A escalada militar entre Estados Unidos e Irã entra no segundo dia consecutivo nesta quinta-feira (11), aprofundando a crise no Oriente Médio e reduzindo as perspectivas de uma trégua no curto prazo. Enquanto os dois países mantêm ataques aéreos e o presidente Donald Trump ameaça novas ofensivas, canais diplomáticos seguem abertos: segundo a Reuters, autoridades americanas e iranianas intensificaram a troca de mensagens para definir os termos de um memorando após um entendimento político preliminar.
Apesar das tentativas de mediação lideradas pelo Catar, os avanços permanecem limitados. Ao longo da quarta-feira, diplomatas em Doha buscaram costurar uma saída negociada para o conflito, mas Teerã rejeitou participar de uma reunião trilateral e reiterou que não aceitará negociações sob pressão militar.
Mesmo diante da expectativa de uma eventual normalização dos mercados, analistas avaliam que o conflito deixou marcas duradouras nas projeções para o petróleo. A economista Laura Pitta, do Itaú, destaca que a guerra passou a embutir um prêmio de risco estrutural nas cotações da commodity, que deve permanecer mesmo em cenários de redução das tensões.
O banco projeta o barril de petróleo a US$ 85 até o fim de 2026 e a US$ 75 ao término de 2027. Antes do agravamento do conflito, as estimativas giravam entre US$ 50 e US$ 60, sustentadas pela perspectiva de excesso de oferta global.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
Em meio à divulgação de novos dados de inflação nos Estados Unidos, Trump afirmou que “ama” a inflação e disse acreditar que os preços ao consumidor “cairão como uma pedra” quando o conflito com o Irã chegar ao fim. O presidente também declarou que forças americanas realizaram operações para tomar “milhões de barris” de petróleo iraniano, atribuindo a essa ação parte da recente acomodação dos preços da commodity.
No Brasil, repercute a decisão do Senado na noite desta quarta-feira (10), de aprovar o projeto que cria mecanismos para a renegociação de dívidas rurais, em mais um revés para a equipe econômica. Segundo estimativas da Fazenda, a medida pode gerar impacto fiscal de até R$ 120 bilhões até 2027. O texto prevê a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes para financiar operações de renegociação de débitos do setor agropecuário.
A aprovação ocorreu sob forte pressão do agronegócio, que defendia a implementação da medida antes do lançamento do Plano Safra 2026/27, marcado para 1º de julho. O setor argumenta que a iniciativa pode aliviar a situação financeira de produtores afetados por perdas recorrentes de safra e pela elevação dos custos de produção.
Já a equipe econômica tentou restringir o alcance do programa, limitando os benefícios a produtores impactados por eventos climáticos ou dificuldades econômicas específicas. O principal obstáculo apontado pelo governo é o risco fiscal: cálculos da Fazenda indicam que o custo potencial da medida pode chegar a R$ 817 bilhões ao longo de 13 anos, dependendo do nível de adesão.
Como sofreu alterações durante a tramitação no Senado, o projeto retorna agora à Câmara dos Deputados. O Planalto pretende continuar negociando mudanças no texto e já avalia vetar dispositivos considerados problemáticos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ainda que o governo não descarta recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso a versão final da proposta contrarie regras da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Manchetes desta manhã
- Interesse de investidor estrangeiro reforça ofertas de aquisição (Valor)
- Brasileiros podem investir no IPO da SpaceX, que ocorre nesta sexta (Folhainvest)
- Lula deve se reunir com líderes da França e do Japão no G-7; Trump e UE são incertezas (Estadão)
- Equipe econômica vai insistir em mudar texto da PEC da autonomia do BC no plenário do Senado (O Globo)
- STF pode declarar inconstitucionais ‘pautas-bomba’ aprovadas pelo Congresso, diz Gilmar Mendes (Valor)
Mercado global retoma cautela com nova escalada do conflito entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam em alta, enquanto o mercado aguarda a decisão de política monetária do BCE, logo mais, com expectativa de aumento de 0,25 pp, elevando a taxa de juros para 2,25% ao ano, em um cenário ainda instável com o choque de preços de energia provocado pela guerra no Oriente Médio.
Na Ásia, os mercados fecharam mistos em meio à recuperação das ações de tecnologia, mas com ganhos limitados pela persistente incerteza geopolítica após os EUA lançarem novos ataques contra o Irã.
No mercado japonês, há expectativa de que o BoJ aumente os juros na próxima semana, diante da alta dos custos de energia ligados ao conflito no Oriente Médio.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta nesta quinta-feira, após Washington anunciar que encerrou os ataques contra o Irã, sinalizando que as negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz podem ser retomadas.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,61%
- FTSE 100: +0,91%
- CAC 40: +0,95%
- Nikkei 225: +0,06%
- Shanghai SE Comp: -0,16%
- Hang Seng: -0,65%
- Ouro (jun): -1,21%, a US$ 4.083,17 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,17%, aos 100,20 pontos
- Bitcoin: +1,66% a US$ 62.597,6
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam nesta quinta-feira, apagando os ganhos registrados mais cedo, em meio aos ataques dos EUA ao Irã, que seguem pelo segundo dia consecutivo.
