As negociações entre Estados Unidos (EUA) e Irã deram um primeiro passo rumo a um possível acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio, mas a cautela ainda domina os mercados. Após a primeira rodada de conversas na Suíça, encerrada na madrugada desta segunda-feira (22), os mediadores Paquistão e Catar afirmaram que houve “avanços encorajadores” e que as partes estabeleceram um roteiro para buscar um entendimento definitivo em até 60 dias.
O avanço ocorre em meio a um cenário ainda marcado por tensões no Oriente Médio. Teerã voltou a restringir o Estreito de Ormuz no fim de semana, enquanto o presidente americano Donald Trump manteve a ameaça de retomar ataques contra o Irã. Apesar disso, os negociadores afirmaram ter criado mecanismos para reduzir os confrontos entre Israel e o Hezbollah, no Líbano, além de uma linha de comunicação para garantir a segurança da navegação comercial em uma das principais rotas globais de petróleo e gás.
As conversas técnicas devem continuar ao longo da semana no resort de Buergenstock, na Suíça. Segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, Teerã teria obtido avanços envolvendo isenções para exportações de petróleo e petroquímicos, liberação de ativos congelados e um plano de reconstrução econômica para o país.
A perspectiva de menor risco de interrupção no fornecimento global de energia pressionou os preços do petróleo. O Brent, referência internacional, era negociado abaixo dos US$ 80 por barril nesta manhã, refletindo o alívio dos investidores com a possibilidade de uma solução diplomática.
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No Brasil, o foco do mercado se volta para os próximos sinais do Banco Central após a decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. A ata da reunião, prevista para esta terça-feira (23), e o Relatório de Política Monetária (RPM), previsto para quinta-feira (25), são aguardados como peças-chave para esclarecer a estratégia da autoridade monetária.
Embora o corte já fosse amplamente esperado, a comunicação do BC gerou desconforto entre investidores, que interpretaram a mensagem como uma possível abertura para novos cortes de juros, mesmo diante de inflação acima da meta, expectativas ainda desancoradas e uma atividade econômica resistente.
Desde a decisão, os juros futuros registraram quatro sessões consecutivas de alta, com alguns contratos voltando a se aproximar de 15%, enquanto o mercado tenta entender qual será o próximo movimento do Copom.
A expectativa agora é que a ata e o RPM tragam mais clareza sobre os cenários avaliados pelo Banco Central para a trajetória da Selic. Na quinta-feira, investidores também acompanham a coletiva de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti em busca de novas sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.
Manchetes desta manhã
- Tarifaço leva exportações para EUA ao menor nível em 30 anos (Valor)
- Governo vai criar cargos na CVM e pedirá ao STF flexibilização de uso dos recursos do Tesouro (Folha)
- SpaceX cai pelo terceiro pregão seguido enquanto Intel dispara com apoio de Trump à Apple (Estadão)
- Crédito consignado privado completa um ano com queda de 73% nos valores tomados por trabalhadores (O Globo)
- Recuperação judicial do Grupo KWA é suspensa por suspeita de fraude (Valor)
Mercado global segue de olho em acordo entre EUA e Irã
As bolsas da Europa apresentam desempenho misto, com os investidores dividindo atenções entre os avanços nas negociações entre EUA e Irã e a turbulência política no Reino Unido após a renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer.
O movimento abre caminho para que o país tenha seu sétimo chefe de governo em pouco mais de uma década, com Andy Burnham apontado como principal candidato à liderança do Partido Trabalhista.
Na Ásia, a maioria dos índices encerrou a sessão em alta, impulsionada pelo forte desempenho de ações ligadas à inteligência artificial, que superaram as preocupações com tensões geopolíticas e juros elevados.
No mercado japonês, destaque para o SoftBank Group, com forte foco em IA, subiu 1,87%, enquanto a fabricante de equipamentos para chips Tokyo Electron avançou 3,24% e a SK Hynix, produtora de chips de memória, saltou 5,61%.
