Uma nova modalidade de estelionato digital está causando prejuízos enormes ao varejo e entregadores. Criminosos utilizam aplicativos ilegais que geram comprovantes de transferência bancária visualmente idênticos aos originais do Itaú, Nubank e Banco do Brasil, simulando pagamentos que nunca ocorreram.
A engenharia da imagem perfeita
Os aplicativos, vendidos em grupos de Telegram ou fóruns clandestinos, permitem que o golpista insira qualquer dado. Eles digitam o nome da loja, o valor da compra, a data e a hora, e o software gera uma imagem estática (screenshot) com as mesmas fontes, cores e logotipos do banco real.
A qualidade da falsificação é tão alta que engana facilmente o olho humano. Detalhes como o código de autenticação (aquele número longo no fim do comprovante) também são simulados aleatoriamente para dar uma aparência de legitimidade técnica ao documento forjado.
O golpe no delivery e presencial
No delivery, o cliente golpista envia o comprovante falso pelo WhatsApp da loja e o atendente libera o motoboy. Quando o entregador chega, entrega a comida ou produto, e o prejuízo só é percebido horas depois, ao fechar o caixa.
Presencialmente, o golpe ocorre quando o cliente finge que o cartão não passou ou que esqueceu a carteira. Ele se oferece para fazer um Pix na hora, mostra a tela do celular com a animação de “sucesso” do app falso e sai da loja com a mercadoria antes que o vendedor confira a conta.
A falha humana na conferência
O golpe explora a confiança e a pressa do comerciante. Em horários de pico, é comum que o caixa apenas “bata o olho” no comprovante mostrado na tela do cliente ou enviado por mensagem, assumindo que a transação foi efetivada.
O erro fatal é confiar na tela do pagador. A única confirmação real de pagamento é a notificação no aplicativo do banco do recebedor. Se o dinheiro não caiu na conta ou não apareceu no extrato oficial, o produto não deve ser liberado, não importa o quão convincente seja o comprovante.
O truque do “Agendamento”
Uma variação comum (mesmo sem app falso) é o cliente realizar um “agendamento” de Pix. A tela de agendamento é muito parecida com a de transferência concluída. O golpista mostra a tela, leva o produto e cancela o agendamento assim que sai da loja.
Apps falsos simulam até isso, mas com a mensagem de “Transferência Realizada”. É vital treinar a equipe para ler cada palavra do comprovante e, principalmente, ignorar o papel/tela e focar no saldo da conta da empresa.
Para proteger suas contas bancárias em casos de furto de celular, destacamos as dicas do canal VKTR Tech. No vídeo a seguir, os especialistas explicam visualmente como a substituição do chip físico pelo chip virtual (eSIM) pode impedir que criminosos acessem suas redes sociais e aplicativos financeiros:
Como se proteger da fraude
A regra de ouro é: “Comprovante não é dinheiro”. Lojistas devem instruir seus funcionários a conferirem o saldo da conta bancária antes de qualquer liberação de mercadoria de alto valor.
Dicas de segurança para o comércio:
- Conferência: Tenha o app do banco aberto em um celular exclusivo do caixa.
- Som: Ative as notificações sonoras de recebimento de Pix.
- Interação: Tente dar zoom ou rolar a tela do cliente. Apps falsos muitas vezes travam ou são apenas imagens estáticas (prints).
Treine sua equipe para identificar os sinais de alerta no momento do pagamento:
⚠️ Protocolo Anti-Golpe
- 📱 Olhe a SUA tela: Nunca confie na tela do celular do cliente. Olhe o extrato no celular da loja.
- 🕒 Delay do Pix: O Pix demora no máximo 10 segundos. Se não caiu, não entregue.
- 🔍 Autenticação: Todo Pix real tem um ID de transação único que pode ser rastreado.
Veja alertas de segurança no site do Banco Central.


