Os mercados iniciam a sessão desta quinta-feira (18) repercutindo o acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, quatro meses após o início do conflito que também envolveu Israel. O memorando de entendimento, já em vigor, reduz os riscos geopolíticos na região e reforça a expectativa de normalização do fluxo de petróleo.
Segundo o Axios, Washington e Teerã anteciparam a assinatura do memorando de entendimento para acelerar sua implementação e viabilizar a reabertura gradual do Estreito de Ormuz. Nesta sexta-feira (19), representantes dos dois países, além dos mediadores Paquistão e Catar, se reúnem em Bürgenstock, na Suíça, para iniciar as negociações sobre a aplicação do acordo, confirmou o governo suíço.
O documento, composto por 14 pontos, determina o cessar-fogo imediato e estabelece uma janela de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear iraniano e o alívio das sanções americanas.
O texto também prevê a criação de um fundo de US$ 300 bilhões voltado à reconstrução e ao desenvolvimento econômico do Irã. Em contrapartida, Teerã se compromete a garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos suspendem o bloqueio naval a portos iranianos.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
No Brasil, o mercado monitora a escalada das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a cúpula do G7 terminou com uma troca pública de críticas que expôs divergências sobre democracia, soberania e o cenário político brasileiro.
Após ser ouvido por microfone aberto classificando Trump como um “imperador”, Lula respondeu às declarações do presidente americano sobre a política nacional e defendeu o sistema eleitoral brasileiro. Trump, por sua vez, afirmou que o País atravessa um momento “perigoso politicamente” e comentou a situação da família Bolsonaro. O episódio esfriou as expectativas de aproximação entre Brasília e Washington justamente em meio a negociações comerciais consideradas estratégicas.
Em meio ao desgaste com os Estados Unidos, o Brasil avançou em outra frente estratégica. Durante a cúpula do G7, Lula e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, anunciaram o início das negociações para um acordo de parceria comercial entre o Japão e o Mercosul.
A iniciativa busca ampliar o fluxo de comércio e investimentos, com foco em automóveis, autopeças e produtos agropecuários, além de fortalecer a cooperação em áreas consideradas críticas, como minerais estratégicos, petróleo e outras matérias-primas essenciais para a transição energética.
Manchetes desta manhã
- Primeiros petroleiros atravessam Ormuz após acordo entre EUA e Irã (Valor)
- PF mira Jaques Wagner, líder do governo Lula, em nova fase de operação sobre Banco Master (Folha)
- Ouro tomba com pressão do Fed e deixa acordo EUA-Irã em segundo plano (Estadão)
- Petróleo se aproxima de cotação pré-guerra, após Trump firmar acordo com Irã ( O Globo)
- Com divisão da Raízen, 2 gestoras especializadas devem ficar com ações de credores (Valor)
Mercado global avança com acordo entre EUA e Irã
Na Ásia, os mercados tiveram desempenho misto, com destaque para o Nikkei e o Kospi renovando recordes após o acordo entre EUA e Irã e impulsionados por ações de semicondutores e IA.
No noticiário local, o BC da República da China, autoridade monetária de Taiwan, manteve os juros em 2%, em linha com as expectativas.
Já as bolsas da Europa abriram a sessão com desempenho misto nesta quinta-feira, com investidores repercutindo o tom mais duro do Fed sob a liderança de Kevin Warsh e agora operam em baixa após a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de manter os juros em 3,75%.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta, impulsionados pelo acordo preliminar firmado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar o conflito com o Irã. A perspectiva de menor tensão geopolítica também pressiona o petróleo para baixo.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,65%
- FTSE 100: -1,04%
- CAC 40: -0,11%
- Nikkei 225: +1,65%
- Shanghai SE Comp: -0,43%
- Hang Seng: -1,59%
- Ouro (jun): -2,42%, a US$ 4.275,47 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,26%, aos 100,65 pontos
- Bitcoin: -1,33% a US$ 64.164,3
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros do petróleo recuam nesta quinta-feira (18), refletindo o acordo provisório de paz entre EUA e Irã. A expectativa é de que a redução das tensões geopolíticas favoreça o aumento da oferta da commodity e diminua as pressões sobre o mercado global de energia.
