A nova Medida Provisória (MP 1.303), que acaba com a isenção de Imposto de Renda para investimentos como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas, é mais um passo da corrida do governo para aumentar a arrecadação antes de um colapso fiscal anunciado.
Segundo o jornalista e CEO do Monitor do Mercado, Marcos de Vasconcellos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem no colo uma verdadeira bomba-relógio fiscal programada para explodir em 2027 — e o governo já tem consciência disso.
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No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Vasconcellos explica que os chamados “coelhos da cartola” têm sido a principal estratégia para lidar com a falta de espaço no orçamento federal. Mas, segundo ele, “a mágica tem seus limites”. Confira:
A conta não fecha
De acordo com projeções do próprio governo, a partir de 2027, os gastos obrigatórios — como salários do funcionalismo e aposentadorias — devem consumir quase toda a arrecadação, deixando pouco ou nenhum espaço para investimentos.
“Não é à toa que o governo tenta aprovar tudo a toque de caixa. Eles sabem que a conta explode logo depois da eleição presidencial”, alerta Vasconcellos no vídeo.
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A Medida Provisória prevê, por exemplo, o fim da isenção de IR para papéis do setor imobiliário e do agronegócio a partir de 2026, com alíquota de 5%. Além disso, o novo pacote inclui aumento de imposto sobre apostas online (as “bets”) e fim de incentivos para fintechs.
O risco dos precatórios
Outro alerta feito por Vasconcellos diz respeito aos precatórios, dívidas judiciais do governo com empresas e cidadãos. Uma decisão do STF exige que esses pagamentos sejam retomados integralmente em 2027 — justamente no ano da bomba fiscal.
“A aposta do governo pode ser tentar mais uma PEC para empurrar esse problema para frente. Mas isso seria repetir o truque do passado e empurrar a crise, mais uma vez”, diz o jornalista.
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Especialistas divergem sobre fiscal
O tema foi debatido no evento do Monitor do Mercado com a presença do ex-ministro Maílson da Nóbrega e da subsecretária de Política Fiscal, Débora Freire.
- Maílson classificou o cenário como de colapso fiscal inevitável, mas destacou que o Brasil já mostrou força política para aprovar reformas.
- Já Débora Freire minimizou os riscos e afirmou que o arcabouço fiscal está funcionando e que “não dá para falar em catástrofe iminente”.
A divergência é nítida — e o impacto no bolso dos brasileiros também. Para Vasconcellos, além de prejudicar a atratividade dos investimentos isentos, as medidas podem encarecer o crédito, reduzir o retorno de aplicações conservadoras e afastar investidores.











