O alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã devolve parte do apetite por risco aos mercados nesta segunda-feira (29), após o compromisso firmado pelos dois países de interromper temporariamente os confrontos, retomar o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz e reabrir a mesa de negociações, reduzindo os temores de novas interrupções no fornecimento global de petróleo.
A trégua foi costurada após um fim de semana marcado por uma intensa escalada militar, com ataques mútuos entre forças americanas e iranianas contra alvos militares e embarcações no Golfo Pérsico. Segundo uma fonte do governo americano ouvida pelas agências Reuters e AFP, “as discussões técnicas estão programadas para continuar sobre todas as áreas do memorando de entendimento”.
O portal Axios informou que uma nova rodada de negociações deve ocorrer nesta terça-feira (30), em Doha, para avançar nas disputas envolvendo Ormuz. Um alto funcionário iraniano, porém, afirmou que os encontros técnicos ainda não foram oficialmente confirmados.
Apesar da sinalização de diálogo, as tensões permanecem elevadas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reafirmou que apenas Teerã tem autoridade para administrar o Estreito de Ormuz e advertiu que qualquer tentativa de interferência poderá atrasar sua reabertura. Ao mesmo tempo, novos ataques israelenses levaram o Hezbollah a declarar que mantém o direito de responder militarmente, ampliando a pressão sobre as negociações. O governo iraniano também insiste que um acordo definitivo inclua o encerramento de todas as frentes de conflito na região, incluindo o Líbano.
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Em outro avanço para Teerã, o presidente Masoud Pezeshkian anunciou que US$ 6 bilhões dos US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados no Catar serão liberados como parte do acordo firmado com os Estados Unidos. Segundo ele, o entendimento também suspende as sanções aos setores de petróleo e petroquímica do país, medida que pode ampliar a oferta global da commodity nos próximos meses.
No Brasil, as atenções se voltam ao lançamento do Desenrola Adimplentes, nova frente da política de crédito do governo federal voltada a consumidores que mantêm suas dívidas em dia.
O programa pretende permitir a troca de empréstimos contratados em períodos de juros elevados por linhas mais baratas. A expectativa é que possam aderir consumidores que tenham pago regularmente pelo menos quatro parcelas de financiamentos de até R$ 15 mil.
A iniciativa, porém, enfrenta resistência de parte do sistema financeiro. Bancos questionam a viabilidade econômica de renegociar contratos que não apresentam inadimplência e avaliam que o universo potencial de beneficiários seja relativamente limitado, estimado entre 3 milhões e 4 milhões de pessoas, diante dos critérios previstos pelo governo.
Manchetes desta manhã
- Gigantes globais dão tração a BDR na B3 (Valor)
- Economistas interrompem aumento na previsão da inflação após 15 semanas (Folha)
- Coreia do Sul anuncia investimento de US$ 650 bilhões em centros de dados para IA até 2035 (Estadão)
- Novo leilão da massa falida da Varig vai negociar milhões de ‘ativos creditórios’ (O Globo)
- Duplicata digital terá largada no início de julho (Valor)
Mercado global oscila com nova trégua entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam em baixa, com investidores monitorando os desdobramentos no Oriente Médio após EUA e Irã concordarem em suspender novos ataques.
Na agenda local, destaque para o sentimento econômico da Zona do Euro, que subiu acima do esperado em junho, e para o discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde, mais tarde em Sintra, Portugal.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, com alívio após relatos de que EUA e Irã concordaram em interromper novos ataques. Nos mercados chineses, Hong Kong liderou os ganhos, enquanto, na contramão, o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,2%, pressionado pelas ações de empresas de tecnologia.
Em Nova York, os índices futuros avançam impulsionados pela perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio, após relatos de que Estados Unidos e Irã concordaram em suspender os ataques de retaliação iniciados no fim de semana, preservando as negociações de paz.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,79%
- FTSE 100: +0,19%
- CAC 40: -0,30%
- Nikkei 225: +0,15%
- Shanghai SE Comp: +1,16%
- Hang Seng: +1,57%
- Ouro (jun): -0,92%, a US$ 4.058,45 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,11%, aos 101,25 pontos
- Bitcoin: +0,53% a US$ 60.601,3
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em alta, recuperando parte das perdas de quase 10% registradas na semana passada, em meio à retomada das tensões entre EUA e Irã, que reacende os temores sobre interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
A alta, porém, é limitada pela expectativa de aumento da oferta: os Emirados Árabes Unidos, que deixaram a Opep por discordarem das restrições de produção, poderão adicionar até 1 milhão de barris por dia ao mercado, enquanto o Irã poderá ampliar suas exportações após o memorando firmado com os Estados Unidos permitir uma expansão da produção e das vendas para além de seus aliados tradicionais.