O Brent/agosto cede 1,33%, cotado a US$ 78,46 e o WTI/julho cai 1,90%, a US$ 75,33. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,13% em Dalian, na China, cotado a US$ 110,33/ton.
Segundo análise da ANZ Research, o aumento dos embarques de minério pelo porto ligado à mina de Simandou, na Guiné, já pressionava os preços da commodity. O movimento ganhou força nesta semana após dados fracos da economia chinesa e o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que derrubou as cotações do petróleo e retirou um importante suporte ao minério de ferro.
Cenário internacional
Nos EUA, a primeira decisão de política monetária sob o comando de Kavin Warsh no Federal Reserve (Fed) desencadeou uma forte reprecificação das apostas para os juros nos Estados Unidos. Embora a taxa básica tenha sido mantida entre 3,5% e 3,75%, o mercado interpretou o conjunto da mensagem como mais duro, diante de projeções de inflação mais elevadas e da sinalização de que os cortes podem demorar mais a ocorrer.
O Fed revisou para cima suas estimativas inflacionárias para os próximos anos, com destaque para o núcleo do PCE de 2026, que saltou de 2,7% para 3,3%. A avaliação dos dirigentes é de que a economia americana segue resiliente, o mercado de trabalho permanece equilibrado e as pressões sobre os preços continuam persistentes, justificando uma postura mais cautelosa.
O novo gráfico de projeções reforçou essa mudança de tom. Nove dirigentes passaram a defender pelo menos uma alta de juros ainda em 2026, enquanto oito apostam na manutenção das taxas e apenas um integrante vê espaço para cortes.
A reação foi imediata: o S&P 500 caiu 1,2%, registrando o pior desempenho em um primeiro “Fed Day” de um novo presidente da autoridade monetária desde 1994.
Cenário nacional
No Brasil, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas surpreendeu ao evitar qualquer indicação de que o ciclo de flexibilização monetária esteja próximo do fim. Apesar do corte, o comunicado adotou um tom mais cauteloso ao destacar a força da atividade econômica, a resiliência do mercado de trabalho, a deterioração das expectativas de inflação e os riscos externos associados ao conflito no Oriente Médio.
O Banco Central elevou de 3,5% para 3,7% sua projeção para o IPCA no quarto trimestre de 2027, ampliou o balanço de riscos inflacionários e passou a destacar, entre as ameaças, estímulos ao consumo capazes de manter a economia crescendo acima do potencial e reduzir a eficácia da política monetária.
A principal novidade, porém, foi a sinalização de uma extensão do horizonte relevante da política monetária para o início de 2028. Ao reconhecer um cenário inflacionário mais desafiador, mas sem fechar a porta para novos cortes da Selic, o BC preservou flexibilidade para continuar o ciclo de afrouxamento, desde que a convergência da inflação à meta ocorra de forma mais gradual e com menor custo para a atividade econômica.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: recebeu R$ 752 milhões referentes à primeira parcela da subvenção econômica do diesel relativa ao período entre 12 e 31 de março.
- Allos: aprovou R$ 438 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 0,2919 por ação, com pagamentos distribuídos entre julho e setembro.
- TIM Brasil: anunciou R$ 400 milhões em JCP, correspondentes a R$ 0,167457 por ação, com pagamento previsto até 22 de julho.
- Randoncorp: o Goldman Sachs reduziu sua participação acionária nas ações preferenciais da companhia de 5,03% para 4,91%.
- Ultrapar: o conselho de administração aprovou programa de recompra de até 18 milhões de ações ordinárias, com duração de 12 meses a partir de 18 de junho de 2026.











