa avançam embaladas pelo alívio geopolítico após a suspensão dos ataques entre Israel e Irã. A queda do petróleo favorece o apetite por risco, enquanto ações de bancos e tecnologia lideram os ganhos.
Em Londres, porém, a GSK limita o desempenho do mercado após anunciar a compra da Nuvalent por US$ 10,6 bilhões.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, apoiados pela recuperação dos setores de semicondutores e inteligência artificial. O índice Kospi liderou os ganhos (+8,2%) após a revisão do PIB da Coreia do Sul para alta de 1,8% no primeiro trimestre, impulsionada pelas exportações de semicondutores.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta, impulsionados pela recuperação no mercado de inteligência artificial.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,44%
- FTSE 100: -0,26%
- CAC 40: +0,92%
- Nikkei 225: +2,17%
- Shanghai SE Comp: +1,28%
- Hang Seng: -0,37%
- Ouro (jun): +0,05%, a US$ 4.365,57 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,28%, aos 99,72 pontos
- Bitcoin: +1,41% a US$ 62.597,3
- Está com dúvidas sobre suas finanças? Fale agora com a Clara, a assistente virtual do Monitor do Mercado. Iniciar conversa
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam nesta terça-feira, devolvendo parte dos ganhos da véspera, após sinais de trégua entre Israel e Irã reduzirem temporariamente os temores de uma escalada no Oriente Médio. Apesar do alívio, o mercado segue atento aos desdobramentos do conflito, que continuam ditando o rumo das cotações da commodity.
O Brent/agosto recua 2,08%, cotado a US$ 89,40 e o WTI/julho cede 1,81%, a US$ 92,54. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,2% em Dalian, na China, cotado a US$ 112,23/ton, pressionado pela fraqueza da demanda da siderurgia e pelos elevados estoques da commodity.
Segundo análise da ANZ Research, uma recuperação mais consistente dependeria de novas medidas de estímulo por parte do governo chinês. A consultoria também alerta que o aumento da produção no Brasil e na Austrália, somado à entrada de novos projetos de mineração, deve ampliar o excesso de oferta e manter pressão sobre os preços.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda desta terça-feira é mais leve, mas os mercados seguem em compasso de espera pelo principal dado da semana: o CPI de maio, que será divulgado amanhã e pode redefinir as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Antes disso, os investidores acompanham uma série de indicadores americanos, com destaque para a balança comercial de abril hoje, às 9h30. A expectativa é de déficit de US$ 55,5 bilhões, ligeiramente menor que o saldo negativo de US$ 56 bilhões registrado em março.
Também entram no radar as vendas de moradias existentes de maio, às 11h, e o leilão de T-notes de três anos, às 14h. Já à noite, a China divulga seu índice de preços ao consumidor (CPI) de maio.
No cenário corporativo, a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, protocolou de forma confidencial seu pedido de IPO nos Estados Unidos. Segundo a Reuters, a companhia busca uma avaliação de até US$ 1 trilhão e pode estrear na Bolsa já em setembro, intensificando a disputa com a rival Anthropic pela liderança da inteligência artificial.
Da China vieram sinais de resiliência da atividade externa. As exportações do país avançaram 19,4% em maio na comparação anual, acelerando frente aos 14,1% registrados em abril e superando com folga a expectativa de 12,8% do mercado.
Cenário nacional
No Brasil, o foco recai sobre o leilão de títulos do Tesouro, que ganha relevância após a recente abertura das curvas de juros e a reprecificação das apostas para a Selic. A operação, marcada para as 11h, será acompanhada de perto como um teste do apetite dos investidores em um ambiente ainda marcado por preocupações com inflação e política monetária. Serão ofertadas LFTs com vencimento em 2032 e NTN-Bs para 2031, 2037 e 2045.
Na agenda de autoridades, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, cumpre compromissos na China com dirigentes do Bank of China, do ICBC e do PBoC, em Xangai.
Em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista ao UOL às 11h e recebe representantes da Moody’s no fim do dia.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações
Destaques do mercado corporativo
- Banco do Brasil: estima movimentar cerca de R$ 850 milhões em propostas de financiamento durante a Bahia Farm Show, reforçando sua estratégia de ampliar a presença no agronegócio, um dos principais motores da carteira de crédito do banco.
- IRB(Re): iniciou os procedimentos regulatórios para expandir suas operações internacionais, com foco na obtenção de licenças e estruturação de presença nos mercados da Suíça e de Malta.
- Axia: concluiu sua migração para o Novo Mercado, segmento de mais alto nível de governança da B3, passando a negociar ações ordinárias sob o ticker AXIA3.
- Copasa: informou que foram cumpridas todas as condições previstas na operação que viabiliza a entrada de um novo acionista de referência em sua estrutura societária.
- Equatorial Energia: concluiu as exigências regulatórias e societárias necessárias para assumir a posição de acionista de referência da Copasa, fortalecendo sua presença no setor de infraestrutura.
- Brava Energia: recebeu aprovação dos debenturistas para prosseguir com a oferta pública de aquisição de ações (OPA) relacionada à reorganização societária decorrente da mudança de controle da companhia.











