A sessão desta quarta-feira (10) começa sob nova escalada das tensões no Oriente Médio, reacendendo a volatilidade nos mercados globais. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos (EUA) na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein, em resposta aos bombardeios americanos contra alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz.
O episódio amplia as incertezas sobre um possível acordo entre Washington e Teerã. Horas antes, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado que um entendimento poderia ser alcançado em “dois ou três dias”, declaração que pressionou os preços do petróleo. No entanto, a promessa de retaliação à derrubada de um helicóptero Apache americano em Ormuz reduziu parte das perdas da commodity. Segundo os militares americanos, a resposta incluiu ataques a sistemas de defesa aérea, radares e centros de comando iranianos, classificados por Washington como uma ação “proporcional”.
A nova troca de ataques ocorre poucos dias após confrontos entre Irã e Israel e reforça as dúvidas sobre a viabilidade de um acordo capaz de encerrar o conflito e garantir a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento global de petróleo.
O cenário também aumenta a cautela em relação às negociações diplomáticas. Enquanto Trump mantém o discurso de um acordo iminente, o vice-presidente JD Vance admitiu que as tratativas podem se estender até as eleições de meio de mandato nos EUA.
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Reportagens do New York Times indicam avanços em temas centrais do programa nuclear iraniano, mas autoridades de Teerã negam a existência de uma nova proposta formal apresentada aos americanos.
No Brasil, a escalada da guerra no Oriente Médio levou o governo a acelerar medidas para tentar conter os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação e os preços dos combustíveis. Em duas frentes, o Planalto busca reduzir o impacto do choque externo sobre a economia doméstica.
A Câmara dos Deputados pode votar ainda nesta quarta-feira o projeto que autoriza o uso da arrecadação extraordinária gerada pelo setor de petróleo para compensar reduções de tributos federais sobre combustíveis. A proposta, articulada pela Frente Parlamentar da Agropecuária, também prevê mecanismos para preservar a competitividade do etanol e do biodiesel diante das oscilações do mercado internacional.
Ao mesmo tempo, o governo destravou a proposta de elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%. A medida dependia do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ganhou tração após uma reunião entre o Planalto e representantes do setor sucroenergético. S
Segundo fontes ouvidas pelo Estadão, receios relacionados a possíveis impactos inflacionários vinham adiando a decisão, apesar de os testes técnicos já estarem concluídos há meses.
Com a disparada do petróleo e o aumento dos riscos para o abastecimento global, a avaliação do governo mudou. O aumento da participação do etanol passou a ser defendido como uma ferramenta para reduzir o custo médio da gasolina ao consumidor e diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pretende submeter a proposta ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em até 15 dias, com vigência inicial prevista para 180 dias.
Manchetes desta manhã
- Operação da PF mira fundo previdenciário de cidade do PE que investiu R$ 3 mi no Banco Master (Valor)
- IA pode elevar produtividade da América Latina em até 3,2% ao ano, diz Fórum Econômico Mundial (Folha)
- Genial/Quaest: Para 47%, Flávio influenciou decisão dos EUA de designar PCC e CV como terroristas (Estadão)
- Governo terá medidas para conter impactos se novo tarifaço de Trump se confirmar (O Globo)
Mercado global retoma cautela com nova escalada do conflito entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam em baixa, refletindo o sentimento de cautela após nova troca de ataques entre EUA e Irã.
Ao mesmo tempo, as atenções estão voltadas para os dados do CPI de maio nos EUA, indicando os impactos inflacionários da guerra na economia americana, além da decisão do BCE amanhã, com expectativa de elevação das taxas de juros na Zona do Euro.
Na Ásia, os índices fecharam em queda, impactados pela nova escalada militar no Oriente Médio, enquanto a recuperação das techs perdeu força. O Kospi (-4,52%) teve o pior desempenho atrelado às ações de semicondutores.
Na China e no Japão a sessão também foi de perdas com a repercussão de dados de inflação que aumentaram as preocupações sobre o impacto inflacionário da guerra no Oriente Médio.
Em Nova York, os índices futuros também operam em baixa com a nova escalada dos conflitos no Oriente Médio, após retaliação dos EUA contra o Irã à derrubada de um helicóptero no dia anterior.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,73%
- FTSE 100: +0,67%
- CAC 40: -0,74%
- Nikkei 225: -1,89%
- Shanghai SE Comp: -0,42%
- Hang Seng: -0,64%
- Ouro (jun): -2,68%, a US$ 4.171,60 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,04%, aos 100 pontos
- Bitcoin: -2,49% a US$ 61.022,8
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em alta, em uma sessão volátil, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que traz novas preocupações sobre a interrupção da oferta da commodity.
