Os mercados globais operam mistos nesta quinta-feira (27), em um início de sessão marcado pelo avanço das ações de tecnologia após os resultados da Nvidia e pela permanência das incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Em Nova York, os contratos futuros são sustentados pelo desempenho da fabricante de chips, que voltou a superar as expectativas do mercado e reforçou as apostas na continuidade dos investimentos em inteligência artificial.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quinta-feira (27), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
No front geopolítico, o Estreito de Ormuz continua fechado, apesar de sinais de avanço nas negociações entre Irã e Omã para tentar normalizar a circulação de embarcações e estabelecer a divisão das receitas provenientes da passagem. Na quarta-feira (26), a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que os dois países haviam chegado a um entendimento sobre a parcela das águas sob controle de cada um e sobre a distribuição das receitas. Posteriormente, porém, uma autoridade iraniana indicou que as partes ainda discutiam os detalhes de um possível acordo.
A situação mantém o tráfego marítimo sob pressão e prolonga as incertezas em torno de uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Paralelamente, o Catar tenta reabrir os canais diplomáticos entre Teerã e Washington. O primeiro-ministro catariano, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, visita a capital iraniana nesta quinta-feira, em uma iniciativa de mediação após a troca de acusações entre Estados Unidos e Irã e a ameaça de Washington de ampliar a pressão econômica sobre o país, inclusive por meio de sanções contra seus parceiros comerciais.
A viagem ocorre enquanto o conflito se aproxima do sexto mês. Os combates estão em grande parte interrompidos, mas as negociações ainda não produziram avanços diplomáticos capazes de destravar uma solução. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, Al Thani discutirá a continuidade dos esforços de mediação do Catar e outros desdobramentos da crise regional.
A liberdade de navegação pelo Estreito de Ormuz estará entre os temas da agenda. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Catar, o primeiro-ministro também defenderá o retorno à situação anterior a 28 de fevereiro e discutirá com autoridades iranianas alternativas para reduzir as tensões e criar condições para a retomada do diálogo.
Jackson Hole concentra apostas sobre os próximos passos do Fed
No campo monetário, os mercados seguem de olho no simpósio anual do Federal Reserve em Jackson Hole, no estado de Wyoming. O encontro começa nesta quinta-feira e se estende até sábado (29), com o primeiro grande discurso de Kevin Warsh como presidente do Fed previsto para sexta-feira (28). A fala será acompanhada de perto pelos mercados em busca de sinais sobre a condução dos juros americanos e a avaliação da autoridade sobre inflação, atividade econômica e condições financeiras.
O foco aumenta diante da alta dos rendimentos dos Treasuries, os títulos do governo dos Estados Unidos. Juros de mercado mais elevados podem endurecer as condições financeiras por conta própria, funcionando como parte do aperto monetário e reduzindo a necessidade de que o Fed eleve ainda mais suas taxas. A trajetória dos títulos, portanto, deve ser um dos pontos centrais para os investidores durante o encontro.
PLOA 2027 sinaliza ajuste fiscal e abre espaço para investimentos
No Brasil, o foco está no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que será encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional. A proposta deve indicar crescimento das despesas obrigatórias inferior ao limite real de 2,5% estabelecido pelo arcabouço fiscal, regra que determina uma trajetória para a evolução dos gastos públicos. O espaço resultante poderá permitir um aumento das despesas discricionárias — aquelas cuja alocação pode ser definida pelo governo, como investimentos.
A divulgação do PLOA deve reforçar a estratégia fiscal traçada para os próximos anos. O governo pretende sair de um déficit próximo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para um resultado positivo de 1,5% do PIB em 2030 no chamado resultado primário, que considera receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida. Para 2027, a proposta mantém a previsão de superávit primário de 0,5% do PIB, em linha com a meta estabelecida no planejamento orçamentário.
A peça também deve reafirmar, para os anos seguintes, uma trajetória de ajuste equivalente a 2 pontos porcentuais do PIB em um eventual quarto mandato, reforçando a perspectiva de melhora gradual do resultado das contas públicas.
Manchetes desta manhã
- Arrecadação com dividendo terá de quintuplicar para atingir meta do governo federal (Valor)
- Usuários relatam falhas no Caixa Tem e dificuldade para acessar contas nesta quinta (Folha)
- Petrobras antecipa resgate de cerca de US$ 1 bilhão em títulos globais que venceriam em 2028 (Estadão)
- Ministro do Planejamento calcula economia de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027 com ‘gatilhos’ para conter despesas (O Globo)
Mercado global tem desempenho misto com avanço das techs
Em Nova York, os índices futuros abriram mistos, com destaque para o desempenho positivo do Nasdaq, embalado pelo resultado da Nvidia, que superou as expectativas e renovou o otimismo dos investidores em relação ao ciclo de investimentos em inteligência artificial.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão sem direção única após a perspectiva da Nvidia renovar o otimismo com a inteligência artificial. O avanço, porém, foi limitado por custos mais altos de memória, inflação persistente e expectativa de novos aumentos de juros.
Em Seul, o Kospi avançou 1,53%, aos 6.912,37 pontos, impulsionado por Samsung e SK Hynix, mesmo após o Banco da Coreia elevar a taxa básica de juros para 3%, na segunda alta consecutiva.
