As expectativas em torno de um acordo entre Estados Unidos e Irã ganham força nesta terça-feira (16), após autoridades americanas confirmarem que o memorando de entendimento já foi assinado eletronicamente. A formalização oficial está prevista para sexta-feira (19), em Genebra, aumentando a confiança dos mercados em uma redução duradoura das tensões no Oriente Médio.
O entendimento prevê uma trégua inicial de 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início das negociações sobre o programa nuclear iraniano. Mesmo antes da assinatura definitiva, o anúncio foi suficiente para provocar forte queda nos preços do petróleo, reduzir os prêmios de risco globais e impulsionar o apetite por ativos de maior risco.
Os investidores passaram a tratar a retomada das operações em Ormuz como o cenário mais provável. Ainda assim, persistem dúvidas sobre a velocidade dessa normalização. Enquanto autoridades americanas falam em um aumento gradual do fluxo de embarcações nas próximas semanas, governos europeus alertam que operações de desminagem e reforço da segurança podem retardar a plena reabertura da rota.
Instituições financeiras avaliam que a tendência para o petróleo é de acomodação. O Citi projeta o Brent em US$ 75 por barril no terceiro trimestre e em US$ 70 no fim do ano. Já a Lombard Odier mantém estimativa de US$ 78 para os próximos 12 meses.
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No Brasil, o avanço das negociações entre Washington e Teerã também fortaleceu as expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promoverá mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira (17), levando a taxa básica de juros de 14,5% para 14,25% ao ano.
A combinação de petróleo mais barato, recuo dos juros futuros e redução dos prêmios de risco globais ajudou a consolidar esse cenário, que chegou a ser colocado em dúvida na semana passada diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
Segundo economistas ouvidos pelo Broadcast, este deverá ser o último ou, no máximo, o penúltimo corte consecutivo do atual ciclo de flexibilização monetária. A avaliação reflete a deterioração das expectativas de inflação, a resistência da atividade econômica e a força do mercado de trabalho.
A tendência é que o Banco Central mantenha a possibilidade de novos ajustes, mas adote uma comunicação mais cautelosa, sinalizando que o espaço para reduções adicionais dos juros ficou mais limitado.
Na avaliação do Santander, a combinação de inflação elevada, atividade resiliente e mercado de trabalho aquecido continua impondo desafios à condução da política monetária. Por isso, o banco espera que o Copom preserve flexibilidade para as próximas reuniões e reforce que suas decisões seguirão condicionadas à evolução dos indicadores econômicos.
Manchetes desta manhã
- Fim de auxílio a combustível entra no radar de governo Lula, após acordo EUA-Irã (Valor)
- Mercosul e Japão podem iniciar negociação para acordo de livre comércio, diz Lula (Folha)
- Oferta de ações da Brava é suspensa após CVM pedir ajustes à Ecopetrol (Estadão)
- Acordo entre EUA e Irã turbina fortuna dos ricaços em US$ 336 bilhões em um único dia (O Globo)
- Acordo para o fim da guerra no Oriente Médio leva governo Lula a prever alívio na inflação e nos juros (O Globo)
Mercado global segue na expectativa por acordo entre EUA e Irã
As bolsas da Europa avançam sustentadas pela expectativa de acordo oficial entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Na Alemanha, o índice ZEW superou as projeções e voltou ao terreno positivo pela primeira vez desde o início da guerra.
No cenário corporativo, o banco italiano UniCredit subiu quase 4%, após o governo alemão rejeitar sua proposta para ampliar participação no Commerzbank, que também operava em alta.
Na Ásia, as bolsas fecharam mistas, com o Nikkei superando pela primeira vez a marca de 70 mil pontos após o Banco do Japão elevar os juros, enquanto a Coreia do Sul avançou mais de 2% puxada pelas ações de semicondutores.
Na China, os índices fecharam sem direção única após dados reforçarem sinais de desaceleração econômica e fraqueza do consumo interno.
