As negociações entre Estados Unidos e Irã ganharam novos contornos, com avanços nas tratativas realizadas na Suíça e sinais de redução das tensões no mercado de energia. O Tesouro americano emitiu uma licença temporária de 60 dias autorizando a produção, entrega e venda de petróleo iraniano, medida que contribuiu para aliviar os temores de uma interrupção prolongada da oferta global.
Após semanas de ameaças envolvendo um possível bloqueio do Estreito de Ormuz, o fluxo de embarcações começou a apresentar sinais de normalização. Dados de rastreamento indicaram aumento do tráfego na região, incluindo navios transportando petróleo iraniano e gás natural do Catar.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou em uma publicação no X, nesta terça-feira (23), que o sucesso do acordo dependerá da implementação rigorosa dos compromissos assumidos. “O progresso nesse caminho será medido pelo cumprimento prático das responsabilidades aceitas. Declarações fora do texto acordado não ajudam a avançar nas negociações”.

O líder iraniano deve viajar ao Paquistão nesta terça-feira, país que tem desempenhado um papel-chave como mediador das conversas entre Teerã e Washington há meses. O objetivo das partes é transformar o acordo preliminar em uma solução diplomática definitiva.
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Segundo a agência estatal Irna, as negociações técnicas realizadas em Bürgenstock, na Suíça, foram concluídas com a criação de grupos de trabalho voltados a quatro áreas principais: encerramento de sanções (discussão sobre a retirada de restrições impostas ao Irã), assuntos nucleares (negociação sobre o programa nuclear iraniano), reconstrução e desenvolvimento econômico (medidas voltadas à retomada da atividade econômica) e monitoramento e implementação (acompanhamento do cumprimento do memorando).
As tratativas tiveram como base o memorando de entendimento de Islamabad, assinado eletronicamente em 18 de junho por Pezeshkian e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O documento, mediado por Paquistão e Catar, estabelece um roteiro de 60 dias para a construção de um acordo final.
O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que os grupos de trabalho serão responsáveis por discutir a retirada de sanções, os limites do programa nuclear iraniano, medidas para recuperação econômica e mecanismos de fiscalização do cumprimento dos compromissos. Além da autorização para comercialização do petróleo iraniano, o representante de Teerã informou que entrará em vigor um acordo para liberar US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados, divididos em duas parcelas de US$ 6 bilhões.
A próxima etapa das negociações ficará sob supervisão de um comitê de alto nível, formado pelo presidente do Parlamento e pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, pelo vice-presidente dos Estados Unidos e pelos primeiros-ministros do Paquistão e do Catar.
Apesar dos avanços, fontes ligadas às negociações rejeitaram versões divulgadas por Washington sobre o uso dos recursos iranianos bloqueados e sobre possíveis compras futuras de produtos agrícolas americanos.
No Brasil, o foco dos investidores se voltou para a ata da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom), após o comunicado anterior gerar dúvidas sobre os próximos passos da política de juros.
O desconforto veio das referências do colegiado a diferentes trajetórias possíveis para a Selic compatíveis com a convergência da inflação à meta. A menção antecipada ao horizonte do primeiro trimestre de 2028, que só será oficialmente considerado a partir da reunião de agosto, foi interpretada pelo mercado como sinal de maior flexibilidade do Banco Central e abriu espaço para questionamentos sobre a condução do ciclo monetário.
Na ata divulgada nesta terça-feira, o Copom afirmou que considerou mais adequadas trajetórias de juros “menos discrepantes” em relação às projeções da pesquisa Focus, do Questionário Pré-Copom (QPC) e da precificação dos mercados. Segundo o colegiado, essa estratégia busca evitar volatilidade excessiva nos preços dos ativos e nos indicadores macroeconômicos.
O documento também reforçou que a decisão de reduzir a Selic para 14,25% ao ano é compatível com a estratégia de levar a inflação de volta ao redor da meta. O Banco Central destacou ainda que o período prolongado de juros em nível contracionista já produziu efeitos sobre a desaceleração da atividade econômica.
O cancelamento do leilão de NTN-B previsto para esta terça-feira aumentou a relevância da ata do Copom para os mercados. A decisão foi interpretada como uma resposta aos movimentos recentes no mercado de títulos públicos, após a forte abertura das taxas observada desde o comunicado da semana passada.
Nas últimas sessões, as NTN-B registraram alta expressiva dos juros negociados em toda a curva, especialmente nos vencimentos intermediários e longos. Segundo cálculos da BGC Liquidez, a NTN-B com vencimento em 2029 chegou a apresentar abertura superior a 18 pontos-base, refletindo a maior cautela dos investidores diante das incertezas sobre a trajetória da política monetária.
Manchetes desta manhã
- Banco Digimais, de Edir Macedo, é alvo de operação da Polícia Federal; R$ 670 milhões são bloqueados (Valor)
- Piora da inflação exigiria ‘variações abruptas’ na direção e magnitude da Selic, mostra ata do Copom (Folha)
- Fitch rebaixa rating do Digimais e vê risco real de falha ou default (Estadão)
- TCE-SP cria ‘penduricalhos’ sigilosos de até 35% sobre salários (O Globo)
Mercado global em queda, puxado por ações de tecnologia
As bolsas da Europa operam em baixa, afetadas pela forte correção das ações de tecnologia nos mercados globais e por preocupações com os altos investimentos em inteligência artificial.