No Japão, declarações do vice-presidente do BoJ, Ryozo Himino, reforçaram a possibilidade de uma nova alta já em setembro, enquanto os mercados de títulos seguem pressionando as ações de tecnologia.
Já as bolsas da Europa operam mistas, com predominância de perdas, diante da queda dos setores de bens de consumo, químicos e automotivo superando o impulso das ações de tecnologia, sustentadas pelo balanço acima do esperado da Nvidia.
Entre os destaques negativos, a Pernod Ricard recua 7,04% após reportar queda nas vendas líquidas anuais. Na contramão, o setor de tecnologia avança: ASML Holding sobe 1,44%, Infineon ganha 4,15% e STMicroelectronics avança 4,43%.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,42%
- FTSE 100: -0,47%
- CAC 40: -1,05%
- Nikkei 225: 0,20%
- Shanghai SE Comp: +1,13%
- Hang Seng: -0,34%
- Ouro (jun): -0,19%, a US$ por 4.644,24 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,07%, aos 99,22 pontos
- Bitcoin: _1,23% a US$ 79.307,4
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros do petróleo avançam nesta quinta-feira, após uma sequência de quedas, em meio à volatilidade provocada pelas incertezas sobre o Oriente Médio. Os investidores monitoram as negociações entre Irã e Omã para a navegação no Estreito de Ormuz, cuja reabertura segue no radar, mas ainda sem uma decisão concreta.
No cenário geopolítico, a atenção também se volta à guerra na Ucrânia, após relatos de que o presidente russo, Vladimir Putin, planeja ampliar o conflito.
O Brent/outubro avança 0,50%, cotado a US$ 88,28, enquanto o WTI/outubro sobe 0,01%, a US$ 82,24. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,28% em Dalian, na China, cotado a US$ 106,60/ton.
Cenário internacional: Trump amplia importação de carne bovina para conter preços nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira uma proclamação que amplia temporariamente a quantidade de carne bovina magra que pode ser importada pelo país. Segundo a Casa Branca, a medida busca conter a alta dos preços da proteína, que teriam “aumentado excessivamente” para os consumidores americanos.
A decisão, no entanto, enfrenta resistência do setor pecuário. A American Farm Bureau Federation, principal associação agrícola dos Estados Unidos, enviou uma carta a Trump alertando que a redução das tarifas de importação poderia prejudicar os pecuaristas americanos.
Brasil: Tesouro divulga resultado fiscal, enquanto BB renegocia dívidas do agro
Na agenda econômica brasileira, o destaque desta quinta-feira fica para a divulgação dos primeiros indicadores da semana sobre o mercado de trabalho. O principal dado será a taxa de desemprego, enquanto os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostram a criação e a destruição de postos formais, serão divulgados na sexta-feira.
O mercado de trabalho chega à nova rodada de indicadores com a taxa de desemprego em trajetória de queda. Segundo a Pnad Contínua, o indicador recuou para 5,3% em julho, ante 5,4% em junho.
Ainda na agenda desta quinta-feira, o mercado acompanha, às 15h30, a divulgação pelo Tesouro Nacional do resultado do Governo Central referente a julho. A mediana das projeções reunidas pelo Broadcast aponta para um superávit primário de R$ 11,1 bilhões. As estimativas variam de um déficit de R$ 25,2 bilhões a um superávit de R$ 25,9 bilhões. Em junho, o resultado havia sido negativo em R$ 48,178 bilhões.
No setor corporativo, o Banco do Brasil informou que iniciou nesta quarta-feira as renegociações de dívidas de produtores rurais por meio do programa de reestruturação lançado pelo governo federal no mês passado. A instituição estima que cerca de 113 mil clientes de sua carteira agro tenham operações potencialmente elegíveis à medida, envolvendo um volume de até R$ 100 bilhões.
Para o banco, a Medida Provisória 1.376 é um dos principais instrumentos para contribuir com a melhora das provisões relacionadas ao crédito do agronegócio nos próximos meses. A carteira vem sendo pressionada pelo aumento da inadimplência no segmento ao longo dos últimos trimestres.
No segundo trimestre, a inadimplência do agronegócio acima de 90 dias chegou a 6,27%, contra 3,16% um ano antes e 6,22% no trimestre imediatamente anterior. O indicador mostra a proporção das operações de crédito em atraso por mais de 90 dias e é acompanhado pelo mercado como referência para o risco da carteira.
Destaques do mercado corporativo
- Nubank: a cofundadora Cristina Junqueira vendeu 90 mil ações por US$ 1,33 milhão, a US$ 14,79 por papel, dentro de plano previamente estabelecido, e passou a deter cerca de 11,79 milhões de ações.
- Caixa: registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 5,9% em um ano, com margem financeira de R$ 19,7 bilhões e ROE de 9,16%.
- Oncoclínicas: a CVM determinou OPA para toda a base acionária em até 60 dias, com correção pela Selic desde novembro de 2024; a operação pode superar R$ 6,5 bilhões.
- Cemig: o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, decidiu indicar um novo CEO apenas três meses após a posse de Alexandre Ramos, com Marcio Nunes, ex-Copasa, apontado como favorito.
- Azevedo & Travassos: assinou a concessão da Rota Mogiana com o governo de São Paulo, projeto que prevê cerca de R$ 9,4 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos.
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