Os mercados globais iniciam a semana em clima de aversão ao risco, com os contratos futuros do petróleo avançando mais de 3% nesta segunda-feira (31), após os Estados Unidos atacarem lançadores de foguetes iranianos na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, reacendendo os temores de uma escalada do conflito no Oriente Médio e aumentando os riscos de pressão sobre a inflação global.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta segunda-feira (31), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Irã e Estados Unidos voltaram a trocar ataques na noite de domingo (30), pela primeira vez em mais de um mês, em uma sequência de ações que ameaça reabrir uma frente de conflito na região. Segundo o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA (CENTCOM), a ofensiva americana ocorreu após as forças dos EUA identificarem preparativos para o lançamento de foguetes equipados com minas no Estreito.
Na manhã desta segunda-feira, os Emirados Árabes Unidos também informaram ter interceptado um drone proveniente do Irã sobre suas águas territoriais. A nova rodada de confrontos ocorre poucos dias depois de o presidente Donald Trump afirmar que o Estreito de Ormuz estava livre de minas e representa uma mudança em relação à estratégia recente de Washington, que vinha priorizando o aumento da pressão econômica sobre Teerã.
“Não estamos buscando uma guerra… Mas, diante da agressão, nunca ficaremos de braços cruzados e somos capazes de dar uma resposta decisiva”, afirmou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian nesta segunda-feira, segundo a emissora estatal IRIB.
Enquanto isso, Irã e Omã seguem negociando uma proposta para a retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz. Mediadores regionais, entre eles o Catar, apoiam as tratativas. Autoridades iranianas, porém, têm associado repetidamente o futuro da navegação pelo estreito a negociações mais amplas com Washington e à evolução das questões de segurança regional.
No front econômico, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à Reuters no domingo que Washington provavelmente anunciará novas sanções econômicas secundárias contra o Irã semanalmente. Segundo ele, a estratégia começa pelos bancos, aos quais será sinalizado que não é aceitável manter recursos iranianos ou prestar auxílio ao regime.
Brasil: Orçamento de 2027 promete superávit; mercado avalia qualidade das contas
No Brasil, o governo encaminha nesta segunda-feira ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, com a promessa de entregar o primeiro superávit efetivo das contas públicas em anos. A proposta manterá a meta estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de superávit primário equivalente a 0,5% do PIB, ou R$ 73,2 bilhões.
Segundo antecipou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, em entrevistas à GloboNews, mesmo após a inclusão das despesas excluídas da meta, o resultado efetivo — ou “cheio” — deverá ficar positivo entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões, pouco acima de 0,1% do PIB. Moretti ressaltou que parte das despesas com precatórios ainda permanece fora da meta e vem sendo incorporada gradualmente, à proporção de 10% ao ano.
O ministro afirma ainda que, ao contrário de propostas orçamentárias anteriores, o PLOA de 2027 não dependerá da aprovação de novas medidas de arrecadação pelo Congresso para equilibrar as contas. Entre as receitas consideradas pelo governo estão cerca de R$ 20 bilhões provenientes do leilão de petróleo do pré-sal, que foi adiado de 2026. A equipe econômica diz ter utilizado premissas conservadoras, incluindo uma cotação do Brent próxima de US$ 70.
O limite do arcabouço fiscal deverá crescer 7,7%, enquanto as despesas obrigatórias sujeitas ao teto devem avançar entre 6,8% e 6,9%. Com isso, o governo estima abrir espaço para uma expansão de cerca de 20% nas despesas discricionárias — aquelas que incluem custeio e investimentos, como o Novo PAC.
A promessa de superávit efetivo, contudo, deve ser analisada com cautela pelo mercado diante do histórico de divergências entre as projeções orçamentárias e os resultados efetivamente registrados. O PLOA de 2024, por exemplo, estimava um superávit de R$ 2,84 bilhões, mas o ano terminou com déficit efetivo de R$ 43 bilhões.
Mais do que o número apresentado pelo governo, os investidores devem acompanhar a qualidade das receitas projetadas, a capacidade de execução das economias previstas e quanto do aumento estimado para as despesas discricionárias será, de fato, realizado.
Manchetes desta manhã
- BC enxuga US$ 10,5 bilhões de swap cambial sem diminuir reservas internacionais (Valor)
- Dizer que há crise fiscal é fake news, diz coordenador do programa de Lula (Folha)
- ‘Brasil pode levar até 30 anos para acumular ganho de produtividade e compensar fim da 6×1′, diz CNI (Estadão)
- Dívida pública sobe a 82,5% do PIB e atinge maior patamar desde abril de 2021 ( O Globo)
Mercado global tem desempenho misto com disparada do petróleo
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa, enquanto o petróleo avançava mais de 2%, após os EUA atacarem dois lançadores de foguetes iranianos na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz.