O movimento foi intensificado após militares americanos realizaram ataques ao Irã em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache próximo do Estreito de Ormuz e resposta do Irã com mísseis e drones contra bases militares dos EUA na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein.
O Brent/agosto avança 1,17%, cotado a US$ 92,52 e o WTI/julho sobe 1,37%, a US$ 89,41. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,51% em Dalian, na China, cotado a US$ 113,79/ton.
Segundo analistas da Nanhua Futures, os preços devem permanecer relativamente estáveis no curto prazo, refletindo um cenário de oferta global ainda abundante.
No cenário internacional, CPI dos EUA é o destaque do dia
Nos EUA, a atenção dos mercados nesta quarta-feira (10) está concentrada no CPI de maio, indicador que pode consolidar a recente reprecificação dos juros globais iniciada após o forte relatório de emprego (payroll). A expectativa é de aceleração da inflação americana.
A mediana das projeções coletadas pelo Broadcast aponta alta de 0,5% no índice cheio no mês, elevando a taxa anual de 3,8% para 4,2%, em meio ao impacto da disparada do petróleo e dos custos de energia provocados pela guerra no Oriente Médio. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, também deve mostrar pressão adicional, com avanço de 0,3% no mês e de 2,8% para 2,9% em 12 meses. O movimento reforçaria a percepção de que as pressões inflacionárias começam a se espalhar por outros setores da economia.
O dado ganha ainda mais relevância diante da crescente preocupação do Federal Reserve (Fed) com a inflação. Parte do mercado já passou a discutir a possibilidade de novas altas de juros caso os indicadores continuem surpreendendo para cima. A Capital Economics projeta duas elevações de 25 pontos-base neste ano, enquanto o Bank of America já não vê espaço para cortes nos juros em 2026.
Além do CPI, a agenda americana traz os estoques semanais de petróleo do Departamento de Energia (DOE), às 11h30, e o leilão de T-notes de 10 anos, às 14h. No mesmo horário da manhã, o Banco do Canadá anuncia sua decisão de política monetária.
Cenário nacional
No Brasil, o foco recai sobre a PEC 65, que amplia a autonomia administrativa, financeira e orçamentária do Banco Central. A proposta deve ser votada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, após o presidente do colegiado, Otto Alencar, afirmar que o texto não será retirado da pauta.
Nos bastidores, o BC já contaria com pelo menos 15 votos favoráveis na comissão, número suficiente para garantir a aprovação. Diante do avanço da proposta, o governo intensificou a articulação de uma alternativa que preserve o status de autarquia da instituição, mas com maior liberdade para administrar seus próprios recursos.
O relator da PEC, senador Plínio Valério, rejeita alterações no parecer e afirma que o governo teve tempo suficiente para negociar eventuais mudanças.
No cenário político, a pesquisa Quaest divulgada hoje mostra o presidente Lula mantendo a liderança na corrida presidencial de 2026. No primeiro turno, o petista aparece com 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro soma 29%.
Em eventual segundo turno, Lula registra 44%, contra 38% do parlamentar. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 eleitores entre os dias 5 e 8 de junho e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Destaques do mercado corporativo
- JBS: avalia que as restrições da União Europeia às carnes brasileiras podem gerar desequilíbrios no mercado de frango, mas trabalha para resolver o impasse antes da entrada em vigor das medidas, prevista para setembro.
- ANEEL: a diretoria decidiu, por unanimidade, pela homologação e adjudicação dos contratos no âmbito
- do leilão de reserva de capacidade, realizado em março deste ano.
- TOTVS: o Conselho aprovou a distribuição de R$ 104,3 milhões em juros sobre capital, equivalente a R$ 0,18
- por ação. Papel fica ex-JCP no dia 16. Pagamento será em 10 de julho.
- Iguatemi: o Conselho encerrou o programa de recompra de ações aberto em fevereiro de 2025 e aprova novo programa, para recompra de até 2,451 milhões de units, com prazo até dezembro de 2027.
- IRB Brasil Resseguros: a CVM adiou pela segunda vez o julgamento que apura a conduta de dois ex-diretores. O processo foi interrompido após um voto divergente que pediu multa de R$ 40 milhões a um dos acusados — diferindo da absolvição defendida pelo relator.