No radar dos investidores, estão ainda os dados de atividade econômica da zona do euro, Alemanha e Reino Unido.
Na Ásia, os mercados fecharam em queda, pressionados pela forte correção nas ações de tecnologia e pelo receio sobre a trajetória dos juros globais. O Kospi caiu 9,99%, com investidores atentos às altas avaliações do setor de semicondutores e ao impacto dos novos IPOs, que pode elevar a volatilidade nas próximas semanas.
Em Nova York, os índices futuros também recuam, pressionados pelo grande fluxo de venda de ações de tecnologia, especialmente de fabricantes de chips ligados ao avanço da inteligência artificial.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -135%
- FTSE 100: -0,52%
- CAC 40: -0,72%
- Nikkei 225: -3,55%
- Shanghai SE Comp: -1,37%
- Hang Seng: -1,82%
- Ouro (jun): -1,64%, a US$ 4.133,82 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,29%, aos 101,29 pontos
- Bitcoin: -4,23% a US$ 62.388,7
Commodities
- Petróleo: reduz as perdas e opera próximo da estabilidade, após a queda inicial provocada pelos sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O movimento foi influenciado pela decisão do Departamento do Tesouro americano de suspender, até 21 de agosto, sanções sobre a produção, venda e exportação do petróleo iraniano.
Apesar da medida aliviar as preocupações com a oferta global, o mercado segue cauteloso diante das incertezas sobre um acordo nuclear entre os países.
O Brent/agosto recua 0,03%, cotado a US$ 77,88 e WTI/agosto tem leve alta de 0,04%, a US$ 73,89. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,54% em Dalian, na China,cotado a US$ 108,85/ton.
A expectativa é de aumento dos embarques das mineradoras neste mês para cumprir metas, em um cenário que coincide com a menor demanda sazonal da China. Esse desequilíbrio pode elevar estoques nos portos e manter os preços do minério de ferro sob pressão, segundo analistas.
Cenário internacional com foco nas negociações entre EUA e Irã
Nos EUA, os mercados seguem atentos aos desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã, que continuam a influenciar os preços do petróleo e o apetite global por risco. Após os avanços registrados na Suíça, o vice-presidente JD Vance afirmou que houve “grande progresso” nas conversas, incluindo a decisão de Teerã de permitir o retorno de inspetores da AIEA — passo visto como relevante no processo de contenção do programa nuclear iraniano.
Donald Trump, por sua vez, reiterou que os EUA poderão adotar medidas caso o acordo não seja cumprido. Já o secretário de Estado Marco Rubio embarca para países do Golfo para detalhar o entendimento a aliados regionais, que demonstram preocupação com possíveis impactos no equilíbrio de poder no Oriente Médio.
Na Europa, os PMIs preliminares de junho reforçam o quadro de atividade fraca. A zona do euro subiu marginalmente para 49,5, ainda em território de contração pelo terceiro mês seguido. A Alemanha recuou para 48, no menor nível em 18 meses, enquanto o Reino Unido caiu para 49,4, atingindo o pior resultado em 14 meses.
A França destoou parcialmente, com o indicador avançando para 47,6, maior nível em dois meses, embora ainda abaixo da linha de expansão.
Cenário nacional
No Brasil, o cenário político volta ao radar com a possível definição do futuro de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado em reunião com o presidente Lula. Cresce no governo a avaliação de que sua permanência pode ser revista diante do desgaste político envolvendo o caso Master e seus desdobramentos.
Na agenda econômica, o governo trabalha com a possibilidade de um Plano Safra 2026/27 entre R$ 600 bilhões e R$ 650 bilhões, acima da safra atual. As negociações seguem em fase final, com divergências entre Fazenda e Agricultura sobre o volume de recursos e subsídios. O setor agrícola pressiona principalmente por juros menores nas linhas de financiamento.
No comércio exterior, um estudo da S&P Global estima que novas tarifas dos Estados Unidos podem impactar até US$ 8,5 bilhões em exportações brasileiras por ano, com maior concentração na indústria de transformação. Ainda assim, o levantamento indica que produtos-chave do agronegócio tendem a ficar fora das medidas.
Na agenda doméstica, o Tesouro realiza leilão de LFTs após o cancelamento da oferta de NTN-B, enquanto o Banco Central atua em operações de rolagem de swaps cambiais.
No campo diplomático-econômico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, desembarca na China para reuniões sobre finanças verdes, transição energética e atração de investimentos, incluindo iniciativas ligadas ao Plano de Bonds do Tesouro e ao programa Eco Invest.
Destaques do mercado corporativo
- Rede D’Or: o Conselho aprovou distribuição de R$ 400 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,1832 por ação. Os papéis ficam ex em 26/06.
- Ligth: captou R$ 1,24 bi em aumento de capital, superando o mínimo previsto no plano de recuperação judicial e habilitando o pedido de saída da RJ. A empresa abriu etapa para subscrição das sobras do aumento de capital.
- Axia Energia: o Conselho aprovou a 9ª emissão de debêntures, no valor de R$ 800 milhões, com possibilidade de lote adicional de até 25%.
- Coelba: a subsidiária da Neoenergia fará a 24ª emissão de debêntures, no valor de R$ 700 milhões.
- MRV: vendeu dois ativos da Resia nos EUA por US$ 139 milhões, reduzindo a dívida líquida
- consolidada em US$ 87 milhões