Em Nova York, os índices futuros operam majoritariamente em baixa, com o mercado acompanhando os avanços nas negociações entre EUA e Irã e à espera de novos dados de inflação nos EUA.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,13%
- FTSE 100: +0,39%
- CAC 40: -0,47%
- Nikkei 225: +1,55%
- Shanghai SE Comp: +1,78%
- Hang Seng: -0,65%
- Ouro (jun): -0,47%, a US$ 4.225,75 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,02%, aos 100,87 pontos
- Bitcoin: -0,88% a US$ 64.757,3
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam nesta segunda-feira, negociados abaixo de US$ 80 por barril, após avanços nas negociações entre EUA e Irã, que estabeleceram um roteiro para um possível acordo em até 60 dias.
Apesar do alívio, persistem as tensões no Oriente Médio após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz no fim de semana.
O Brent/agosto cai 2,22%, negociado a US$ 78,78 e o WTI/agosto recua 1,24%, a US$ 74,91. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,87% em Dalian, na China,cotado a (US$ 109,13/ton.
Segundo analistas da Baocheng Futures, a produção estável das siderúrgicas chinesas mantém o consumo de minério de ferro em níveis firmes, dando suporte aos preços da commodity. No entanto, a desaceleração sazonal do mercado de aço já começa a pesar, limitando uma recuperação mais forte da demanda.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda ganha destaque com a divulgação, na quinta-feira (26), do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal referência de inflação acompanhada pelo Federal Reserve. O dado será monitorado de perto pelos investidores após a postura mais dura adotada pelo Banco Central americano em sua última reunião, reforçando a cautela sobre o ritmo de cortes de juros.
Além do PCE, o calendário americano traz dados de pedidos semanais de auxílio-desemprego, encomendas de bens duráveis, renda e gastos dos consumidores.
Na Europa, os mercados acompanham indicadores de confiança empresarial, enquanto a China divulga sinais sobre o ritmo de sua atividade econômica.
No Reino Unido, o cenário político também entra no radar após a saída do primeiro-ministro Keir Starmer, em meio ao aumento da pressão interna no Partido Trabalhista e críticas vindas do presidente americano Donald Trump.
A Colômbia teve uma das eleições presidenciais mais disputadas de sua história. O conservador Abelardo de la Espriella venceu o progressista Iván Cepeda por uma margem apertada, com 49,7% dos votos contra 48,7%, sinalizando uma mudança de direção política após quatro anos de governo de esquerda.
Cenário nacional
No Brasil, o foco se divide entre decisões na área de energia e novos dados de inflação. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve aprovar na quarta-feira (24) o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, medida voltada a ampliar o uso de biocombustíveis e contribuir para a redução dos preços dos combustíveis.
Entre os indicadores domésticos, o destaque fica para o IPCA-15, divulgado na quarta-feira, considerado a principal prévia da inflação oficial.
Na sexta-feira, o Banco Central apresenta os dados do setor externo, incluindo transações correntes e investimento direto no país (IDP), além da divulgação da Pnad Contínua.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: convocou uma AGE para 22 de julho, atendendo pedido da Previ, que detém 7,01% do capital, para deliberar sobre a possível destituição do presidente do conselho, Daniel Stieler.
- Aliança Energia: a controlada da Vale concluiu a incorporação do complexo eólico Caetité, elevando sua capacidade instalada em 9%.
- Petrobras: o conselho aprovou investimento de US$ 1,2 bilhão em uma planta de BioQAV e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes, com início das operações previsto para 2030.
- Cosan: antecipou o pagamento de R$ 2,8 bilhões em dívidas e já soma R$ 8,8 bilhões em pré-pagamentos realizados desde o início de 2026.
- Braskem: credores internacionais defendem o pagamento dos juros dos bonds com vencimento em julho e agosto, enquanto a companhia avalia alternativas de proteção judicial para avançar na reestruturação financeira.











