O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), registrou queda relevante de 2,05% no pregão desta superquarta (29), aos 184.750,42 pontos, somando a sexta sessão consecutiva de perdas.
O movimento refletiu a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos inalterada e a entrevista de Jerome Powell sobre o fortalecimento das perspectivas de inflação no curto prazo, impactadas pelos efeitos do conflito no Oriente Médio.
Impulsionadas pela alta nos preços do petróleo, as ações da Petrobras registraram alta de 3,16% (ON) e de 3,03% (PN), limitando perdas maiores do índice, enquanto a Vale despencou 5,87%.
O dia também foi de perdas no setor financeiro, com destaque para o Banco do Brasil, que registrou baixa de 3,68% (ON). No ranking geral, as maiores altas do dia foram dominadas pelo segmento de energia, com as primeiras posições lideradas por Braskem (+5,55%), Petrobras (+3,16%;+3,03%) e Prio (+3,07%). Na ponta oposta, a WEG teve a maior perda do pregão, em queda de 6,75%.
No câmbio, o dólar fechou em alta de 0,39% frente ao real, cotado a R$ 5, com a decisão Fed sobre os juros e diante das incertezas geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.
- Estratégia clara, decisões certeiras. Evite armadilhas e proteja seus investimentos com um método testado. Baixe agora!
No cenário internacional, o destaque desta quinta-feira (30) é o novo rali do petróleo, que limitou as decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, e disparou após o fechamento do mercado após novas ameaças do presidente Donald Trump contra o Irã.
O Brent disparou para US$ 120 após Trump indicar a possibilidade de novas ações militares contra o Irã e discutir o prolongamento do bloqueio no Estreito de Ormuz. Em postagem nas redes sociais, o presidente declarou que “não seria mais bonzinho” e aos jornalistas da Casa Branca disse que “nunca haverá um acordo, a menos que eles [os iranianos] admitam a derrota e concordem que não haverá armas nucleares.”
Segundo a Axios, o Comando Central dos EUA já teria preparado um plano de ataques “curta e poderosa”, enquanto Teerã mantém a exigência de que Washington reduza suas condições para um acordo.
À sombra do choque do petróleo, a decisão do Federal Reserve (Fed) dominou o noticiário. Como esperado, o Fomc manteve os juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano pela terceira reunião consecutiva, mas o tom do comunicado e, sobretudo, da coletiva de Jerome Powell foi mais duro. O presidente do Fed alertou que os preços de energia ainda não atingiram o pico e que o choque provocado pela guerra no Oriente Médio tende a pressionar a inflação e as cadeias de suprimento, elevando as incertezas sobre o crescimento.
A deterioração do cenário inflacionário também se reflete nas expectativas de política monetária. Dados da CME Group mostram que o mercado passou a projetar o primeiro corte de juros nos EUA apenas para dezembro de 2027, sinalizando um período prolongado de política restritiva.
Em paralelo, cresce a pressão política sobre o Fed: Nesta quarta-feira (29) Kevin Warsh teve seu nome aprovado no Comitê Bancário do Senado para assumir o comando da instituição, embora ainda não haja data para votação no plenário.
No Brasil, na véspera do feriado do Dia do Trabalhador no Brasil, repercute a decisão do Banco Central (BC) sobre os juros, que confirmou as expectativas ao reduzir a Selic em 0,25 ponto, para 14,5% ao ano. A decisão do Copom veio acompanhada de uma comunicação mais cautelosa, refletindo o aumento da incerteza global e o impacto do choque do petróleo.
O pano de fundo doméstico segue desafiador. A atividade dá sinais de moderação ao longo de 2026, mas ainda sem uma desaceleração mais contundente, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente. Do lado dos preços, a inflação corrente e os núcleos voltaram a ganhar força, afastando-se da trajetória compatível com a meta.
As expectativas também seguem pressionadas: o Boletim Focus aponta IPCA de 4,9% em 2026 e 4% em 2027. Já a projeção do próprio BC para o horizonte relevante (agora o quarto trimestre de 2027) subiu de 3,3% para 3,5%, acima do centro da meta, refletindo principalmente o impacto do petróleo e a deterioração das expectativas. Esse ajuste foi o principal vetor mais duro do comunicado.
Apesar disso, o Copom evitou indicar uma guinada mais agressiva. O comitê manteve a avaliação de riscos elevados, porém equilibrados entre fatores de alta e de baixa, sinalizando que reconhece a piora do cenário, mas ainda sem indicar uma mudança abrupta na condução da política monetária.
- Seu dinheiro pode render mais! Receba um plano de investimentos gratuito, criado sob medida para você. [Acesse agora!]
Manchetes desta manhã
- GPA quer deságio de até 90% na dívida e credores reagem (Valor)
- Preço do petróleo atinge maior valor no mês e fica perto de US$ 115 com espera por negociações da paz (Folha)
- BC decreta liquidação extrajudicial da Frente Corretora por ‘graves violações a normas legais’ (Estadão)
- Déficit de R$ 80,7 bilhões das contas públicas em março leva dívida a 80,1% do PIB, maior nível desde 2021 (O Globo)
Mercado global de olho na alta do petróleo e tensão no Oriente Médio
As bolsas da Europa operam sem direção definida, acompanhando a alta do petróleo, em meio a notícias de que os EUA estariam considerando novas ações militares contra o Irã.