Em Nova York, os índices futuros operam em leve alta após o acordo de paz entre EUA e Irã impulsionar o Dow Jones a um fechamento recorde. As atenções dos investidores agora se voltam para a primeira reunião do Federal Reserve (Fed) sob o comando de Kevin Warsh.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,04%
- FTSE 100: +0,50%
- CAC 40: +0,65%
- Nikkei 225: +0,13%
- Shanghai SE Comp: -0,11%
- Hang Seng: -1,40%
- Ouro (jun): +0,30%, a US$ 4.364,47 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,01%, aos 99,66 pontos
- Bitcoin: +0,03% a US$ 66.583,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros seguem em queda e voltam para a faixa dos US$ 80 por barril, refletindo o acordo preliminar entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Apesar do recuo recente, a commodity ainda acumula valorização de cerca de 15% desde o início da guerra, impulsionada pelas restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz.
O Brent/agosto cede 2,52%, negociado a US$ 83,17 e o WTI/julho cai 2,98%, a US$ 80,75. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,85% em Dalian, na China, cotado a US$ 112,79/ton.
Segundo análise da Nanhua Futures, a oferta global de minério de ferro segue elevada, enquanto a desaceleração da demanda por aço aumenta as expectativas de cortes na produção das siderúrgicas.
Cenário internacional
Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) dá início à sua reunião de política monetária, cuja decisão será anunciada na quarta-feira. Além da definição dos juros, o foco estará no comunicado do FOMC, nas projeções econômicas atualizadas e na coletiva de imprensa de Kevin Warsh, que fará sua estreia no comando da autoridade monetária. A expectativa majoritária do mercado é de manutenção da taxa básica na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
No cenário internacional, as atenções também se voltam para o segundo dia da cúpula do G7, na França. A reunião ocorre sob o impacto do acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Durante a abertura do encontro, o presidente Donald Trump anunciou a assinatura do memorando de entendimento entre os dois países, com cerimônia oficial prevista para sexta-feira (19). Trump afirmou ainda que, após avançar na frente diplomática com o Irã, pretende direcionar esforços para buscar soluções negociadas para os conflitos na Ucrânia e no Líbano.
Cenário nacional de olho em possível ajuste da Selic
No Brasil, o principal destaque da agenda econômica é a divulgação dos dados de vendas no varejo. O setor registrou queda de 1,5% em abril na série com ajuste sazonal, revertendo a alta de 0,5% observada no mês anterior. Apesar do recuo na margem, as vendas avançaram 1% na comparação com abril do ano passado.
A política monetária doméstica também estará no centro das atenções. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os demais diretores da instituição iniciam nesta terça-feira o primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir o rumo da Selic. A decisão será divulgada nesta quarta-feira e ocorre em meio ao fortalecimento das apostas de um novo corte de juros.
No campo político, a semana será marcada por uma nova rodada de pesquisas sobre a corrida presidencial de 2026. Os levantamentos da CNT/MDA, 100% Cidades e American Analytics serão divulgados nesta terça-feira, enquanto o Datafolha publicará seus números na sexta-feira, ampliando o termômetro sobre o cenário eleitoral.
Já na esfera jurídica, permanece no radar o julgamento da ação penal contra Eduardo Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes manteve para esta terça-feira a análise do caso, no qual o deputado é acusado de coação no curso do processo relacionado às investigações sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Destaques do mercado corporativo
- Braskem: Justiça Federal de Alagoas aceita denúncia do MPF e torna petroquímica ré em ação penal sobre afundamento de cinco bairros em Maceió.
- Itaúsa: o Conselho aprovou o pagamento de juros sobre capital de R$ 1,547 bilhão, equivalente a R$ 0,138 brutos por ação. Pagamento será até 31/8. Ação fica ex-JCP em 19/6.
- Sabesp: Claudio Kawa Hermolin assumirá nova Diretoria de Experiência do Cliente. Débora Pierini Longo deixará a Diretora de Operação e Manutenção para liderar o projeto de implantação do Centro de Operações Integradas (COI).
- Compass: distribuirá R$ 405,542 milhões em dividendos, ou R$ 0,56783 por ação. Pagamento será feito no dia 29 de junho. Ações estão ex-dividendo desde 5 de maio.
- Gerdau: assinou contrato com a Copel para comprar 23,03% da Dona Francisca Energética por R$ 150 milhões, usina hidrelétrica de 125 MW no RS. A operação está sujeita à aprovação do Cade.
- CSN: iniciou venda de ativos de infraestrutura (terminais portuários, participação na MRS e Tora Logística) e está nas fases finais para vender participação majoritária na CSN Cimentos, visando reduzir alavancagem.











