Os mercados globais a semana em direções distintas, diante da pressão dos Estados Unidos sobre o Irã e seus possíveis impactos sobre o petróleo e o comércio global. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington prepara medidas econômicas de alcance “nunca visto” contra Teerã, enquanto o Pentágono afirmou que o bloqueio naval aos portos iranianos poderá se prolongar “indefinidamente”.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta sexta-feira (14), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Em entrevista na quinta-feira (13) ao canal conservador Newsmax, Bessent afirmou que Washington pretende combinar medidas de isolamento econômico em uma escala sem precedentes. Segundo ele, a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz impediria a entrada e a saída de qualquer produto pelos portos iranianos.
O presidente Donald Trump, por sua vez, declarou que pode aplicar tarifas de 25% a qualquer país que comprar bens ou serviços iranianos, o que pode afetar a China, principal parceira comercial do Irã. A declaração representa uma mudança em relação ao discurso adotado no início do mês, quando o governo Trump falava na possibilidade de um acordo iminente para reabrir a passagem estratégica.
A escalada ocorre após os Emirados Árabes Unidos afirmarem, na noite de ontem, que o Irã atacou duas embarcações da Abu Dhabi National Oil Company, estatal de petróleo dos Emirados, enquanto os navios atravessavam o Estreito de Ormuz.
O cenário geopolítico voltou a ganhar peso depois de uma sessão de alívio no petróleo. Na quinta-feira, os preços da commodity recuaram após o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmar que as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz estavam acima do indicado por muitas estimativas independentes. A informação reduziu parte dos temores de uma interrupção mais severa do fornecimento. Nesta sexta-feira (14), contudo, a possibilidade de prolongamento do bloqueio americano recoloca o risco de restrição à oferta no radar do mercado.
Brasil reage ao tarifaço dos EUA e aciona reciprocidade
No Brasil, o mercado repercute a resposta do governo ao tarifaço dos Estados Unidos. Brasília informou na noite de quinta-feira que iniciou o processo de reciprocidade contra os americanos e notificará o governo dos EUA. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) informou que o Ministério das Relações Exteriores comunicará oficialmente Washington e solicitará a realização de consultas diplomáticas.
O governo brasileiro também afirmou que atuou “consistentemente” junto ao USTR, o Representante Comercial dos Estados Unidos, para tentar interromper as investigações e apresentou evidências para contestar alegações de supostas práticas comerciais desleais. Na avaliação de Brasília, as tarifas americanas são injustificadas e arbitrárias, e o país seguirá defendendo sua posição em todas as instâncias consideradas cabíveis.
Além da reação às tarifas, o governo afirmou que continuará trabalhando para limitar os danos provocados pelo tarifaço, com uma estratégia que inclui a defesa do multilateralismo e da reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), além da diversificação das parcerias comerciais e da busca por novos mercados.
Os Estados Unidos aplicaram, em 22 de julho, uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A cobrança teve origem em uma investigação iniciada após Trump anunciar, em julho de 2025, o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil.
No início de junho, o USTR propôs a aplicação da alíquota com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos; dispositivo de política comercial que permite ao governo americano investigar outros países e adotar medidas de retaliação diante de práticas consideradas injustas.
Manchetes desta manhã
- BC decreta liquidação extrajudicial de administradora de consórcios e de financeira (Valor)
- EUA ignoram pedido do Brasil para reunião com Bachelet, candidata à ONU (Folha)
- Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras (Estadão)
- STF começa julgamento sobre R$ 6,1 bi de perdas da poupança com planos econômicos (O Globo)
Mercado global tem desempenho misto com nova ofensiva dos EUA ao Irã
Em Nova York, os índices futuros abriram a sessão próximos da estabilidade, sustentando a perspectiva da terceira semana consecutiva de alta, impulsionados pela retomada das ações ligadas à inteligência artificial e pela desaceleração da inflação nos EUA, que reduziu as apostas de alta de juros pelo Fed em setembro.
O Dow Jones Futuro, porém, recua e caminha para fechar a semana no campo negativo.
Já as bolsas europeias têm desempenho misto nesta manhã, pressionadas pela retomada da alta do petróleo após novas ameaças dos EUA ao Irã.
No radar econômico, o PIB da zona do euro cresceu 0,4% no segundo trimestre, em linha com as projeções, após estagnação no trimestre anterior.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana com desempenho misto, com os ganhos apoiados pelo alívio nas expectativas para os juros nos Estados Unidos e pela recuperação das ações de tecnologia. Com o movimento, a região caminha para registrar sua melhor semana desde meados de junho. O Kospi liderou os ganhos, com alta de 2,42%, impulsionado pelas ações de fabricantes de chips.
