A agência de classificação de risco Fitch Ratings atribuiu, hoje, a nota de crédito em escala nacional de longo AAA(bra), com perspectiva estável, e o nacional de curto prazo F1+ da Itaúsa e, ao mesmo tempo, o rating nacional de longo prazo AAA à quinta emissão de debêntures da companhia.
As debêntures totalizam R$ 3,5 bilhões e foram emitidas em 8 de agosto de 2022 em duas séries a primeira no valor de R$ 2,5 bilhões e a segunda, no valor de R$ 1,0 bilhão. As debêntures são simples, não conversíveis em ações, e têm prazo de 36 meses a partir da data de emissão. As duas séries pagam juros anualmente e principal no vencimento. Os recursos foram utilizados para financiar a aquisição de participação acionária na CCR, reforço de caixa e pagamento de custos e despesas relacionados às atividades da companhia.

Segundo a Fitch, os ratings nacionais da Itaúsa são apoiados principalmente pela força de seu perfil de negócios, altamente ligado ao de sua principal investida, o Itaú Unibanco (BB/Estável AAA(bra)/Estável), responsável por aproximadamente 80% dos investimentos e 85% do resultado recorrente de equivalência patrimonial das investidas da Itaúsa no primeiro semestre de 2022. “O sólido perfil de crédito do Itaú Unibanco, particularmente em função de sua liderança no setor bancário privado nacional e de seu modelo de negócios altamente diversificado, adiciona importante elemento de estabilidade para o perfil de crédito da holding”, diz a nota.
No entanto, a alta exposição da Itaúsa ao setor financeiro doméstico significa que os ratings também são altamente influenciados pela avaliação da Fitch sobre o ambiente operacional bancário, já que um enfraquecimento das condições econômicas do país pode resultar em pressões adicionais sobre os perfis de crédito dos bancos brasileiros.
Os ratings incorporam também o forte perfil de capitalização e alavancagem da Itaúsa que, combinado à robustez do portfólio e do perfil financeiro das investidas, resulta em adequada previsibilidade de dividendos e mitiga eventuais pressões sobre sua liquidez.
As classificações refletem ainda a execução de metas estratégicas claras e bem definidas, que incluem diversificação incremental de negócios no setor não financeiro e compromisso de longo prazo com uma alavancagem financeira baixa, além de equipe de administração altamente experiente e infraestruturas de riscos e controles bem articuladas. A alta liquidez de suas participações, a maioria em entidades listadas em bolsa, geram flexibilidade financeira adicional à gestão de liquidez da companhia, o que também foi considerado na avaliação.
Ao final de junho de 2022, a Itaúsa detinha um portfólio de ativos de R$ 72 bilhões de valor contábil, que, apesar de mais diversificado que o dos últimos anos, é altamente concentrado no Itaú Unibanco, instituição bancária privada líder do país.
Em que pese tal concentração, a Fitch vê como positivo o reposicionamento estratégico da Itaúsa, o qual busca fortalecer seu perfil de negócios através de fontes alternativas de liquidez.
“A adição de investidas não ligadas ao setor financeiro nos últimos anos, juntamente à intenção estratégica de desinvestir toda a sua participação na plataforma de investimentos XP Inc. (BB-/Estável médio-longo prazo. O setor financeiro, porém, deve permanecer altamente liderado pelo banco”, avalia a Fitch.
A Fitch estima alavancagem (dívida bruta/patrimônio tangível) de aproximadamente 11% para o final de 2022. O percentual, apesar de superior à média de 4% dos últimos quatro anos, em função do aumento do endividamento para financiar aquisições, permanece baixo e bem gerenciado, com adequada capacidade para suportar choques de mercado severos.
A avaliação da Fitch sobre a capitalização considera que a alavancagem da holding se acomodará próxima a 8% ao final de 2024. Este cenário assume moderada resiliência de resultados das investidas, política de distribuição de dividendos que continuará em patamares próximos do mínimo estatutário e comprometimento da administração com o conservadorismo da disciplina financeira. A decisão estratégia de desinvestimento na XP Inc. apoiará a execução desse plano.
“A bem administrada situação patrimonial da Itaúsa é apoiada por seu bom histórico de geração interna de capital e resiliência do lucro de suas investidas. Nos primeiros seis meses de 2022, os dividendos recebidos, combinados às receitas financeiras e valor da venda de ativos, eram suficientes para cobrir em aproximadamente 12 vezes as despesas com juros da dívida da Itaúsa no período”, comenta a agência de classificação de risco.
A forte franquia bancária de sua principal investida, Itaú Unibanco, tem proporcionado adequada estabilidade à distribuição de dividendos ao longo de vários ciclos. As demais investidas não financeiras têm participação relativa menor na geração de fluxo de caixa da Itaúsa, mas em geral possuem franquias líderes em seus respectivos setores ou atuam em mercados com alto potencial de crescimento.
A liquidez da Itaúsa é ainda suportada pelo baixo risco de refinanciamento. Após a quinta emissão de debêntures, realizada em agosto de 2022, no total de R$ 3,5 bilhões (para financiar os R$ 2,9 bilhões da compra da CCR), e as vendas adicionais de participação na XP Inc nos últimos meses, no valor de R$ 1,3 bilhão, a liqudez contempla caixa de R$ 3,1 bilhões, que cobre com folga os R$ 800 milhões de dívidas a vencer até o final de 2024.
“A alta liquidez e o valor de mercado de suas participações (de aproximadamente R$124 bilhões em outubro de 2022), combinados ao bom acesso a mercado da holding, são alavancas importantes para gerenciar sua liquidez em um eventual cenário de estresse”, finaliza.

Cynara Escobar / Agência CMA
Imagem: divulgação
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