Novos ataques a embarcações nas proximidades do Estreito de Ormuz impulsionam os preços do petróleo nesta terça-feira (7) e recolocam em evidência a vulnerabilidade da principal rota marítima de exportação da commodity. Segundo a Reuters, um petroleiro de bandeira saudita foi danificado próximo à costa de Omã, depois que um navio de gás natural liquefeito (GNL) do Catar também foi atingido na mesma região.
Os incidentes ocorreram após relatos de que a Guarda Revolucionária do Irã teria lançado mísseis contra embarcações que cruzavam o estreito durante a madrugada, reacendendo temores de interrupções no fluxo da commodity. O episódio reforça o prêmio de risco incorporado às cotações, em um momento em que o mercado permanece dividido entre a possibilidade de uma escalada militar e a continuidade das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã.
Apesar da reação imediata dos preços, as perspectivas de médio prazo continuam apontando para um ambiente de maior oferta. O Société Générale revisou suas projeções e passou a estimar que o atual déficit global dará lugar a um excedente a partir do fim de 2026, cenário que deverá se aprofundar ao longo de 2027 com a produção crescendo acima da demanda.
Nesse contexto, o banco reduziu sua estimativa para o Brent no quarto trimestre de 2026 de US$ 83 para US$ 75 por barril e cortou a projeção para a média de 2027 de US$ 79 para US$ 73. A instituição avalia que a recomposição gradual dos estoques deverá limitar pressões estruturais sobre os preços, embora a volatilidade permaneça elevada diante das recorrentes incertezas geopolíticas.
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Além do Oriente Médio, os investidores acompanham o início da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, que marca a transição do debate sobre segurança para a discussão do financiamento da nova estratégia militar da aliança, no maior reforço militar em décadas.
Os 32 membros da Otan deverão apresentar planos para elevar os gastos com defesa ao equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Na véspera do encontro, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, cobrou dos governos planos “claros, concretos e críveis” para cumprir a nova meta.
O desafio extrapola a esfera militar e passa a ocupar espaço relevante nas projeções fiscais para a Europa. Segundo o Financial Times, a Alemanha pretende emitir mais de 800 bilhões de euros em dívida até 2030 para reforçar seu orçamento de defesa e ampliar o apoio militar à Ucrânia, movimento que representa uma inflexão histórica em relação à política de austeridade adotada pelo país nas últimas décadas.
No Brasil, emendas recordes ampliam debate fiscal com a repercussão do pagamento de R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares realizado pelo governo Lula antes do início do período de restrição eleitoral. O montante representa o maior desembolso já registrado em um intervalo pré-eleitoral e supera todo o volume de emendas liberado ao longo de 2022, último ano de eleições presidenciais.
O valor também supera os R$ 19,65 bilhões desembolsados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) no mesmo período e corresponde a aproximadamente um quarto de todas as despesas discricionárias executadas pela União.
De acordo com o Estadão, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República afirou que a execução dos recursos ocorre em conformidade com a legislação, observando as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF), a aprovação técnica dos órgãos responsáveis e a disponibilidade orçamentária e financeira.
Desde 4 de julho está em vigor o defeso eleitoral, período em que a legislação restringe novas transferências voluntárias da União para preservar a igualdade entre os candidatos. Permanecem autorizados apenas os repasses destinados a obras já em andamento e situações de calamidade pública.
Ainda segundo o levantamento, pelo menos R$ 24,5 bilhões foram liberados antes da conclusão dos respectivos projetos, permitindo que os recursos sejam executados durante o período eleitoral. O avanço desse modelo decorre de mudanças introduzidas nos últimos anos. Em 2019 foi criada a chamada emenda Pix, que passou a permitir transferências antecipadas de recursos a estados e municípios com menor nível de rastreabilidade. Em 2024, o Congresso ampliou esse mecanismo ao autorizar o pagamento antecipado de outras modalidades de emendas de até R$ 1,5 milhão, faixa que concentra cerca de 90% das transferências.
