Nesta superquarta os mercados dividem atenção entre as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom), em um cenário ainda marcado pelos desdobramentos do acordo entre Estados Unidos e Irã e pelos impactos da recente queda do petróleo sobre as perspectivas de inflação.
Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75% na primeira reunião comandada por Kevin Warsh. O acordo iminente para o fim do conflito no Oriente Médio reduz parte da pressão inflacionária associada ao risco energético, criando um ambiente mais favorável para a estreia do novo presidente do Fed do que o observado há apenas uma semana.
Com a decisão amplamente precificada, o mercado concentra atenções nas projeções econômicas, no gráfico de pontos (dot plot) e, principalmente, na coletiva de Warsh, logo após a divulgação da decisão sobre os juros. O Fed segue diante do desafio de interpretar sinais mistos da economia: a inflação ao consumidor desacelerou em maio, mas os preços ao produtor surpreenderam para cima, enquanto o mercado de trabalho continua demonstrando resiliência.
Embora a recente queda do petróleo tenha reduzido os riscos inflacionários de curto prazo, parte dos analistas avalia que os efeitos das tarifas comerciais e das tensões geopolíticas ainda podem manter a inflação acima da meta por mais tempo.
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Nesse cenário, prevalece a avaliação de que Warsh adotará uma postura cautelosa em sua estreia, mantendo a estratégia de “esperar para ver”. O Goldman Sachs, inclusive, adiou para 2027 sua projeção para os próximos cortes de juros nos EUA.
No Brasil, o mercado aposta em uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Mais do que a decisão em si, o foco estará na mensagem do Copom sobre os próximos passos da política monetária.
Antes do anúncio, os investidores acompanham o IBC-Br de abril, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é de alta de 0,6%, após a queda de 0,67% em março, refletindo a recuperação dos serviços e da indústria, parcialmente compensada pelo enfraquecimento do varejo.
O principal suspense, porém, está no comunicado do Banco Central. Ganha força entre economistas a avaliação de que a autoridade monetária poderá sinalizar uma pausa no ciclo de flexibilização, diante da inflação ainda pressionada, da atividade econômica resiliente e do aumento das incertezas fiscais às vésperas da corrida eleitoral de 2026.
Manchetes desta manhã
- Pagamento de dividendos cai 27% após início de tributação (Valor)
- China defende reforma da ONU e diz que não permitirá ‘punho mais forte’ dando as cartas (Folha)
- Bitcoin hoje cai à espera da primeira decisão do Fed com indicado de Trump (Estadão)
- Reservas de petróleo dos países da OCDE atingem o menor nível desde 1990 (O Globo)
- IG4 faz aposta elevada para comandar Braskem e ter ativos da Raízen (Valor)
Mercado global avança na expectativa por decisão sobre os juros
As bolsas da Europa operam próximas da estabilidade, com investidores à espera da decisão do Fed.
Entre os destaques locais, a BMW cai 6,66% após reduzir sua projeção de lucro para o ano, citando a fraqueza da demanda na China e os impactos da guerra no Oriente Médio.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, com o Nikkei próximo das máximas históricas, impulsionado pelas ações de tecnologia.
No Japão, o forte desempenho das exportações de eletrônicos e semicondutores ligados à inteligência artificial ajudou a reduzir o déficit comercial de maio, embora a cautela antes da decisão de juros do Fed tenha limitado ganhos mais expressivos.
Em Nova York, os índices futuros operam em leve alta, enquanto investidores aguardam a decisão sobre os juros do Fed. A expectativa é de manutenção da taxa na faixa de 3,5% a 3,75%, na primeira reunião comandada por Kevin Warsh.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,13%
- FTSE 100: -0,03%
- CAC 40: +0,34%
- Nikkei 225: +0,72%
- Shanghai SE Comp: +0,4%
- Hang Seng: -0,74%
- Ouro (jun): -0,25%, a US$ 4.343,30 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,08%, aos 99,64 pontos
- Bitcoin: -2,55% a US$ 64.734,4
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros sobem levemente nesta quarta-feira, mas seguem abaixo de US$ 80 o barril, após a forte correção dos preços da commodity diante do anúncio do acordo preliminar entre EUA e Irã e pela expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz.