O mercado também monitora as decisões de juros do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu, que devem seguir o Fed e manter as taxas estáveis.
Na Ásia, a maioria dos índices fechou em queda, pressionada pela disparada do petróleo — com o Brent acima de US$ 120 — enquanto a decisão do Fed de manter os juros, acompanhada do alerta de Jerome Powell sobre inflação elevada, reforçou a cautela.
Indicadores mistos no Japão, com fraqueza na indústria e força no varejo, também contribuíram para o tom mais defensivo dos mercados asiáticos.
Em Nova York, os índices futuros operam em alta, refletindo o efeito combinado da forte alta do petróleo e da repercussão dos resultados das gigantes de tecnologia, reforçando a percepção de que a demanda por soluções de inteligência artificial segue aquecida.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,16%
- FTSE 100: +1,35%
- CAC 40: -0,24%
- Nikkei 225: -1,06%
- Hang Seng: -1,28%
- Shanghai SE Comp: +0,11%
- Ouro (jun): +1,8%, a US$ 4.642,85 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,2%49 aos 98,47 pontos
- Bitcoin: +1,02% a US$ 76.350,0
- Lucro real, risco controlado e execução profissional — acesse agora e conheça o Copy Invest do Portal das Commodities.
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em queda, após forte alta que levou os preços do Brent acima de US$ 120, no maior nível desde 2022, diante das notícias de que Trump estaria avaliando promover novas ações militares no Irã, além de discussões sobre possível prolongamento do bloqueio na região.
Mesmo com a realização de lucros e ajustes de posições no curto prazo, os preços seguem sustentados em níveis elevados diante do impasse nas negociações.
O Brent/junho cai1,62%, cotado a US$ 116,12 e o WTI/junho recua 0,37%, a US$ 106,48. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,6% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 116,59/ton, registrando o terceiro ganho semanal consecutivo e acumulando valorização de 0,95% na semana. O contrato para junho na Bolsa de Singapura fechou em alta de 0,88%, a US$107,35/ton, com ganho de 1,2% nesta semana.
Os preços futuros do minério de ferro são impulsionados por dados positivos da atividade industrial na China, que reforçaram as expectativas de demanda na segunda maior economia do mundo.
Cenário internacional
A agenda internacional concentra atenções nesta quinta-feira com a divulgação do PIB preliminar dos Estados Unidos no primeiro trimestre — a primeira leitura da atividade após a eclosão do conflito no Oriente Médio. A expectativa do BTG Pactual é de aceleração para 2% em termos anualizados, após avanço de 0,5% no quarto trimestre, impactado pelo shutdown.
Também estão no radar o PCE de março, principal indicador de inflação do Federal Reserve. O núcleo do PCE deve seguir pressionado, com taxa anual projetada em 3,2% e média trimestral anualizada de 4,2%, reforçando o cenário inflacionário desafiador.
Na zona do euro, a inflação anual subiu para 3% em abril, maior nível desde setembro de 2023, puxada por um salto de 10,9% nos custos de energia. Ao mesmo tempo, o PIB cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre, abaixo do ritmo observado no fim de 2025.
Na sequência das decisões de política monetária, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros inalteradas em 2,15%, como esperado. A taxa de depósito manteve-se em 2% e taxa de empréstimo em 2,4%.
O Banco Central inglês (BoE) também manteve os juros, conforme esperado. A votação ficou em 8 a 1 pela manutenção da taxa de juros (3,75%), com um membro optando pelo aumento a 4%. No momento da divulgação, a libra ampliava os ganhos a US$ 1,35194 (+0,31%) e a Bolsa de Londres avançava quase 1%.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda doméstica traz a PNAD Contínua de março, com projeção de leve alta na taxa de desemprego para 6%, além do Resultado Primário Consolidado, para o qual o BTG Pactual estima déficit de R$ 69,6 bilhões.
No campo político, o Senado impôs uma derrota inédita ao governo Lula ao rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira rejeição em 132 anos.
Messias obteve 34 votos, sete a menos que o necessário, diante de 42 contrários — resultado que expõe a fragilidade da articulação política do Planalto e amplia as tensões com o Congresso.
Nos bastidores, a derrota é atribuída a uma articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga e atuou para ampliar a resistência ao indicado. A ausência de reação do governo após o revés aprofundou a leitura de desgaste político em um momento já sensível.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações
Destaques do mercado corporativo
- Aéreas: impactado pela guerra no Oriente Médio, o preço do querosene de avião (QAV) deve ser reajustado em cerca de 18% nesta sexta, 1º de maio, sem que as medidas anunciadas pelo governo para mitigar os efeitos da crise sobre o setor estejam totalmente implementadas.
- Banco do Brasil: aprovou elevação do capital social autorizado para até R$ 150 bilhões. O banco não pretende levantar capital no momento.
- CPFL Energia: pagará R$ 4,2 bilhões em dividendos, a R$ 3,73 por ação on. Ex hoje.
- Iguatemi: projeta Capex entre R$ 450 milhões e R$ 600 milhões para 2026 e 2027 e estima pagar R$ 200milhões em dividendos este ano.
- São Martinho: anunciou oferta pública de R$ 1,1 bilhão em debêntures incentivadas, com início em 4 de maio.











