A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ter impacto reduzido sobre o crescimento econômico do Brasil. A avaliação é do Fundo Monetário Internacional (FMI), que ainda calcula os efeitos do anúncio feito pelo governo Donald Trump.
Segundo André Roncaglia, Diretor-Executivo do Brasil no FMI, o efeito sobre o Produto Interno Bruto (PIB) está “na casa dos decimais”, ou seja, muito abaixo de 1%. “Não é um efeito que vai bater 1%, 2% do PIB, é bem menor do que isso”, afirmou Roncaglia, em entrevista ao Valor Econômico.
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Tarifa dos EUA não influencia projeções do FMI
Apesar do tarifaço, o FMI manteve em 2,3% a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2025. Para o próximo ano, a estimativa é de alta de 2,1%.
Esses dados constam no relatório anual do Fundo sobre a economia do Brasil, divulgado nesta quinta-feira (17), após visitas regulares da equipe técnica às autoridades brasileiras.
O documento considera apenas o cenário tarifário de 2 de abril, quando as medidas foram anunciadas inicialmente. Mesmo assim, a área de pesquisa do Fundo já está trabalhando para dimensionar o impacto do anúncio mais recente.
De acordo com Roncaglia, a economia brasileira tem baixa dependência comercial em relação aos Estados Unidos, o que limita os efeitos da nova tarifa.
“A estimativa é que, para este ano, se houver algum efeito, será muito pequeno, quase marginal. No próximo ano, o impacto será um pouco maior, mas ainda dentro de uma faixa que não é preocupante”, avaliou o diretor.
Inflação e política monetária
O FMI projeta que a inflação brasileira deve encerrar 2025 em 5,2%, com convergência gradual para a meta de 3% até o final de 2027. Roncaglia destaca que o balanço de riscos é positivo para esse processo de desaceleração inflacionária.
Contudo, ele alertou que a continuidade da queda da taxa básica de juros, a Selic, depende do avanço da consolidação fiscal. Caso contrário, o ciclo de cortes pode ser interrompido.
A Selic influencia diretamente o custo do crédito e o retorno dos investimentos em renda fixa. Se houver incerteza fiscal, o Banco Central tende a manter os juros em patamar elevado por mais tempo para controlar a inflação.
Dívida pública exige esforço fiscal
O diretor do FMI afirmou que será necessário um esforço fiscal de quase 2% do PIB para estabilizar a relação dívida/PIB brasileira.
Segundo as projeções do Fundo, essa relação pode atingir o pico de 99% em 2029, o que reforça a importância do controle das contas públicas.
“Essa tarefa exigirá o engajamento de todos os Poderes. Não é um esforço apenas do Executivo Federal, mas das autoridades como um todo”, destacou.
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Alternativas ao impacto da tarifa comercial
Embora o impacto direto da tarifa seja limitado, Roncaglia ressalta que o Brasil tem a oportunidade de reagir estrategicamente à guerra tarifária.
Entre os caminhos possíveis estão a conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e o avanço de parcerias comerciais com países da América Latina.
“Existe um potencial imenso de ganhos de produtividade e de melhorias nas trocas comerciais dentro da região”, conclui.