Apesar do otimismo, analistas avaliam que a normalização da oferta deve ser gradual, enquanto a AIE projeta forte recuperação da demanda e da produção da commodity em 2027.
O Brent/agosto avança 0,06%, cotado a US$ 79,01, enquanto o WTI/julho sobe 0,25%, a US$ 76,24. - Minério de ferro: fechou em queda de 2,61% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 110,60/ton, pressionado pela nova queda da produção de aço no país.
Em maio, a produção chinesa de aço bruto caiu 2,7% na comparação anual, para 84,35 milhões de toneladas, acumulando retração de 3,9% no ano. Além da demanda mais fraca, o acordo entre Estados Unidos e Irã reduziu os temores de aumento dos custos de produção ligados ao conflito no Oriente Médio, retirando um dos principais fatores que vinham sustentando os preços da commodity.
Cenário internacional divide atenção entre geopolítica e decisão sobre os juros
Os mercados seguem apostando no fim da guerra entre Estados Unidos e Irã, mas os termos do acordo que será assinado na sexta-feira (19), na Suíça, continuam envoltos em sigilo. Segundo a Bloomberg, o texto prevê a retomada imediata das exportações iranianas de petróleo e derivados, acesso gradual a ativos atualmente congelados e um plano de investimentos de pelo menos US$ 300 bilhões para impulsionar a recuperação econômica do país.
Em contrapartida, Teerã reafirmaria o compromisso de não desenvolver armas nucleares e de garantir a livre navegação pelo Estreito de Ormuz, embora o destino de seu estoque de urânio enriquecido permaneça pendente para uma próxima rodada de negociações.
Na agenda econômica, as atenções se concentram na superquarta de decisões de juros. O mercado aguarda os anúncios do Federal Reserve. A coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh, e o comunicado do Banco Central devem balizar as expectativas para os juros nos próximos meses.
Antes disso, investidores monitoram os dados de vendas no varejo dos Estados Unidos e os números semanais dos estoques de petróleo.
Na Europa, o destaque fica para os índices de inflação do Reino Unido e da zona do euro, enquanto a cúpula do G7, na França, segue debatendo os desdobramentos do acordo entre Washington e Teerã e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Cenário nacional
No campo diplomático, o governo brasileiro aproveitou a reunião do G7 para elevar o tom das negociações com a União Europeia. Em encontro com Ursula von der Leyen e António Costa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu a criação de um canal permanente de diálogo entre o Itamaraty e a Comissão Europeia para discutir as restrições impostas às exportações brasileiras de carne e aço.
O principal objetivo é reverter a exclusão do Brasil da lista de fornecedores de produtos de origem animal antes da entrada em vigor da medida, prevista para setembro. Bruxelas cobra garantias adicionais sobre o uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.
No setor siderúrgico, o governo também busca flexibilizar as novas barreiras comerciais anunciadas pelo bloco. Embora sem avanços concretos até o momento, diplomatas avaliam que a abertura formal das negociações no mais alto nível político europeu representa um passo relevante para destravar as discussões nas próximas semanas.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: receberá R$ 740 milhões da ANP referentes ao programa de subsídio ao diesel implementado entre 12 e 31 de março.
- WEG: aprovou distribuição de R$ 438,1 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,08615 por ação, com pagamento até março de 2027.
- B3: o volume médio diário negociado no mercado de ações atingiu R$ 31,6 bilhões em maio, alta de 16,8% em relação a maio de 2025.
- Telefônica Brasil: aprovou a incorporação da Fibrasil, absorvendo patrimônio líquido de R$ 812,6 milhões.
- Cury: captará R$ 500 milhões por meio da sua sétima emissão de debêntures, reforçando a estrutura de capital para expansão dos negócios.
- BRB: reiterou que ainda não há data definida para divulgação do balanço de 2025, que permanece condicionado à conclusão da auditoria independente.











