A Recuperação Avançada de Petróleo com CO₂, conhecida como EOR, injeta dióxido de carbono capturado em reservatórios maduros para mobilizar óleo residual. A técnica pode aumentar produção e armazenar parte do gás no subsolo, mas exige controle geológico, climático e operacional rigoroso.
Como o CO₂ aumenta a recuperação de petróleo em poços maduros?
Na EOR, o CO₂ é comprimido e injetado no reservatório para interagir com o óleo remanescente. Em certas condições de pressão e temperatura, ele reduz a viscosidade do óleo, melhora sua mobilidade e facilita o deslocamento até poços produtores.
A Agência Internacional de Energia explica que o CO₂-EOR é usado comercialmente há décadas para aumentar a recuperação em campos de petróleo. Para contar como armazenamento permanente, porém, a operação precisa mudar para um modelo focado em retenção de CO₂.

Por que o estado supercrítico do CO₂ é tão importante?
O CO₂ supercrítico ocorre acima de condições críticas de pressão e temperatura, quando combina propriedades de gás e líquido. Nesse estado, ele penetra poros da rocha com facilidade, interage com hidrocarbonetos e pode aumentar eficiência do deslocamento do óleo.
Esse comportamento pertence à geoquímica de fluidos em reservatórios. O IPCC descreve a captura e armazenamento de carbono como processo que envolve captura, transporte e injeção de CO₂ em formações geológicas adequadas, com monitoramento para reduzir riscos de vazamento.
O gás fica realmente aprisionado no subsolo?
Parte do CO₂ pode permanecer presa por mecanismos físicos e geoquímicos, como aprisionamento estrutural, residual, dissolução em fluidos e reações minerais. Em EOR, outra parte pode retornar com óleo e gás produzidos, exigindo separação, recompressão e reinjeção.
Por isso, EOR não equivale automaticamente a CCS climático. A IEA afirma que qualificar CO₂-EOR como armazenamento permanente é possível, mas exige atividades adicionais, foco em maximizar armazenamento e verificação de longo prazo, elevando custos.
Quais cuidados evitam vazamentos e falsas reduções de emissões?
Antes de classificar EOR com CO₂ como solução climática, o operador precisa comprovar captura, transporte, injeção, retenção e balanço líquido de emissões. O objetivo não pode ser apenas produzir mais petróleo. A operação precisa demonstrar que o carbono permanece armazenado com segurança e rastreabilidade verificável:
- Caracterizar porosidade, permeabilidade, falhas, selos e pressão do reservatório.
- Monitorar poços antigos, cimentação, integridade mecânica e risco de migração.
- Medir CO₂ injetado, produzido, separado, recomprimido e reinjetado.
- Exigir documento técnico de MRV, com medição, relato e verificação.
- Comparar emissões totais, incluindo energia de captura, compressão e transporte.

Como o CCS se conecta à indústria pesada?
Indústrias de cimento, aço, fertilizantes, refino e geração térmica podem capturar CO₂ em correntes concentradas e enviá-lo por dutos até campos maduros. Essa conexão permite criar infraestrutura compartilhada de captura, transporte, uso e armazenamento geológico.
A IEA informa que cerca de 45 instalações comerciais de CCUS já operam em processos industriais, transformação de combustíveis e geração elétrica. Também aponta crescimento recente de projetos anunciados, embora a implantação global ainda esteja abaixo do necessário.
Essa técnica reduz emissões ou prolonga a dependência do petróleo?
A resposta depende do projeto. Se o CO₂ for capturado de fonte industrial, medido, reinjetado e retido com verificação, pode haver benefício climático. Se a operação apenas aumenta produção sem armazenamento líquido comprovado, o ganho ambiental fica questionável.
O IPCC reconhece o potencial do CCS para mitigação, mas a técnica precisa ser integrada a reduções reais de emissões. No caso do EOR, a governança deve impedir que recuperação adicional de petróleo substitua descarbonização, eficiência e energias limpas.











