Os mercados globais operam sem direção única nesta sexta-feira (10), depois de reduzirem parte do prêmio de risco geopolítico acumulado nos últimos dias. Apesar da continuidade das tensões entre Estados Unidos e Irã, investidores passaram a apostar que a escalada militar tende a ser temporária e não deve inviabilizar uma retomada das negociações diplomáticas.
O movimento ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Teerã voltou a procurar Washington para discutir um acordo de paz. Relatos da CNN de que Catar e Paquistão atuam para recolocar os dois países na mesa de negociações também reforçaram essa percepção.
O reflexo mais evidente apareceu no mercado de petróleo. Após dois pregões de forte alta, os contratos da commodity devolvem parte dos ganhos diante da avaliação de que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz segue sendo o cenário menos provável. Ainda assim, a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que uma nova escalada das hostilidades pode comprometer sua projeção de superávit no mercado global de petróleo em 2027. A agência destacou que a oferta mundial cresceu 4,1 milhões de barris por dia (bpd) em junho, com a reabertura do Estreito de Ormuz, mas ainda permanece 9,4 milhões de bpd abaixo dos níveis pré-guerra.
Segundo a AIE, a demanda global deve ganhar força ao longo do segundo semestre. A expectativa é de crescimento de 1,2 milhão de bpd no quarto trimestre, enquanto o consumo deve avançar cerca de 8 milhões de bpd em relação ao piso registrado em maio, impulsionado pela temporada de maior demanda por combustíveis e pelos preços mais baixos do petróleo.
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Por outro lado, a entidade advertiu que os confrontos registrados nos dias 7 e 8 de julho voltaram a aumentar as incertezas. Na avaliação da agência, um acordo de paz duradouro é condição indispensável para que o mercado volte ao equilíbrio esperado no próximo ano.
IPCA concentra atenções no Brasil
No mercado doméstico, o principal destaque da agenda é a divulgação do IPCA de junho, considerado um teste relevante para as expectativas em torno da próxima decisão do Copom. O indicador registra alta de 0,16%, abaixo do consenso de alta de 0,31%. Em maio, avançou 0,58% e ano a ano, sobe 4,64%, após registrar alta de 4,72%.
O resultado ficou significativamente abaixo das expectativas do mercado de desaceleração da inflação de 0,58% para 0,31% no mês, refletindo principalmente a queda dos preços dos alimentos e do etanol. A menor estimativa era de 0,26%. Com avanço de apenas 0,16%, a inflação oficial surpreendeu ao registrar um resultado inferior até mesmo ao piso das previsões.
O indicador é divulgado após uma sequência de dados que apontou perda de fôlego da atividade econômica, incluindo desaceleração do PIB, da produção industrial, das vendas no varejo e do mercado de trabalho. Esse conjunto de indicadores fortaleceu a expectativa de um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima reunião do Copom.
Apesar disso, investidores seguem monitorando os riscos fiscais e o ambiente político-eleitoral, fatores que continuam limitando uma revisão mais ampla das expectativas para a política monetária brasileira.
Manchetes desta manhã
- Caixa da Ambipar tinha R$ 1,2 bi em pré-precatório (Valor)
- Petroleiras querem brecar no Cade megafusão de empresas de infraestrura de exploração (Folha)
- BNDES vai ofertar R$ 72 bilhões em financiamentos à agropecuária na safra 2026/27 (Estadão)
- SK Hynix levanta US$ 26,5 bi na maior estreia de empresa estrangeira nos EUA (O Globo)
- Empresas captam na bolsa menor volume em pelo menos 10 anos (Valor)
Mercado global
As bolsas da Europa operam em leve alta, com os ganhos do setor de viagens e lazer compensando as perdas das empresas de tecnologia.
O destaque é a EasyJet, cujas ações saltavam 14,42% após a companhia anunciar um acordo preliminar com a gestora americana Apollo para uma oferta de aquisição de 5,7 bilhões de libras, acima da proposta da Castlelake.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana sem direção única, com destaque para os ganhos do setor de tecnologia. O Kospi, da Coreia do Sul, avançou 2,52%, impulsionado pela expectativa da estreia da SK Hynix em Wall Street.
Já o Nikkei, do Japão avançou apoiado por declarações do ministro das Finanças sobre uma possível revisão da estratégia de investimentos dos fundos de pensão do país.