A maioria das bolsas europeias opera em queda, pressionada pela escalada do conflito entre EUA e Irã. O Brent avança mais de 2%, acima de US$ 90 por barril, elevando as ações do setor de energia: Repsol sobe 2,61% e TotalEnergies, 1,65%.
No cenário local, os mercados do Reino Unido permanecem fechados pelo feriado bancário de verão.
Já os mercados da Ásia encerraram o pregão desta segunda-feira sem direção única, ainda repercutindo o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole, que reforçou as apostas em alta de juros nos EUA em setembro, enquanto o petróleo avança com a escalada das tensões no Oriente Médio, ampliando os riscos de pressão sobre a inflação global.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,17%
- FTSE 100: +0,29%
- CAC 40: +0,13%
- Nikkei 225: -0,14%
- Shanghai SE Comp: +0,86%
- Hang Seng: -0,07%
- Ouro (jun): -0,69%, a US$ por 4.498,79 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,14%, aos 99,56 pontos
- Bitcoin: -0,85% a US$ 78.084,4
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros disparam mais de 3%, diante do temor de interrupções no fornecimento pelo Estreito de Ormuz após os EUA realizarem a primeira ação militar contra o Irã desde o final de julho.
O Brent/novembro sobe 3,21%, cotado a US$ 90,91, enquanto o WTI/outubro avança 3,43%, a US$ 86,26. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,76% Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 108,19/ton.
Cenário internacional: EUA ampliam pressão sobre a China e avançam sobre petróleo venezuelano
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que pretende incentivar o G20 a rever seus acordos com a China e pressionar Pequim a reduzir a dependência das exportações e estimular o consumo doméstico. Segundo ele, o atual nível de exportações chinesas é insustentável, embora a relação entre as duas maiores economias do mundo esteja “melhorando rapidamente”.
Washington também começou a detalhar um acordo com a Venezuela que poderá envolver a exploração de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo venezuelano nos próximos 15 anos. O presidente Donald Trump afirmou que empresas americanas terão participação majoritária no projeto, em uma iniciativa que busca revitalizar o setor energético venezuelano e ampliar a oferta de petróleo aos EUA, contribuindo para reduzir os preços dos combustíveis no país.
Na Europa, a deterioração fiscal e a instabilidade política da França elevaram o custo de financiamento do país a níveis próximos aos observados durante a crise financeira global. O rendimento do título francês de dez anos atingiu, na sexta-feira, o maior nível desde 2008.
Paris continua descumprindo as regras de déficit e dívida da União Europeia, enquanto a disputa pelo Orçamento de 2027 e a eleição presidencial serão importantes testes para a trajetória das contas públicas.
Brasil: Negociações sobre tarifas entram em nova rodada
No Brasil, o Relatório Focus voltou a reduzir levemente a projeção para o IPCA de 2026, de 5,02% para 5,01%, ainda acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. Para 2027, porém, a estimativa subiu de 4,25% para 4,28%.
Na agenda econômica, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa do Macro Day 2026, do BTG Pactual. Às 10h45, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, apresenta detalhes do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 no mesmo evento.
Nas relações Brasil-EUA, os negociadores dos dois países retomam nesta segunda-feira as discussões sobre o tarifaço, por determinação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A reunião virtual está marcada para 14h30 e terá a participação do ministro Márcio Elias Rosa e do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
No exterior, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20.
Destaques do mercado corporativo
- Casas Bahia: a Justiça de São Paulo antecipou os efeitos do stay period por 180 dias, suspendendo ações e execuções de credores.
- BRB: o STF liberou 23 imóveis dados em garantia de créditos vendidos pelo Banco Master ao banco, com André Mendonça determinando o cancelamento dos bloqueios sobre seis Cédulas de Crédito Bancário.
- Cemig: o governo de Minas indicou Márcio Augusto Vasconcelos Nunes para a presidência e Alexandre Ramos Peixoto para o conselho.
- Axia: acionistas aprovaram a incorporação de quatro controladas — Juno, Tijoá, Retiro Baixo Energética e Nova Era Janapu Transmissora — em movimento de simplificação societária.
- HBR Realty: convocou AGE para 18 de setembro para deliberar sobre oferta de permuta para adquirir o controle da Helbor e posteriormente fechar seu capital, com proposta de R$ 2,52 por ação em papéis da HBR.
- AgroGalaxy: voltou a adiar o resultado do 4º trimestre de 2025, para 30 de novembro, enquanto os balanços do 1º e 2º trimestres de 2026 foram postergados para 29 de janeiro e 26 de fevereiro de 2027.
- Correios: registrou prejuízo de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre, enquanto a perda acumulada no semestre aumentou para R$ 5,55 bilhões.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta segunda-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
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