Os mercados globais operam em forte aversão ao risco nesta quarta-feira (8), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o cessar-fogo com o Irã “acabou” e descartar novas negociações com Teerã. A deterioração do cenário geopolítico impulsiona o petróleo, fortalece o dólar, pressiona os rendimentos dos Treasuries e derruba as bolsas internacionais, enquanto investidores aguardam a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed).
Durante a cúpula da Otan, em Ancara, Trump afirmou que a liderança iraniana é formada por “pessoas doentes” e classificou qualquer tentativa de diálogo como “perda de tempo”. O presidente americano também anunciou que determinou ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, a interrupção das relações com a Espanha, que classificou como um “parceiro terrível” da aliança militar.
A escalada ocorre após ataques contra três embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz. Em resposta, Washington revogou a licença que autorizava a produção, distribuição e venda de petróleo iraniano — concedida em 21 de junho para vigorar durante os 60 dias previstos nas negociações de paz — e retomou ataques contra alvos militares no Irã, colocando em xeque a sustentação do acordo provisório firmado entre os dois países. O Departamento do Tesouro proibiu novas operações envolvendo petróleo iraniano e determinou que transações já iniciadas sejam encerradas até 17 de julho.
Segundo o Comando Central dos EUA, a ofensiva atingiu mais de 60 pequenas embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária Islâmica. Já a CNBC informou que a operação alcançou mais de 80 alvos, incluindo sistemas de defesa aérea, centros de comando e controle e estruturas ligadas aos mísseis antinavio iranianos.
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Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária afirmou ter atacado instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, além de declarar que derrubou um drone americano MQ-9. O alto comando militar do Irã classificou a ação dos EUA como um “ato flagrante de agressão” e prometeu uma “resposta esmagadora”. Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou Washington de violar o cessar-fogo e afirmou que Teerã “não cederá”. Apesar das acusações, o governo iraniano sustenta que continua cumprindo os compromissos assumidos no memorando de entendimento e promete responder de forma “decisiva”.
Mais do que uma interrupção imediata da oferta global de petróleo, os novos confrontos recolocaram nos preços um prêmio de risco geopolítico que vinha sendo gradualmente retirado pelo mercado nas últimas semanas. O reflexo foi imediato: os contratos do petróleo tipo Brent para setembro chegou a avançar 5,7% no início desta manhã, negociado próximo de US$ 78,41 por barril.
Além da tensão geopolítica, os investidores acompanham a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). O documento deverá detalhar as discussões que levaram o Federal Reserve a manter a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano e pode oferecer novos sinais sobre a avaliação da autoridade monetária em relação à inflação, à atividade econômica e ao futuro da política monetária americana.
No Brasil, a agenda política entra no radar dos investidores. Pesquisa do instituto Ideia, divulgada nesta quarta-feira pelo Canal Meio, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança em todos os cenários testados para a eleição presidencial de 2026.
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 40,4% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 32%. Ronaldo Caiado (PSD) registra 4%, enquanto Romeu Zema (Novo) soma 2,5%. Os votos em branco, nulos ou em nenhum candidato representam 4,1%, e 9,5% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.
Segundo a pesquisa, Lula também lidera numericamente todos os cenários de segundo turno avaliados. O levantamento também evidencia a força do eleitorado ligado ao bolsonarismo, já que tanto Flávio Bolsonaro quanto Michelle Bolsonaro aparecem na segunda colocação quando seus nomes são apresentados nos diferentes cenários.
Manchetes desta manhã
- Tesouro quer rediscutir título isento diante de dificuldade com dívida (Valor)
- Panda bonds são nova fonte de financiamento para impulsionar desenvolvimento econômico (Folha)
- XP amplia Conta Global e libera transferências locais nos Estados Unidos (Estadão)
- Governo usa bancos públicos para driblar resistência de instituições privadas à vitrine eleitoral de Lula ( O Globo)
- Copa terá receita recorde, quase toda para a Fifa (Valor)
Mercado global sob pressão do petróleo
As bolsas da Europa operam em forte queda, pressionados pela disparada do petróleo após o presidente Donald Trump declarar o fim do cessar-fogo provisório entre EUA e Irã.
O aumento das tensões no Oriente Médio amplia a aversão ao risco, enquanto investidores aguardam a divulgação da ata da reunião de junho do Federal Reserve (Fed), prevista para após o fechamento dos mercados europeus.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda, pressionadas pela realização de lucros na cadeia de IA após resultados extraordinários da Samsung levantarem dúvidas sobre as avaliações elevadas dos semicondutores. O destaque negativo foi a Bolsa de Seul, onde o Kospi entrou em “bear market” após acumular desvalorização de 23% em relação ao pico de junho.
Paralelamente, o avanço das tensões no Irã e o endurecimento das sanções ao petróleo iraniano também reforçaram temores inflacionários e limitaram o apetite por risco na região.