Em Nova York, os índices futuros operam sem direção definida, com realização de lucros nas ações de tecnologia após o forte rali da véspera, enquanto a frágil trégua no Oriente Médio mantém a cautela dos investidores. No radar, o mercado também acompanha a estreia da sul-coreana SK Hynix na Nasdaq.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,02%
- FTSE 100: +0,07%
- CAC 40: +0,04%
- Nikkei 225: +1,2%
- Shanghai SE Comp: -1%
- Hang Seng: +0,6%
- Ouro (jun): -0,64%, a US$ por 4.114,42 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,09%, aos 100,85 pontos
- Bitcoin: +2,95% a US$ 64.450,6
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em leve alta, em sessão volátil que sinaliza alguma estabilização dos preços. Apesar do avanço das negociações de paz entre EUA e Irã, a recente escalada militar mantém elevado o nível de incerteza no Oriente Médio, com investidores ainda atentos ao risco de novos ataques e a possíveis impactos sobre o tráfego no Estreito de Ormuz.
O Brent/setembro avança 0,24%, cotado a US$ 76,48 e o WTI/agosto sobe 0,12%, a US$ 72,17. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,87% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 110,92 a tonelada.
Cenário internacional
Nos Estados Unidos, os investidores acompanham com expectativa a estreia da fabricante sul-coreana de semicondutores SK Hynix na Nasdaq, prevista para esta sexta-feira. A companhia é uma das principais beneficiárias do avanço da inteligência artificial e da forte demanda global por chips, fatores que impulsionaram uma expressiva valorização de suas ações ao longo de 2026.
Segundo a Bloomberg, os recibos de ações negociados nos Estados Unidos (ADRs) da empresa estão sendo precificados em US$ 149 por papel, marcando a chegada de uma das maiores fabricantes mundiais de memória ao principal mercado acionário americano.
No Japão, a inflação ao produtor acelerou em junho no ritmo mais rápido em mais de três anos, à medida que as empresas repassaram os custos crescentes do conflito no Oriente Médio, o que reforça os argumentos para novos aumentos de juros pelo Banco do Japão (BoJ).
Cenário nacional
O governo federal adotou um discurso mais cauteloso em relação à política de preços dos combustíveis após a nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a retomada dos ataques “acendeu um sinal de alerta”, mas reiterou que o plano de retirar gradualmente os subsídios aos combustíveis permanece mantido, desde que o mercado internacional de petróleo apresente condições mais favoráveis.
“A guerra diminuindo de proporção, o objetivo do Ministério da Fazenda é retirar o subsídio”, afirmou o ministro. Segundo ele, tanto a subvenção à gasolina quanto ao diesel seguem em vigor, e o governo manterá “prontidão” para ampliar ou retirar as medidas de acordo com a evolução dos preços internacionais da commodity.
Na prática, a postura de cautela levou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) a prorrogar por mais 60 dias a alíquota de 12% do Imposto de Exportação sobre o petróleo, criada para compensar a redução dos tributos federais sobre os combustíveis. A medida passará por uma nova avaliação em 30 dias, enquanto o governo acompanhará diariamente os desdobramentos do conflito no Oriente Médio antes de decidir sobre eventuais mudanças. Paralelamente, Brasília busca acelerar medidas estruturais para reduzir a dependência da gasolina.
Também nesta sexta-feira, o governo publica novas regras para a publicidade das plataformas de apostas esportivas (Bets). As normas proíbem propagandas que incentivem o jogo ou apresentem as apostas como forma de investimento e passam a valer no próximo dia 17.
As empresas também serão obrigadas a incluir alertas sobre os riscos de dependência e de perdas financeiras. Segundo o Ministério da Fazenda, 56 mil sites, aplicativos e plataformas ilegais de apostas já foram retirados do ar.
Destaques do mercado corporativo
- Oi: informou caixa de apenas R$ 19,6 milhões e alertou que pode ficar sem recursos para manter as operações a partir de agosto caso não obtenha novos aportes.
- Rumo: a S&P rebaixou o rating nacional de brAA+ para brAA-, com perspectiva negativa, citando o
enfraquecimento do perfil de crédito da Cosan e potenciais efeitos de contágio. - Petrobras: concluiu a aquisição da participação e assumiu a operação do bloco 3 no offshore de São Tomé e Príncipe, na África; o consórcio passa a ser formado por Petrobras (75%), Oranto (15%) e Agência Nacional do Petróleo de São Tomé e Príncipe (10%), sem valor divulgado.
- Energisa Mato Grosso: fará a 29ª emissão de debêntures, no valor de R$ 350 milhões, destinada a investimentos na rede de distribuição.











