A crescente instabilidade no sistema de previdência pública brasileira, com previsões alarmantes para o futuro do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), tem levado muitos investidores a buscar alternativas na previdência privada.
De acordo com um estudo recente do Jornal O Globo, até 2070 o Brasil terá apenas um contribuinte para cada beneficiário do INSS, tornando a sustentabilidade do sistema inviável. Atualmente, há quatro contribuintes para cada aposentado.
No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, conta como as mudanças recentes permitiram que os fundos de previdência privados façam investimentos cada vez mais arrojados e cheguem a novos públicos.
Previdência privada: uma alternativa viável?
Diante dessa realidade, fundos de previdência privada têm se tornado uma opção atraente para quem busca segurança financeira na aposentadoria. Desde 2015, o setor passou por várias mudanças que flexibilizaram as regras dos fundos, permitindo investimentos em uma gama maior de ativos, como ações, renda fixa e até criptomoedas.
Além disso, a consultoria Elos Ayta apontou um crescimento no número de fundos de previdência. Em 2020, havia 2.830 fundos de previdência em operação. Em 2023, esse número ultrapassou 4.200, refletindo a maior demanda e interesse dos gestores por esse tipo de investimento.
Benefícios tributários e sucessão patrimonial
A previdência privada também oferece benefícios tributários, como a isenção do ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação) em alguns casos, o que a torna atraente do ponto de vista sucessório. Fundos de previdência também podem ser transmitidos diretamente aos herdeiros, sem a necessidade de inventário, reduzindo o tempo e o custo do processo de sucessão.
Entretanto, é importante destacar que a incidência de ITCMD em fundos de previdência está em discussão no legislativo e judiciário, e mudanças podem ocorrer. Mesmo assim, muitos investidores têm aproveitado o atual cenário para migrar seus recursos de fundos exclusivos, recentemente taxados, para fundos de previdência privada, aproveitando o momento de flexibilização.
Planejamento é essencial
Apesar das vantagens, é necessário um planejamento cuidadoso para escolher o tipo de fundo mais adequado. Existem diferentes modalidades, como PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), cada uma com regras de tributação específicas. Também é preciso avaliar o prazo de investimento e os objetivos pessoais, seja para aposentadoria ou sucessão patrimonial.