Em Nova York, os índices futuros recuam nesta quarta-feira (8), pressionados pela disparada do petróleo após a escalada das tensões no Oriente Médio. O movimento ocorre depois que os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, em resposta às ofensivas contra três navios mercantes no Estreito de Ormuz.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,84%
- FTSE 100: -1,36%
- CAC 40: -2%
- Nikkei 225: -2,11%
- Shanghai SE Comp: -0,49%
- Hang Seng: +2,99%
- Ouro (jun): -1,93%, a US$ por 4.077,25 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,06%, aos 101,16 pontos
- Bitcoin: -1,9% a US$ 62.246,3
Commodities – petróleo dispara após declaração de Trump
- Petróleo: dispara após Donald Trump declarar o fim da trégua entre Estados Unidos e Irã, reacendendo os temores de escalada no Oriente Médio. Em resposta aos ataques americanos e ao endurecimento das sanções ao petróleo iraniano, Teerã afirmou ter atingido bases militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein, ampliando as preocupações com a oferta global da commodity.
O Brent/setembro é negociado em alta de 6,19% a US$ 74,80 o barril, enquanto o WTI/agosto sobe 6,10%, a US$ 74,74. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,88% em Dalian, na China, cotado a US$ 109,70 a tonelada
Cenário internacional
No cenário internacional, os investidores acompanharam nesta terça-feira o primeiro dia da cúpula da Otan, que tem como principais eixos o fortalecimento da indústria de defesa, da segurança energética e da cooperação tecnológica. Durante o encontro, Donald Trump voltou a pressionar os aliados europeus por maior alinhamento estratégico, enquanto o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, defendeu que o aumento dos gastos militares seja acompanhado por uma expansão da capacidade de produção bélica.
Diplomatas estimam que os acordos de armamentos negociados durante a cúpula possam movimentar cerca de US$ 50 bilhões. Entre os projetos em discussão está a ampliação da rede de oleodutos estratégicos da Otan para o Leste Europeu e a Turquia, iniciativa voltada a reforçar o abastecimento de combustível de bases militares e reduzir vulnerabilidades logísticas em eventuais cenários de crise.
Trump também endureceu o discurso contra os parceiros da aliança ao afirmar estar decepcionado com a falta de apoio europeu durante a ofensiva contra o Irã e defender maior lealdade dos aliados aos Estados Unidos. O presidente americano ainda sinalizou disposição para retirar sanções impostas à Turquia, afirmou acreditar que um acordo para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia pode estar próximo e voltou a defender o controle americano sobre a Groenlândia.
Na Europa, o avanço das tensões geopolíticas também pressionou o mercado de renda fixa. Os rendimentos dos títulos soberanos da zona do euro atingiram os maiores níveis em quase um mês, refletindo a expectativa de que uma nova alta dos preços da energia possa ampliar as pressões inflacionárias e exigir uma postura mais restritiva do Banco Central Europeu.
O rendimento do título alemão de 10 anos avançou 8 pontos-base, para 3,068%, maior nível desde 11 de junho, enquanto o papel de dois anos subiu 9 pontos-base, para 2,676%, também no maior patamar em quase um mês.
Cenário nacional
No Brasil, a Receita Federal abre nesta quarta-feira a consulta ao primeiro lote especial da restituição automática do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), modalidade chamada pelo órgão de “cashback”.
Ao todo, 3.551.101 contribuintes serão contemplados, em um lote que soma aproximadamente R$ 460 milhões em restituições. O pagamento será realizado em 15 de julho, diretamente na conta vinculada à chave Pix cadastrada com o CPF do contribuinte.
O lote contempla pessoas que não eram obrigadas a entregar a declaração do Imposto de Renda de 2025, mas que tiveram imposto retido na fonte ao longo de 2024 e, por isso, passaram a ter direito à restituição.
Para receber os valores, o contribuinte precisava manter o CPF em situação regular e possuir uma chave Pix vinculada ao CPF até o fim de junho deste ano. Segundo a Receita Federal, cerca de 500 mil pessoas deixaram de receber o cashback em 2026 por não atenderem a um desses requisitos.
A consulta poderá ser realizada pelo portal da Receita Federal, por meio da página “Consulta Cashback”, criada especificamente para o serviço de restituição automática, ou pelo aplicativo oficial do órgão.
Destaques do mercado corporativo
- Azul: venceu licitação da Petrobras para operar serviços aéreos dedicados na região Norte durante quatro anos, em parceria com a Azul Conecta.
- Vibra: investirá R$ 45 milhões em um posto de abastecimento para atender o Projeto Sucuriú, da Arauco, em contrato de cinco anos.
- Brava Energia: a CVM analisa recurso relacionado à oferta pública de aquisição (OPA), que havia sido suspensa para ajustes no edital.
- Light: concluiu aumento de capital de R$ 1,5 bilhão com subscrição integral das ações remanescentes.
- Sabesp: aprovou a liquidação e dissolução voluntária da Infranext Soluções em Pavimentação.
- Banco do Brasil: firmou contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios para prestação de serviços postais nacionais e internacionais por cinco anos.
- Oncoclínicas: deve protocolar pedido de recuperação extrajudicial entre quarta e sexta-feira, com adesão inicial de cerca de um terço dos credores.