A escalada das tensões no Oriente Médio aumentou as preocupações quanto ao fornecimento da commodity, depois que o comando militar iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz após a nova ofensiva americana. Entretanto, já há relatos de que um número crescente de petroleiros voltou a navegar pela região.
O Brent/agosto cai 1,06%, cotado a US$ 92,11 e o WTI/julho recua 0,99%, a US$ 89,14. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,46% em Dalian, na China, cotado a US$ 112,72/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda econômica destaca a divulgação do PPI de maio às 9h30. Depois de o CPI ter vindo em linha com as expectativas, ontem, investidores buscam novos sinais sobre o comportamento da inflação e seus impactos sobre os próximos passos do Federal Reserve.
O BTG Pactual espera que o PPI de maio seja mais moderado após leituras muito fortes em abril, com atenção especial aos componentes de serviços de saúde, gestão de portfólio e transporte.
Os mercados globais voltam suas atenções nesta quinta-feira para a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que elevou os juros da zona do euro em 0,25 ponto percentual, em linha com as expectativas. A autoridade monetária aumentou a taxa de depósito para 2,25%, a principal taxa de refinanciamento para 2,40% e a taxa de empréstimo para 2,65%, reforçando a cautela diante das novas pressões inflacionárias provocadas pela guerra no Oriente Médio.
O BCE também revisou suas projeções econômicas e passou a prever crescimento de 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028. Para a inflação, as estimativas apontam para taxas de 3,0%, 2,3% e 2,0%, respectivamente. A instituição destacou que a escalada do conflito na região tem elevado os custos de energia e ampliado os riscos para a atividade econômica, embora o impacto final dependa da intensidade e da duração do choque nos preços do petróleo.
Em Wall Street, os holofotes se voltam para a aguardada estreia da SpaceX na bolsa. Após o encerramento do período de reservas, a companhia de Elon Musk deve definir ainda hoje o preço de suas ações, com o início das negociações previsto para sexta-feira.
A operação já desponta como uma das mais disputadas dos últimos anos. Segundo a Reuters, a empresa pretende captar cerca de US$ 75 bilhões, mas os pedidos de compra ultrapassaram US$ 250 bilhões, mais de três vezes o volume ofertado, evidenciando o forte apetite dos investidores pela companhia aeroespacial.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica começa às 9h, com a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de abril pelo IBGE. A mediana das projeções do mercado aponta para avanço de 0,6% no volume de serviços, após a retração de 1,2% registrada em março.
O indicador é acompanhado de perto por investidores por oferecer sinais relevantes sobre o ritmo da atividade econômica no início do segundo trimestre, especialmente em um cenário de juros elevados e desaceleração gradual do consumo.
Também no radar do mercado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, retorna nesta quinta-feira da viagem oficial à China. O desembarque ocorre a poucos dias da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em um momento de aumento das incertezas externas e de reavaliação das perspectivas para a inflação doméstica.
Em meio às discussões sobre a autonomia financeira do Banco Central, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, defendeu a necessidade de preservar uma autoridade monetária “forte, técnica e independente”.
Durante reunião do Conselhão, Sidney afirmou que o ambiente global se tornou mais desafiador diante da combinação de tensões geopolíticas, inflação mais elevada e menor previsibilidade econômica. Segundo ele, esse cenário exige instituições sólidas e maior coordenação entre os setores público e privado para enfrentar choques externos e preservar a estabilidade econômica.
Destaques do mercado corporativo
- Itaú: emitiu Letras Financeiras Subordinadas Perpétuas no montante de R$ 3 bilhões. As Letras têm opção de recompra a partir de 2031 sujeita à autorização prévia do Banco Central.
- Axia Energia: concluiu a cessão dos créditos que possuía contra a Amazonas Energia, no total de R$ 554,1 milhões. Operação prevê opção de compra de fatia minoritária na distribuidora, que poderá ser exercida ou cedida a terceiros.
- Cemig: pagará no dia 30 a primeira parcela de proventos relativos a 2025, que totalizam R$ 1,548 bilhão, ou R$ 0,5411 por ação.
- Rede D’Or: encerrou terceiro programa de recompra, com aquisição de 14,725 milhões de ações, ao custo médio de R$ 36,64. Conselho aprovou um novo programa de recompra, de até 30 milhões de ações, pelo período de um ano.
- Engie Brasil: aprovou a realização de uma oferta pública primária de ações, com potencial captação de recursos e reorganização de ativos. A operação prevê que a controladora Engie Brasil Participações possa subscrever ações por meio da transferência de 40% do capital da Jirau Energia.