- Quer acompanhar o mercado em tempo real e entender rapidamente o que pode impactar seus investimentos ao longo do dia? Conheça o Monitor+, a nova plataforma do Monitor do Mercado que reúne notícias minuto a minuto, análises, gráficos, comparadores e ferramentas em um só lugar. É a segunda tela perfeita para quem investe — e você pode testar aqui gratuitamente.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,07%
- FTSE 100: -0,15%
- CAC 40: -0,04%
- Nikkei 225: +0,59%
- Shanghai SE Comp: +0,01%
- Hang Seng: -1,10%
- Ouro (jun): +0,34%, a US$ por 4.435,50 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,37%, aos 99,59 pontos
- Bitcoin: -1,28% a US$ 62.873,3
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam mistos, após recuperarem parte das perdas da véspera. O mercado monitora o impasse sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e a escalada das ameaças dos EUA ao Irã.
O Brent/outubro recua 0,15%, cotado a US$ 86,94, enquanto o WTI/setembro sobe 0,32%, a US$ 81,51 - Minério de ferro: fechou em alta de 0,42% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 105,38/ton
Cenário internacional
Nos EUA, o mercado acompanha nesta sexta-feira a divulgação das vendas no varejo de julho, com expectativa de avanço de 0,1% na margem, após alta de 0,2% em junho. O dado ganha relevância após os números de CPI e PPI reduzirem as apostas de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro e outubro, tornando os indicadores de atividade e consumo ainda mais importantes para a formação das expectativas sobre a política monetária americana.
Às 11h, a Universidade de Michigan divulga a leitura preliminar de agosto do índice de sentimento do consumidor. A projeção aponta para uma queda a 54,5 pontos, ante 55,2 em julho. O mercado também acompanha as expectativas de inflação dos consumidores para os horizontes de um e cinco anos.
No comércio exterior, o presidente Donald Trump anunciou nesta quinta-feira a imposição de tarifas sobre importações de drones e componentes, incluindo produtos provenientes de alguns dos principais aliados dos Estados Unidos. Segundo Trump, o país estaria “muito dependente” de fornecedores estrangeiros desse tipo de equipamento.
A proclamação assinada pelo presidente estabelece uma tarifa de 100% sobre drones de determinados tamanhos ou que apresentem capacidades consideradas particularmente sensíveis à segurança nacional. Para drones menores, a alíquota será de 25%, segundo a Casa Branca.
Na China, os novos empréstimos bancários registraram uma queda inesperada em julho, em um sinal de demanda doméstica ainda enfraquecida por crédito. O volume ficou negativo em 340 bilhões de yuans, ante 1,61 trilhão de yuans em junho, de acordo com dados oficiais divulgados nesta sexta-feira.
Parte da retração é atribuída à sazonalidade, mas o resultado também reflete os efeitos persistentes da crise imobiliária sobre a demanda por financiamento. O movimento ocorre enquanto o banco central chinês busca reduzir a importância dos empréstimos como principal referência para avaliar as condições financeiras do país.
Brasil: Pnad contínua movimenta a agenda
No Brasil, o principal destaque econômico do dia é a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) trimestral, que traz os dados mais recentes sobre a taxa de desemprego no país.
A temporada de balanços corporativos perde intensidade após dois dias de forte concentração de resultados referentes ao segundo trimestre de 2026. Entre os destaques desta sexta-feira estão Vibra (VBBR4), Cosan (CSAN3), Copasa (CSMG3) e Ambipar (AMBP3).
No campo jurídico, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira permitir que indígenas Cinta Larga realizem atividades de garimpo de ouro, diamantes e outros minérios em uma área correspondente a até 1% de seu território. A autorização terá validade até que o Congresso Nacional estabeleça uma legislação específica e defina eventuais novos parâmetros para a exploração mineral.
A decisão foi tomada durante o julgamento de uma ação relacionada a garimpos ilegais em território Cinta Larga, localizado nos estados de Rondônia e Mato Grosso. O entendimento do STF também pode servir de referência para casos envolvendo outras terras indígenas.
Destaques do mercado corporativo
- Reddit: disparou mais de 12% no after hours após ser incluída no índice S&P 500.
- Embraer: distribuirá R$ 154 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,2163 por ação, com papéis ex em 22 de setembro.
- Axia: subscreveu R$ 1,5 bilhão em debêntures conversíveis da Eletronuclear para financiar a extensão da vida útil de Angra 1.
- Americanas: vendeu três das dez lojas deficitárias do Natural da Terra ao Oba Hortifruti, em operação de R$ 69,3 milhões.
- CVC: fundos da Apex venderam cerca de 17 milhões de ações, reduzindo sua participação de 15% para aproximadamente 11%.
- Cosan: formalizou a intenção de vender sua participação integral no TUP São Luís por R$ 300 milhões, com possibilidade de mais R$ 50 milhões em earn-out.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta sexta-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
O episódio de hoje já está no ar, nas principais plataformas de podcasts. Basta clicar na sua plataforma preferida para ouvir: Spotify; Deezer; Amazon Music; Podcasters. Ou ouvir clicando abaixo:











