A Sabesp (SBSP3) registrou lucro líquido contábil de R$ 1,48 bilhão no primeiro trimestre de 2025, alta de 80% em relação ao mesmo período de 2024. Este é o segundo balanço divulgado sob a nova gestão, que assumiu a companhia em outubro de 2024, após o processo de privatização.
O Ebitda ajustado somou R$ 3 bilhões no período, com avanço anual de 17,1% e margem de 55,4%. A receita líquida ajustada foi de R$ 5,43 bilhões, alta de 3,9% em um ano.
Segundo o CFO Daniel Szlak, o lucro foi impulsionado por um efeito não recorrente da bifurcação de ativo financeiro. “Não esperamos manter esse ritmo, mas o trimestre foi muito bom”, afirmou.
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O resultado, no entanto, não foi o suficiente para sustentar uma alta nas ações no início do pregão desta terça-feira (13). Os papéis SBSP3 operam em queda de 1,25%, cotado a R$ 112,09. Às 11h30, o papel registrava a quarta maior queda do Ibovespa.
Corte de custos e reajuste tarifário sustentam desempenho
Szlak atribui o resultado ao reajuste tarifário e às medidas de controle de despesas, incluindo cortes em custos administrativos e de pessoal. Outros fatores foram a extinção de descontos a grandes consumidores e o recebimento de precatórios.
O executivo destacou que a privatização contribuiu para acelerar processos e aumentar a eficiência, ainda que os ganhos devam vir de forma gradual. Operacionalmente, a Sabesp cresceu 4% na produção de água e registrou aumento nas conexões de água e esgoto.
Investimentos da Sabesp mais que dobraram
A Sabesp investiu R$ 2,85 bilhões entre janeiro e março, mais que o dobro dos R$ 1,42 bilhão do mesmo período de 2024. O foco está na expansão da rede, tratamento, modernização e atendimento a regiões vulneráveis.
O plano de universalização, que prevê R$ 70 bilhões até 2029, avança com a contratação de 90 novos projetos, que somam R$ 25 bilhões.
Entre as entregas do trimestre estão 67 km de redes coletoras de esgoto, 15 km de interceptores e o aumento na capacidade de tratamento, equivalente à remoção de 12 piscinas olímpicas de esgoto do Rio Tietê por mês.
Programa de recompra e expansão de fornecedores
A companhia anunciou a recompra de até 6,9 milhões de ações, cerca de 1% do total em circulação, com prazo até novembro de 2026. O objetivo é cumprir planos de incentivo de longo prazo.
Desde outubro, a Sabesp triplicou o número de fornecedores de obras e serviços — de 30 para 90 — como forma de minimizar riscos e acompanhar o volume crescente de investimentos. “Era muita obra para pouco fornecedor”, explicou Szlak.
A diversificação de fornecedores também ampliou o poder de barganha da empresa. A Sabesp passou a agrupar obras com diferentes margens para atrair mais interessados. “Temos visto alguns ganhos em obras maiores, nas menores o cenário é mais misto”, disse o CFO.
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Citi vê bons sinais, mas receita abaixo do esperado
O Citi avaliou que a receita líquida de R$ 5,43 bilhões ficou 6,2% abaixo do esperado, mas 4,6% acima do resultado do ano anterior. O banco destacou que a Sabesp eliminou cerca de R$ 100 milhões em descontos a grandes clientes.
O Ebitda superou as expectativas, puxado por cortes de custos, especialmente em pessoal. Já o lucro líquido ajustado (R$ 1,176 bilhão) veio levemente abaixo da estimativa devido a despesas financeiras acima do esperado.
O banco mantém recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 131 — potencial de alta de 15,4%. O Citi vê a empresa como consolidada para liderar a universalização em um setor ainda dominado por estatais.












