Poucas cidades brasileiras conseguem transformar geografia em vantagem econômica de forma tão evidente. No centro do estado de Goiás, a 55 km da capital e a menos de 140 km de Brasília, um município de pouco mais de 400 mil habitantes concentra o segundo maior polo farmoquímico do Brasil e da América Latina, o km zero da Ferrovia Norte-Sul, o principal Porto Seco do Centro-Oeste e uma das economias mais dinâmicas do interior brasileiro. Fabrica boa parte dos medicamentos genéricos que abastecem farmácias em todo o país e ainda conserva o apelido industrial que herdou do século XX: Manchester Goiana.
Como a Manchester Goiana se tornou o 2º maior polo farmoquímico da América Latina?
A cidade nasceu no fim do século XIX, foi emancipada em 31 de julho de 1907 e cresceu com a chegada da ferrovia em 1935, quando se firmou como entroncamento logístico natural do estado. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (CODEGO), autarquia responsável pelos distritos industriais do estado, a infraestrutura logística e a posição geográfica privilegiada colocam Anápolis como o segundo maior polo farmoquímico do Brasil.
O complexo abriga 20 grandes laboratórios farmacêuticos, entre eles gigantes de medicamentos genéricos e de marca. A produção atende o mercado brasileiro e ainda exporta para outros países, o que dá ao polo dimensão global. O apelido de Manchester Goiana ficou consolidado como reconhecimento do peso industrial que a cidade sustenta há décadas.

Por que o DAIA é considerado o divisor de águas da economia goiana?
O Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) foi inaugurado em 9 de novembro de 1976, com a presença do então presidente da República, general Ernesto Geisel, e do governador de Goiás, Irapuan Costa Júnior. Foi o primeiro parque industrial planejado do estado. De acordo com a CODEGO, o distrito foi projetado para abrigar empresas de todos os portes, com infraestrutura considerada de primeiro mundo para os padrões brasileiros da época.
O ponto de virada foi a Lei dos Genéricos (Lei nº 9.787), sancionada em 1999, que autorizou a produção e venda de medicamentos com patentes expiradas. Somada aos incentivos fiscais do Governo de Goiás e à estação aduaneira já instalada no município, a legislação atraiu grandes indústrias farmacêuticas nos anos 2000. O DAIA passou de complexo agroindustrial genérico a referência nacional nos setores farmacêutico, automotivo, logístico e alimentício.

O que ver no Parque Ipiranga e nos principais pontos turísticos?
Segundo a Goiás Turismo, agência estadual de turismo, a cidade tem forte vocação para o turismo de negócios, mas também mantém uma agenda cultural e ambiental relevante. O principal cartão-postal fica a poucos minutos do centro. Confira abaixo os pontos mais visitados:
- Parque Ambiental Ipiranga: inaugurado em 2010 no bairro Jundiaí, tem pista de caminhada, ciclovia, mirante, dois lagos, orquidário, teatro de arena e árvores nativas cinquentenárias preservadas. Aos sábados, sedia a Feira das Águas.
- Catedral Bom Jesus da Lapa: no coração do centro histórico, é o principal templo religioso do município.
- Praça Americano do Brasil: espaço central com jardins, arquitetura típica do início do século XX e casarões preservados no entorno.
- Museu Histórico Aldérico Borges de Carvalho: reúne acervo sobre a formação da cidade, o ciclo do café e a chegada da ferrovia.
- Parque JK: outro espaço tradicional de convívio, com áreas de contemplação, pista de caminhada e homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek.
- Ginásio Internacional Newton de Faria: um dos maiores da região Centro-Oeste, sede de grandes eventos esportivos.
- Base Aérea de Anápolis: uma das mais estratégicas do país, ponto de referência da cidade.
Este vídeo do canal Tem Base Goiás, apresentado por Sara Vasconcelos, destaca as principais opções de turismo e pontos de interesse para visitar na cidade de Anápolis (Goiás).
Como a cidade se destaca em qualidade de vida no Centro-Oeste?
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Anápolis registrou população de 398.869 habitantes no Censo 2022, sendo a terceira cidade mais populosa de Goiás, atrás apenas de Goiânia e Aparecida de Goiânia. A estimativa para 2025 chega a 420.300 pessoas. A área do município é de 918,375 km² e a altitude, de 1.017 metros.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), coloca a cidade em faixa alta de desenvolvimento humano. A infraestrutura urbana inclui a Universidade Estadual de Goiás (UEG), hospitais de referência regional, shoppings e um comércio diversificado. A vocação logística é reforçada pelo Porto Seco Centro-Oeste, ponto central do entroncamento da Ferrovia Norte-Sul com a Ferrovia Centro-Atlântica, o que consolida o município como o principal centro de distribuição da região.
Como é o clima em Anápolis?
A cidade tem clima tropical de altitude, com verões chuvosos e invernos secos típicos do Cerrado do planalto central. Confira abaixo as médias por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Anápolis?
A cidade fica a cerca de 55 km do centro de Goiânia e a 140 km de Brasília, com acesso principal pela BR-060 e pela BR-153. Essa localização entre as duas maiores cidades do Centro-Oeste rendeu o apelido de Portal de Entrada do Centro-Oeste, com fluxo constante de cargas e passageiros no eixo rodoviário.
O aeroporto mais próximo para voos comerciais regulares é o Aeroporto Internacional Santa Genoveva, em Goiânia. Também há linhas regulares de ônibus interestaduais e intermunicipais partindo do Terminal Rodoviário da capital goiana, que conectam a cidade a Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Cuiabá.
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Uma cidade que virou farmácia do Brasil sem perder o pé no cerrado
Poucos municípios do interior brasileiro conseguem juntar em um mesmo território o peso de fabricar boa parte dos medicamentos genéricos do país, uma malha logística que conecta as principais capitais nacionais e uma agenda cultural que preserva o passado ferroviário. A combinação entre indústria pesada, infraestrutura moderna e parques urbanos de convivência sustenta um cotidiano que a maioria dos visitantes descobre com surpresa.











