As compras internacionais de até US$ 50 voltaram a acelerar após o fim da “taxa das blusinhas”. Em junho, primeiro mês completo sem a cobrança do imposto federal sobre encomendas internacionais, as importações realizadas por meio do programa Remessa Conforme aumentaram em 101% em relação ao mesmo mês do ano anterior, somando R$ 2,6 bilhões, segundo dados da Receita Federal analisados pelo BTG Pactual.
Na comparação com maio, o volume financeiro das importações cresceu 40%. E em relação a abril, último mês completo em que o imposto ainda vigorava, o avanço foi de 74%.
O levantamento também mostra que o valor movimentado pelo Remessa Conforme ficou 68% acima do registrado em junho de 2024, indicando uma retomada das compras internacionais de menor valor após a redução da carga tributária.
A mudança passou a valer em 12 de maio, quando o governo restabeleceu a alíquota federal de 0% para compras de até US$ 50. O ICMS, que é um imposto estadual, porém, continua sendo cobrado sobre essas operações.
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O crescimento não ficou restrito ao valor das compras. Segundo o BTG Pactual, o número de remessas internacionais aumentou 116% na comparação anual e avançou 40% em relação ao mês anterior.
Na avaliação dos analistas do banco, a resposta dos consumidores foi imediata ao cancelamento da tarifa, mostrando que a redução da tributação voltou a estimular a demanda por plataformas estrangeiras de comércio eletrônico.
Varejo brasileiro enfrenta nova fase de competição
Para o BTG, o avanço das importações representa um fator negativo para o varejo brasileiro, especialmente para empresas de vestuário e de outras categorias de consumo discricionário — produtos cuja compra pode ser adiada pelo consumidor, como roupas, calçados, acessórios e itens de lazer.
Mesmo assim, o banco avalia que o setor entra nesse novo ciclo em condições mais favoráveis para enfrentar a concorrência internacional.
Segundo o relatório, desde a criação do Remessa Conforme, as principais varejistas brasileiras fortaleceram suas operações logísticas e de distribuição, ampliaram a competitividade em preços, expandiram seus canais de comércio eletrônico, reduziram os prazos de entrega e aperfeiçoaram sua proposta de valor.
BTG vê “copo meio cheio” para varejistas apesar do fim da taxa das blusinhas
O banco reconhece que a retomada das compras internacionais representa uma notícia desfavorável para as varejistas locais, sobretudo em um momento em que a Shein está prestes a realizar seu IPO na China. Na avaliação dos analistas, a operação pode acelerar ainda mais o avanço do comércio eletrônico asiático de vestuário em seu principal mercado.
Apesar disso, o BTG afirma enxergar um “copo meio cheio”. Segundo o banco, o período em que a “taxa das blusinhas” permaneceu em vigor permitiu que as grandes varejistas brasileiras elevassem sua capacidade de competir com as plataformas internacionais.
“Os varejistas brasileiros estão estruturalmente mais bem posicionados para competir do que estavam nos anos anteriores. Desde a implementação do Remessa Conforme, a maior parte das varejistas listadas em Bolsa fortaleceu suas capacidades logísticas e de distribuição, aumentou sua competitividade em preços, expandiu suas operações de comércio eletrônico, reduziu os prazos de entrega e aprimorou sua proposta de valor, tornando-se mais resiliente à concorrência internacional”, afirmaram os analistas do BTG no relatório.
Como surgiu a taxa das blusinhas
O imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi criado em agosto de 2024, após a implementação do programa Remessa Conforme. A cobrança ficou conhecida como “taxa das blusinhas” por atingir principalmente produtos vendidos por plataformas asiáticas de comércio eletrônico, como a Shein e AliExpress.
A medida foi adotada pelo governo após pressão das varejistas nacionais. Posteriormente, em ano eleitoral, o governo decidiu atender às críticas dos consumidores e extinguir o tributo. Como a alíquota de 0% entrou em vigor em 12 de maio, junho foi o primeiro mês integral sem a incidência do imposto federal.