Em 2026, uma nova alteração consolidou esse processo. O Congresso aprovou, com sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um calendário que prioriza a execução das emendas parlamentares ainda no primeiro semestre. A medida integrou as negociações do Orçamento, permitindo ao governo perseguir o piso da meta fiscal, em vez do centro da meta, em troca da antecipação dos repasses.
Manchetes desta manhã
- SpaceX pode colocar ainda mais volatilidade no caminho do Nasdaq (Valor)
- Tesla, Coca-Cola e Nestlé pedem que EUA não adotem tarifas sobre produtos brasileiros (Folha)
- Estrangeiros ingressam R$ 698 mi na B3 em um único dia e saldo anual é positivo em R$ 34,5 bi (Estadão)
- FGC contrata pente-fino nas contas do Digimais para avaliar empréstimo que pode viabilizar venda para o BTG (O Globo)
- Projeto que eleva teto do MEI terá impacto fiscal de R$ 8,1 bilhões em três anos (Valor)
Mercado global oscila com volatilidade nas ações de tecnologia e petróleo
As bolsas da Europa operam mistas, sustentadas pelo avanço das petrolíferas, após a recuperação dos preços do petróleo com relatos de ataques iranianos próximos ao Estreito de Ormuz.
Entre os destaques, a Shell sobe 2,6% em Londres, apoiada também por projeções positivas para sua divisão de gás no segundo trimestre. A BP avança 1,2%, a TotalEnergies ganha 1,1% em Paris e a Repsol registra alta de 0,3% em Madri.
Na Ásia, fecharam em queda, com Seul liderando as perdas. China e Hong Kong também recuaram, pressionadas por ações do setor imobiliário, enquanto investidores aguardam a ata do Fed e novos indicadores domésticos.
No radar, o Banco Mundial projetou desaceleração do PIB chinês para 4,4% em 2026 e 4,3% em 2027, refletindo o ajuste prolongado do mercado imobiliário e a fraqueza do consumo das famílias.
Em Nova York, os índices futuros sem direção única, em meio a uma nova rodada de volatilidade nas ações de tecnologia. O movimento reflete a repercussão dos resultados da Samsung, que, embora tenham mostrado lucro recorde, ficaram aquém das expectativas mais elevadas do mercado, pressionando o sentimento dos investidores em relação ao setor.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,24%
- FTSE 100: +0,31%
- CAC 40: +0,25%
- Nikkei 225: -2,12%
- Shanghai SE Comp: -1,26%
- Hang Seng: -0,51%
- Ouro (jun): +0,23%, a US$ por 4.177,29 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,03%, aos 100,9 pontos
- Bitcoin: +2,93% a US$ 63.558,2
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros voltaram a subir após relatos de ataques iranianos a navios comerciais próximos ao Estreito de Ormuz, renovando as preocupações com interrupções na rota marítima.
A avaliação do mercado é de que a situação reforça a sensação de fragilidade do acordo de paz provisório estabelecido entre EUA e Irã, enquanto os dois países negociam por vias diplomáticas um desfecho definitivo para a guerra.
O Brent/setembro avança 0,83%, cotado a US$ 72,59 e o WTI/agosto sobe 0,79%, a US$ 69,01. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,47% em Dalian, na China, cotado a US$ 108,26 a tonelada.
Cenário internacional
A agenda internacional desta terça-feira segue concentrada nos desdobramentos geopolíticos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa da cúpula da Otan, na Turquia, em um momento de crescente pressão sobre a aliança militar. Além da continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, os líderes discutem a ampliação dos investimentos em defesa, tema defendido pela Casa Branca como prioridade para os países-membros.
O encontro ocorre em um ambiente geopolítico mais complexo, marcado também pelos desdobramentos da ofensiva militar americana contra o Irã e pelas controvérsias provocadas pela tentativa anterior de Washington de anexar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca, integrante da Otan.
Donald Trump também decidiu apitar regras na Copa do Mundo: o presidente voltou a misturar política e futebol ao revelar que telefonou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, pedindo a revisão da suspensão do atacante Folarin Balogun. Segundo o presidente americano, a expulsão aplicada pelo árbitro brasileiro Raphael Claus foi injusta. “Pedi uma revisão porque não achei que tivesse sido falta”, afirmou Trump.