No mercado, o Brent/agosto avança 0,47%, cotado a US$ 72,33, enquanto o WTI/agosto sobe 0,75%, a US$ 69,75 - Minério de ferro: fechou em alta de 0,67% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 109,79 a tonelada. A alta da produção de ferro-gusa deu suporte aos preços do minério de ferro na China, refletindo maior demanda pela commodity.
Além disso, o banco central chinês orientou alguns bancos a ampliar a concessão de crédito neste mês, em resposta à fraqueza da demanda doméstica. Ainda assim, o avanço de 0,79% nos estoques de minério nos principais portos chineses, de acordo com a Steelhome, limitou os ganhos da commodity.
Cenário internacional
Nos EUA, o relatório oficial de emprego (payroll), na quinta-feira, concentra as atenções dos investidores por seu potencial de influenciar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). Até lá, uma sequência de indicadores ajudará a calibrar o cenário, incluindo a pesquisa Jolts sobre abertura de vagas, o relatório ADP de emprego no setor privado, os PMIs, o ISM industrial e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, considerados importantes termômetros da atividade econômica dos Estados Unidos.
Outro foco do mercado será o fórum anual do Banco Central Europeu (BCE), em Sintra, Portugal, que reunirá os principais formuladores de política monetária do mundo. Estão confirmadas as participações do presidente do Fed, Kevin Warsh, da presidente do BCE, Christine Lagarde, e de outros dirigentes de bancos centrais, em um momento de incerteza sobre o ritmo dos cortes de juros nas principais economias.
Na agenda desta segunda-feira, os investidores acompanham a divulgação do índice de sentimento econômico da zona do euro e, no fim da noite, os PMIs da China.
Na terça-feira (30), o destaque será a confiança do consumidor nos Estados Unidos. Na quarta (1), sai o ISM industrial americano. Já na quinta-feira (2), além do payroll, serão conhecidos os pedidos semanais de auxílio-desemprego e os dados de encomendas à indústria.
Na Ásia, a China elevou o tom nas disputas com o Japão ao incluir 20 empresas japonesas, entre elas fornecedoras do setor de defesa, em sua lista de controle de exportações. A medida proíbe o fornecimento de produtos de duplo uso às companhias e amplia as tensões comerciais e geopolíticas entre os dois países.
Cenário nacional
No Brasil, o mercado também acompanhará de perto os indicadores de atividade e emprego. O principal destaque será o Caged de maio, na terça-feira, com expectativa de criação líquida de cerca de 120 mil vagas formais, segundo a mediana das projeções do Broadcast, após a abertura de 85 mil postos em abril. Embora o resultado ainda deva confirmar a força do mercado de trabalho, economistas já projetam uma desaceleração gradual das contratações nos próximos meses, acompanhando a perda de ritmo da economia.
A agenda doméstica também inclui a divulgação do IGP-M de junho, do tradicional Boletim Focus e do resultado primário do Governo Central nesta segunda-feira. A expectativa é de déficit de R$ 53,2 bilhões nas contas públicas. Na quinta-feira, será publicada a produção industrial de maio.
Além do lançamento do Desenrola Adimplentes, o governo deve apresentar nesta semana o Plano Safra 2026/27. A expectativa é que o programa seja anunciado sem medidas para ampliar o seguro rural ou criar uma nova linha de renegociação de dívidas do agronegócio, diante da resistência da equipe econômica em adotar iniciativas com impacto fiscal adicional.
No setor de energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) formalizou uma repactuação de R$ 5,636 bilhões para reduzir o impacto dos reajustes tarifários sobre consumidores atendidos por 21 distribuidoras nas regiões Norte, Nordeste, Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo. A agência também confirmou a manutenção da bandeira tarifária amarela em julho, o que mantém cobrança adicional na conta de luz.
Destaques do mercado corporativo
- JBS: passou a integrar oficialmente o índice Russell 3000 da FTSE Russell, ampliando sua visibilidade entre investidores internacionais.
- Banco do Brasil: informou que o TCU não fez objeções à repactuação da devolução de R$ 4,1 bilhões referentes ao Instrumento Híbrido de Capital e Dívida junto ao Tesouro.
- BMG: transferiu uma carteira de R$ 750 milhões em direitos creditórios para o FIDC Consig Premium I.
- Localiza: aprovou pagamento de R$ 591,1 milhões em juros sobre capital próprio, equivalentes a R$ 0,5351 por ação, com papéis negociados ex-direitos nesta segunda-feira.
- GPA: a família Coelho Diniz elevou sua participação acionária de 24,6% para 25,1% do capital da companhia.
- Sabesp: concluiu sem sucesso a OPA pela EMAE, após ausência de adesão dos investidores.
- Gafisa: homologou aumento parcial de capital de R$ 200,9 milhões mediante conversão de créditos em ações.











