O Peru começou a extrair ouro em La Pampa, no departamento de Madre de Dios, por meio de uma operação artesanal sem mercúrio, com uma mesa gravimétrica e painéis solares, segundo vídeo do veículo Mongabay. O método, chamado de ouro ecológico, lança luz sobre uma alternativa viável para reduzir a poluição por mercúrio na Amazônia.
No coração da floresta peruana, milhares de pessoas dependem da extração de ouro, e o país convive com conflitos violentos entre mineradores informais e a polícia, que já resultaram no fechamento temporário da Rodovia Interoceânica (entre o Brasil e o Peru). Na lavra tradicional, o minério passa por bombas e carpetes que retêm o metal; depois, adiciona-se mercúrio para amalgamar o ouro, que é queimado, pesado e vendido.
A operação formalizada de La Pampa substitui essa etapa pela mesa gravimétrica, que concentra o ouro em pó e permite a sinterização para venda sem o uso do metal tóxico. “Sim, é possível produzir ouro sem mercúrio. É o que chamamos de ouro ecológico”, afirma um dos mineradores.
A reportagem acompanha o cotidiano de trabalhadores, comerciantes e pequenos mineradores de La Pampa, um dos principais polos de ouro da região. Os mineiros formalizados reclamam que a mídia só mostra a poluição e o crime, ignorando quem tenta operar dentro da lei.
Um dos entrevistados diz que já trabalha com painéis solares e tenta equipar a mesa gravimétrica, mas esbarra na falta de presença do Estado e no custo mais alto de operar com nota fiscal. “A tecnologia existe. Mas precisamos de apoio para implementá-la e torná-la economicamente sustentável no longo prazo”, resume.
Informalidade e conflito convivem com a mineração responsável
La Pampa também concentra o lado violento da exploração. O vídeo registra dezenas de pessoas ateando fogo a um caminhão da polícia e o fechamento temporário da Rodovia Interoceânica nos quilômetros 109 e 110 do setor.
Comerciantes relatam que peças de reposição ficam mais caras com nota fiscal, e muitos não têm documentação, reflexo da ausência do Estado. Esse cenário não impede que a operação formalizada siga produzindo ouro ecológico, mas torna a escala um desafio.
Pressão regulatória alcança o Brasil e o mercado de ouro
A experiência peruana ganha relevância global porque a mineração artesanal e de pequena escala é a maior fonte de emissões de mercúrio de uso intencional no mundo, respondendo por 38% do total, segundo a Avaliação Global de Mercúrio do PNUMA.
O Peru ratificou a Convenção de Minamata em 2016 e o Brasil em 2018, comprometendo-se a reduzir o uso do metal. O projeto planetGOLD Peru, implementado pelo PNUD e pelo Ministério do Ambiente do Peru, apoia tecnologias livres de mercúrio e a formalização da atividade.
No Brasil, o Banco Central endureceu em 2023 as regras para negociação de ouro, exigindo mais informações sobre a origem do metal para combater a mineração ilegal. A medida pressiona a indústria a melhorar a rastreabilidade e a adotar práticas ESG, num momento em que o ouro ecológico peruano demonstra ser tecnicamente possível. A Convenção de Minamata, da qual os dois países são Partes, reforça o compromisso internacional com a redução do mercúrio na mineração artesanal.
A operação de La Pampa ainda depende de apoio estatal para se tornar economicamente sustentável, mas já prova que a extração sem mercúrio é tecnicamente possível. No Brasil, as regras do Banco Central e os compromissos da Convenção de Minamata exigem mais rastreabilidade do ouro, o que abre espaço para o ouro ecológico.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.











