Seis milhões de brasileiros saíram da miséria nos últimos dois anos, aponta um estudo do FGV Social coordenado pelo economista Marcelo Neri. O aumento é resultado de um mercado de trabalho mais aquecido e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.
Com a renda das famílias entre os 5% mais pobres do país crescendo 17,6% em 2024, já descontada a inflação, o mercado financeiro começou um movimento de rotação que fez a Bolsa brasileira disparar e atingir sua máxima histórica.
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No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, conecta os dados da economia real com os movimentos da Bolsa e das ações de grandes bancos como Bradesco e Itaú. Confira:
Dados do Ministério do Desenvolvimento Social indicam que 75% das vagas formais criadas no ano passado foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família.
Apesar do avanço, a renda média mensal dessas famílias é de R$ 154 por pessoa — o equivalente a cerca de quatro combos de fast food por mês. Ou seja, o grupo ainda enfrenta condições de pobreza, embora em menor grau que há dois anos.
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No agregado da população, a renda média dos brasileiros também cresceu: alta de 4,7% entre 2023 e 2024, pouco abaixo da inflação oficial de 4,83% no período. No entanto, os últimos 12 meses registraram inflação de 5,5%, pressionando o poder de compra.
Consumo dos brasileiros impulsiona Bolsa
O fortalecimento da base da pirâmide tem atraído a atenção dos grandes fundos de investimento, que começam a migrar recursos de setores ligados a commodities para empresas com foco no mercado interno.
O setor bancário já sinalizou esse movimento. Itaú e Bradesco, por exemplo, ampliaram a oferta de crédito aos brasileiros mesmo em um ambiente de juros altos e mantiveram os índices de inadimplência sob controle. Isso mostra que as instituições estão adaptadas à nova dinâmica de consumo.
Além disso, o mercado começa a precificar o fim do ciclo de juros elevados. A expectativa é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) interrompa os aumentos da Selic, atualmente em 14,75% ao ano, e inicie um processo de corte nos próximos meses.
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Segundo Vasconcellos, esse cenário favorece setores que dependem do crédito e do consumo, como bancos, varejo e energia. Empresas com estrutura sólida e foco no consumidor interno podem sair na frente quando a economia ganhar tração.










