A falsificação de medicamentos sempre representou um desafio crítico para autoridades sanitárias em todo o mundo. Recentemente, no Brasil, a Anvisa, em uma ação conjunta com a Secretaria de Saúde do Ceará e a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), realizou operações para combater essa prática prejudicial, particularmente no estado do Ceará. A operação foi desencadeada após a descoberta de uma rede que distribuía versões falsificadas do medicamento Keytruda, utilizado no tratamento de várias formas de câncer.
O Keytruda, cujo princípio ativo é o pembrolizumabe, é um imunoterápico caro que tem mostrado eficiência em tratar tipos de câncer como melanoma e câncer de pulmão. A presença de versões falsificadas desse medicamento no mercado levanta preocupações não apenas em termos de eficácia, mas também em relação à segurança dos pacientes, uma vez que medicamentos não registrados podem provocar consequências médicas indesejadas.
Por que a falsificação de medicamentos é perigosa?

A falsificação de medicamentos acarreta riscos significativos à saúde pública. Medicamentos não registrados, como os encontrados na operação da Anvisa, não garantem procedência confiável ou condições adequadas de fabricação. Isso ocorre porque esses produtos não passam pelos testes rigorosos que asseguram eficácia e segurança.
Sem o registro sanitário adequadamente concedido, não há como verificar a composição e a qualidade do medicamento, tornando-o potencialmente prejudicial.
Quais foram os desafios enfrentados durante a operação?
Durante a investigação, os fiscais se depararam com obstáculos significativos. Em uma distribuidora regularizada suspeita de vender os medicamentos falsificados, a entrada foi inicialmente negada. Somente com um mandado judicial em mãos e apoio policial foi possível realizar uma inspeção completa.
Essa resistência por parte da distribuidora resultou em sua interdição temporária, enquanto as autoridades aprofundavam as investigações.
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O que a Anvisa descobriu sobre a distribuição?

Na inspeção, as autoridades encontraram caixas de medicamentos rotuladas em inglês, sem qualquer registro no Brasil, incluindo o Keytruda falsificado.
As notas fiscais apreendidas indicavam a venda desses produtos, levantando suspeitas de falsificação que podem ter origens internacionais. A natureza dessas descobertas aponta para uma operação de medicamentos falsificados que ultrapassa fronteiras nacionais, o que pode implicar em redes internacionais de falsificação.
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Como a Anvisa está combatendo essa ameaça?
Desde que tomou conhecimento das falsificações, a Anvisa adotou uma postura proativa, buscando imediatamente bloquear as vendas de lotes suspeitos. Além disso, colaborou com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para relatar casos de falsificações, especialmente daqueles que envolvem divergências na rotulagem e selos de segurança, como observado com o Keytruda. A agência também permanece alerta para novas denúncias, como verificável pelos casos em investigação em diferentes estados brasileiros.
A complexidade dos casos de falsificação requer uma resposta robusta e coordenada entre as diversas agências de saúde e segurança pública, ressaltando a importância de vigilância contínua e colaboração internacional para garantir que medicamentos disponíveis aos pacientes sejam tanto eficazes quanto seguros.