A declaração ganhou novos desdobramentos após reportagem do The New York Times revelar que a Casa Branca coordenou uma ofensiva jurídica para tentar reverter a punição, envolvendo advogados, integrantes do governo e até a força-tarefa criada para organizar a Copa do Mundo.
De acordo com o jornal, o material enviado à Fifa incluía acusações, sem apresentação de provas, de suposto envolvimento de Raphael Claus com manipulação de resultados no futebol brasileiro. As alegações foram rejeitadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), pela Federação Paulista de Futebol e pela própria Fifa.
Embora Gianni Infantino tenha confirmado a conversa com Trump, o dirigente afirmou que eventuais recursos são analisados exclusivamente pelos órgãos judiciais independentes da entidade. Ainda assim, a Fifa autorizou Balogun a atuar contra a Bélgica, mesmo após a expulsão.
Na Europa, a produção industrial da Alemanha avançou 0,9% em maio na comparação com abril, superando as expectativas do mercado e registrando o segundo mês consecutivo de crescimento.
Segundo o Destatis, instituto oficial de estatísticas do país, o resultado evidencia uma capacidade de recuperação da indústria alemã mesmo diante da elevação dos custos de energia e das incertezas provocadas pelas tensões no Oriente Médio.
Cenário nacional
No Brasil, repercute um ofício encaminhado pelo Itamaraty à Câmara dos Deputados no qual o governo manifesta preocupação com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a medida pode gerar riscos à soberania brasileira ao abrir espaço para eventual aplicação de medidas extraterritoriais e, em um cenário extremo, até para o uso da força militar. O governo também sustenta que a classificação não contribui para fortalecer a cooperação bilateral no combate ao crime organizado e poderá produzir impactos diplomáticos e econômicos.
No cenário tributário, o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) criticou a possibilidade de o governo manter o Imposto de Exportação incidente sobre o petróleo bruto mesmo após a perda de eficácia da medida provisória que instituiu a cobrança.
Na avaliação da entidade, a manutenção do tributo amplia a insegurança jurídica, possui caráter predominantemente arrecadatório e pode comprometer novos investimentos no setor de óleo e gás.
No agronegócio, o governo federal instituiu um grupo de trabalho para acompanhar os possíveis impactos de um eventual “Super El Niño” sobre a safra 2026/27. O objetivo é monitorar os efeitos do fenômeno climático sobre a produção agrícola, seus reflexos sobre a inflação dos alimentos e a necessidade de reforçar instrumentos de mitigação de riscos, como o seguro rural.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: recebeu mais R$ 2,7 bilhões do programa de subsídio ao diesel, elevando os repasses acumulados para R$ 4,7 bilhões.
- Santander: emitiu R$ 1,386 bilhão em letras financeiras subordinadas para reforçar o capital Nível II.
- Nubank: o Banco Central autorizou a Nu Pagamentos a operar no mercado de câmbio, enquanto a Moody’s reafirmou o rating Ba1 da Nu Holdings com perspectiva estável.
- Engie Brasil: aprovou a 17ª emissão de debêntures, no valor de R$ 700 milhões, destinada ao capital de giro e ao plano de negócios.
- Enel: Equatorial e Iberdrola negociam a aquisição de ativos da companhia no Brasil, segundo informações do Pipeline/Valor Econômico.
- TIM: lançou a plataforma de streaming TIM Play, com planos entre R$ 9,90 e R$ 89,90 mensais.
- Moura Dubeux: pagará novas parcelas de dividendos em 14 de julho e informou lançamentos de R$ 1,012 bilhão em VGV no segundo trimestre, além de geração de caixa de R$ 28,2 milhões.
- Enjoei: recebeu prazo até 11 de agosto para reenquadrar a cotação das ações acima de R$ 1 e avalia realizar grupamento.
- CVC: vendeu o grupo de marinas D-Marin para a InfraVia em operação que avaliou o ativo entre 1 bilhão de euros e 1,5 bilhão de euros.











