O mercado acionário opera com forte baixa, o dólar tem ganhos acentuados e as taxas de juros operam mistas até o momento. Absorvendo as decisões dos bancos centrais nos Estados Unidos e no Brasil e diante do novo aumento nos preços dos combustíveis – criando um desgaste entre governo e a diretoria da Petrobras -, o Ibovespa despenca quase 4% e opera abaixo dos 99 mil pontos.
O mercado financeiro brasileiro absorve o desempenho de ontem no exterior, já que houve feriado no Brasil.
No boletim matinal da Mirae Asset, o economista-chefe Julio Hegedus Netto destaca que o para o presidente Joe Biden, a recessão não é inevitável e que o mercado doméstico abre no stress nesta sexta-feira, depois das ADRs terem despencado no dia anterior, de feriado. “Tudo porque o Fed resolveu agir mais hawkish, elevando o juro básico em 0,75 pp., a 1,75%. Por outro lado, Jerome
Powell, no discurso pós-reunião, levantou a hipótese de reduzir a magnitude do ajuste de juro em julho”, comentou.
Em relação ao cenário local, ele aponta que o comunicado mais duro do Copom, não sinalizando o fim do ciclo da Selic, e os embates no Congresso, considera a previsão do “inevitável” aumento dospreços de combustíveis pela Petrobras, apesar dos esforços contrários do governo contra isso, diante da defasagem de 14% na gasolina e 18% no diesel.
A SulAmérica investimentos disse em seu boletim matinal desta sexta-feira que a elevação da taxa Selic pelo Copom em 50 pb, para 13,25% ao ano, era esperada, e que, no comunicado, os destaques foram a sinalização de nova alta igual ou de menor magnitude para a reunião de agosto, o que surpreendeu a expectativa de que o Banco Central não se comprometesse com os próximos passos, e a inclusão das projeções de inflação de 2024, indicando um eventual alongamento do horizonte de convergência para tal ano.
Para Flávio Serrano, head de análise macroeconômica da Greenbay, a taxa de juro mais curta, com vencimento para 2024, opera em leve alta devido a decisão do FED, que decidiu elevar a taxa de juros norte-americana em 0,75 p.p., o maior aumento desde 1994, em linha com o que o mercado esperava.
O resto da curva opera em queda, segundo Serrano, porque o mercado entende que o ciclo de aumento da Selic está próximo do fim. O Copom decidiu elevar a taxa Selic de 12,75% ao ano para 13,25% ao ano.
Veja como estava o mercado por volta das 13h25 (de Brasília):
IBOVESPA: 98.838 pontos (-3,86%)
DÓLAR À VISTA: R$ 5,141 (+2,24%)
DI JAN 2023: 13,580 (+0,14%)
DI JAN 2024: 13,285 (-0,37%)
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