Os pavimentos fotovoltaicos, como os módulos texturizados Wattway, tentam transformar trechos viários em superfícies capazes de gerar eletricidade local. A proposta interessa à transição energética, mas envolve riscos de durabilidade, segurança, manutenção, valor público e desempenho inferior ao de painéis solares convencionais.
O que são pavimentos fotovoltaicos aplicados em malhas viárias?
Pavimentos fotovoltaicos são módulos solares reforçados, instalados sobre superfícies de circulação, como vias, ciclovias, estacionamentos e acostamentos. O sistema precisa gerar eletricidade sem perder aderência, resistência mecânica, drenagem e segurança para o tráfego de veículos.
A tecnologia Wattway, desenvolvida pela Colas em parceria com o INES, utiliza placas fotovoltaicas protegidas por resina texturizada. Segundo o Instituto Nacional de Energia Solar da França, as lajes Wattway receberam certificação IEC para módulos fotovoltaicos de pavimento circulável.

Como a França testou estradas solares em escala real?
O caso mais conhecido ocorreu em Tourouvre-au-Perche, na Normandia, onde a primeira rota solar Wattway de um quilômetro foi inaugurada em 2016. O projeto foi financiado pelo Ministério do Meio Ambiente da França como experimento de infraestrutura energética.
O próprio ministério informou que a via seria conectada à rede elétrica e usada como teste de geração solar em estrada pública. Esse caráter experimental é essencial: não se trata de substituição ampla do asfalto europeu, mas de avaliação técnica.
Quem tem interesse em engenharia e sustentabilidade, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal COLAS, que conta com mais de 4,2 mil visualizações, onde a equipe mostra os testes práticos do pavimento solar Wattway:
Por que a eficiência energética pode ser menor que em painéis convencionais?
Em telhados ou usinas solares, os painéis podem ser inclinados e orientados para captar melhor a luz. No pavimento, os módulos ficam horizontais, recebem sombra de veículos, sujeira, desgaste por pneus e perdas por aquecimento superficial.
Além disso, a superfície precisa priorizar tráfego seguro, não apenas geração. Textura antiderrapante, resistência a impacto e camadas protetoras reduzem a exposição direta das células solares, o que pode limitar a eficiência em comparação com instalações elevadas.
A energia gerada pode derreter neve no inverno?
Em teoria, a eletricidade produzida por pavimentos solares pode alimentar resistências, sensores, iluminação ou sistemas de degelo. Porém, usar a própria via fotovoltaica para derreter neve exige balanço energético rigoroso, porque neve acumulada também bloqueia a captação solar.
Em climas frios, o degelo pode ser útil em pontos específicos, como acessos, ciclovias, pedágios ou rampas. Em rodovias extensas, a solução depende de licenciamento, armazenamento, conexão elétrica, manutenção e comparação com métodos tradicionais de remoção.

Quais cuidados técnicos devem orientar esse tipo de obra?
A aplicação em vias públicas exige análise de tráfego, aderência, drenagem, sombreamento, manutenção e integração elétrica. O documento técnico deve demonstrar segurança para usuários, resistência ao desgaste, proteção contra choques, destino da energia e responsabilidade por falhas.
Cuidados essenciais antes de implantar pavimentos fotovoltaicos em vias europeias:
- Confirmar certificações técnicas dos módulos e do sistema elétrico.
- Avaliar tráfego, carga por eixo, frenagem e risco de derrapagem.
- Medir sombreamento, sujeira, neve, água e desgaste por pneus.
- Comparar geração esperada com painéis solares convencionais.
- Prever limpeza, substituição de placas e interrupções de pista.
- Definir alíquota, tributos, garantias e regras de contratação pública quando houver investimento estatal.
Esse modelo pode transformar o asfalto em usina descentralizada?
O conceito pode ampliar geração distribuída em espaços já impermeabilizados, especialmente onde telhados e terrenos livres são limitados. Estacionamentos, acostamentos técnicos e ciclovias tendem a ser aplicações mais controláveis que faixas rodoviárias de tráfego intenso.
Ainda assim, chamar toda malha viária de usina descentralizada seria impreciso. A tecnologia permanece mais promissora como solução complementar, localizada e monitorada, dentro de políticas públicas de energia solar, mobilidade e infraestrutura resiliente, não como substituta universal do asfalto.











