A semana começou com os mercados animados pela divulgação de índices de inflação ao consumidor abaixo do esperado, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, elevando as apostas em cortes de juros em ambos os países. Com isso, as bolsas engataram um movimento de alta, enquanto o dólar e os juros futuros recuaram.
Já o destaque político foi a apresentação do Plano Brasil Soberano, lançado pelo presidente Lula como resposta ao tarifaço de Donald Trump. A proposta, no entanto, gerou cautela entre investidores, pressionando ativos de risco brasileiros por potencial impacto negativo no equilíbrio fiscal.
Nesta sexta-feira (15), o Monitor do Mercado traz mais uma edição do quadro “Semana em 5 Minutos”, resumo semanal direto e sem enrolação assinado por Gil Carneiro.
“O maior cuidado de um governo deveria ser o de habituar, pouco a pouco, o povo a dele não precisar” — Alexis de Tocqueville.
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Brasil: governo lança plano contra tarifaço
O governo federal anunciou um pacote de medidas para minimizar os efeitos da tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A iniciativa foi batizada de “Brasil Soberano” e inclui críticas recorrentes do presidente ao governo Trump.
O destaque do plano é a liberação de R$ 30 bilhões em linhas de crédito subsidiadas, com garantia do Fundo Garantidor de Exportações. O governo também retirou R$ 9,5 bilhões da meta fiscal, ampliando as exceções previstas no Arcabouço Fiscal.
Empresas que receberem o benefício deverão manter o quadro de funcionários, como contrapartida. Para investidores, as medidas podem mitigar perdas de exportadores, mas elevam questionamentos sobre o impacto fiscal no médio prazo.
Olhando para os indicadores econômicos, a inflação (IPCA) de julho subiu 0,26%, abaixo da previsão de 0,37%, acumulando inflação de 5,23% em 12 meses. O dado foi bem recebido pelo mercado e reforça as apostas de início do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central.
Os contratos de juros futuros para janeiro de 2027 recuaram para abaixo de 14%. O setor de serviços cresceu 0,3% em junho, afastando o risco de revisão negativa do PIB do segundo trimestre. Mesmo assim, a expectativa predominante é de desaceleração econômica, cenário que pode contribuir para a queda da Selic.
EUA: inflação impulsiona corte de juros
A inflação ao consumidor (CPI) subiu 0,2% em julho, levando o acumulado anual a cair de 2,8% para 2,7%. O núcleo do índice avançou 0,3%, elevando o acumulado para 3,1%. Com inflação controlada e mercado de trabalho mais fraco, aumentam as chances de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) já em setembro.
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Segundo o MarketWatch, após a divulgação do CPI, a probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual chegou a 100%. Após a divulgação do PPI, que subiu 0,9% no mês (acima da expectativa de 0,2%), essa probabilidade caiu para 95%.
A alta das bolsas americanas vem sendo sustentada principalmente por empresas de tecnologia, enquanto companhias menores enfrentam os efeitos das tarifas de Trump. Em movimento inédito, o presidente considera comprar participação na Intel para fortalecer a indústria de semicondutores.
No campo político, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, defendeu publicamente juros mais baixos, mas modelos como a Regra de Taylor indicam que a taxa deveria subir.
China: dados mistos mantêm incerteza
Após um bom resultado nas exportações e importações na semana anterior, os números de produção industrial e vendas no varejo divulgados nesta semana vieram abaixo do esperado. O resultado reacendeu dúvidas sobre a capacidade da China de resistir aos impactos da tensão comercial.
Mercados: ouro recua e petróleo abaixo de US$ 70
Mesmo com o aumento das apostas em cortes de juros pelo Fed, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos não recuaram. O ouro caiu 1,6% na semana, mas ainda acumula alta de 27% no ano.
A Agência Internacional de Energia elevou a previsão de oferta de petróleo para 2025, mantendo o barril abaixo de US$ 70. No Oriente Médio, a crise na Faixa de Gaza não alterou a postura de Israel, mas o cenário pode mudar se países árabes se envolverem no conflito.
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O índice VIX, que mede a volatilidade do mercado, caiu pela segunda semana seguida, sinalizando menor percepção de risco no curto prazo. Na agenda da próxima semana, o foco deve permanecer no campo político.
Hoje, Donald Trump e Vladimir Putin se reúnem no Alasca para discutir um possível acordo de paz na Ucrânia.











