O mercado de planos de saúde no Brasil começa a mostrar sinais de recuperação, mas ainda está longe de retomar os níveis pré-pandemia, segundo dados recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) compilados pela Folha de S.Paulo, e análises de associações do setor.
No acumulado até o terceiro trimestre do ano passado, as operadoras de planos de saúde registraram lucro operacional de R$ 3 bilhões, revertendo dois anos de prejuízo. Apesar do avanço, 44% das operadoras ainda operam no vermelho, uma alta em relação aos 33% registrados em 2019, segundo a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).
Segundo o presidente da Abramge, Gustavo Ribeiro, mesmo com a recuperação, o setor segue longe do cenário ideal. “Ainda que o lucro tenha retornado, quase metade do setor continua em prejuízo operacional”, disse ele em entrevista à Folha.
Ele destaca que o desempenho positivo foi sustentado, na maioria, pelos rendimentos de aplicações financeiras, que totalizaram R$ 6,9 bilhões até setembro de 2024, quase igualando o recorde do ano anterior.
Sinistralidade é a menor desde 2020
A sinistralidade, que mede a proporção da receita de mensalidades usada para despesas assistenciais, caiu de 90,3% em 2022 para 84,3% em 2024, a menor taxa desde 2020. Essa melhora é atribuída ao combate a fraudes e ao ajuste de custos pelas operadoras.
As práticas de cancelamento unilateral de planos coletivos, conhecidas como “higienização de carteira”, ainda geram críticas. Essa prática afeta especialmente usuários com custos mais elevados, gerando questionamentos sobre a transparência e ética no setor.
ANS implementa regras mais rigorosas
A partir deste ano, com base na Resolução Normativa 585/2023, a ANS promoverá mudanças significativas para os planos de saúde, visando aumentar a transparência e melhorar o atendimento aos consumidores.
Entre as principais alterações, destaca-se a ampliação da portabilidade de carências, permitindo que os beneficiários troquem de plano sem cumprir prazos mínimos de permanência ou restrições por faixa de preço. Além disso, qualquer mudança na rede de hospitais ou serviços de urgência deve ser comunicada com antecedência mínima de 30 dias.
Outra novidade é que os consumidores terão garantido o direito à portabilidade em caso de alterações na rede hospitalar, tanto no município de residência quanto no de contratação do plano. Para as operadoras, a nova norma autoriza a exclusão de hospitais menos utilizados, desde que substituídos por prestadores de referência, com serviços qualificados.
Essas mudanças buscam garantir que as operadoras atendam às demandas dos consumidores com mais clareza, estabelecendo critérios rigorosos para alterações na rede e oferecendo maior flexibilidade na escolha dos planos.











