Os mercados operam mistos nesta sexta-feira (18), com as bolsas asiáticas e os futuros de Nova York em alta, enquanto os mercados europeus recuam. O movimento ocorre em meio à trajetória dos preços do petróleo e à decisão do Banco do Japão de elevar sua taxa básica de juros. Nos Estados Unidos, os investidores aguardam ainda a divulgação da produção industrial de agosto, dado que pode oferecer novas pistas sobre o ritmo da atividade econômica.
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No mercado de petróleo, os contratos futuros registram a terceira sessão consecutiva de queda, ainda influenciados pela expectativa de retomada dos fluxos pelos oleodutos sauditas. O WTI chegou a ser negociado abaixo de US$ 100 por barril durante a madrugada, mas voltou a superar esse nível. O mercado acompanha a recomposição da capacidade de exportação da Arábia Saudita, mas ainda não há previsão para a reativação do oleoduto Leste-Oeste, enquanto equipes técnicas verificam as condições da infraestrutura danificada por drones.
A tensão no Oriente Médio, contudo, permanece no radar. Arábia Saudita e os houthis do Iêmen registraram novos ataques na fronteira entre os dois países nesta quinta-feira (17), em meio à expansão do conflito e aos riscos para o abastecimento global de petróleo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma “grande decisão” envolvendo o Irã está próxima, enquanto o governo americano informou que uma delegação iraniana poderá participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na próxima semana.
O fluxo de embarcações de commodities pelo estreito de Ormuz também reforça as preocupações com a oferta. Por essa passagem, transitava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural globais antes do conflito com o Irã. Segundo dados preliminares da Kpler divulgados ontem, apenas três embarcações passaram pelo estreito na quarta-feira, contra 12 no dia anterior e uma média de aproximadamente 17 nos dez dias anteriores. Apesar do risco de uma restrição mais prolongada, o mercado identifica sinais de alívio após a Arábia Saudita começar a recompor parcialmente a capacidade do oleoduto East-West e aumentar os embarques pelo porto de Omã.
Brasil: Governo aumenta Bolsa Família às vésperas das eleições e amplia debate fiscal
No Brasil, o mercado repercute o reajuste de 15% no Bolsa Família anunciado pelo governo nesta quinta-feira, a pouco mais de duas semanas das eleições. Com a medida, o benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 690, enquanto o impacto fiscal estimado é de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano e de R$ 22,7 bilhões em 2027.
O anúncio ocorre, porém, enquanto 440.692 famílias que atendem aos requisitos do programa ainda aguardam para receber o benefício. O número, referente a agosto e apurado pelo Globo, supera as 405.806 famílias que estavam na fila em julho, mas fica abaixo das 709.135 registradas em agosto de 2025. A inclusão no programa não é automática e está condicionada à disponibilidade orçamentária, já que o Bolsa Família não constitui uma despesa integralmente obrigatória.
A proximidade das eleições também coloca o reajuste no centro do debate. O governo sustenta, contudo, que o calendário eleitoral não impede a medida, argumentando que o percentual de 15,04% corresponde à recomposição pela inflação.
Em entrevista ao Globo, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, rejeitou a interpretação de que o aumento tenha caráter eleitoreiro. Segundo Moretti, a medida resultou de uma gestão orçamentária mais prudente ao longo do ano e tornou-se viável após a revisão para baixo da projeção de despesas previdenciárias, que abriu espaço no Orçamento para o reajuste.
Manchetes desta manhã
- Governo revê decisão e passa a tributar Recibos de Depósito Bancário (Valor)
- Venezuela negocia para transferir US$ 4 bi em ouro da Inglaterra para EUA, diz jornal (Folha)
- Warren Buffett passa bastão ao filho na Berkshire e conclui transição após 60 anos no comando (Estadão)
- Correios desistem de negociação e aguardam decisão do TST sobre greve de trabalhadores ( O Globo)
Mercado global tem desempenho misto com petróleo e decisão sobre juros no Japão
Em Nova York, os índices futuros operam em alta, apoiados pelos ganhos das ações de tecnologia e pela queda dos preços do petróleo, que contribui para melhorar o sentimento dos investidores.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana em alta, acompanhando o rali de Wall Street, com a queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries reduzindo as preocupações com a inflação e favorecendo as ações de tecnologia.
Entre os destaques, Coreia do Sul e Taiwan lideraram os ganhos, com SK Hynix avançando 6,42% e TSMC, 1,44%. No Japão, o Nikkei subiu 1,38%, após o BoJ elevar os juros em 25 pontos-base, para 1,25%, maior nível em 31 anos, em decisão amplamente esperada.
Já as bolsas europeias operam em queda nesta sexta-feira, após duas sessões de alta, pressionadas por ações de telecomunicações e energia. Airtel Africa despenca 9,70% e Deutsche Telekom recua 3,83%, enquanto os papéis de tecnologia avançam, acompanhando o rali do setor em Nova York.
Os investidores também repercutem a decisão do BoE, que manteve os juros inalterados na véspera, mas sinalizou possível alta caso persistam as pressões inflacionárias ligadas aos preços de energia.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,20%
- FTSE 100: -0,84%
- CAC 40: -0,79%
- Nikkei 225: +1,38%
- Shanghai SE Comp: +0,94%
- Hang Seng: +0,60%
- Ouro (jun): +0,20%, a US$ por 4.408,32 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,28%, aos 100,51 pontos
- Bitcoin: +1,77% a US$ 78.087,2
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam pela terceira sessão consecutiva, ainda sob influência da expectativa de retomada dos fluxos por oleodutos sauditas. O movimento também reflete realização de lucros após duas semanas de ganhos, enquanto o mercado aguarda a recuperação da capacidade de exportação da Arábia Saudita. Ainda não há prazo para a retomada do oleoduto Leste-Oeste, e equipes técnicas avaliam a integridade da infraestrutura atingida por drones.
Há pouco, o Brent/novembro perdia 1,62%, cotado a US$ 103,12 e o WTI/outubro caía 1,17%, a US$ 100,72. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,70% em Dalian, na China, cotado a US$ 106,82/ton.
Cenário internacional: BoJ eleva juros e produção dos EUA entra no radar
A sessão desta sexta-feira encerra a semana com uma agenda internacional mais enxuta, mas ainda relevante para os mercados. Nos Estados Unidos, os investidores acompanham a divulgação da produção industrial de agosto, em busca de sinais sobre o ritmo da atividade econômica. Às 10h30, Michelle Bowman, do Federal Reserve, participa de um evento em Londres. Às 12h45, Jeff Schmid, também do Fed, participa de uma convenção nos Estados Unidos.
A decisão do Banco do Japão (BoJ) também está no foco. A autoridade monetária elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1,25%, maior nível desde 1995. O movimento encerra a semana de decisões dos principais bancos centrais, após as reuniões do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro, e acrescenta um novo componente ao cenário global de juros.
Na Europa, as vendas do varejo do Reino Unido avançaram 0,5% em agosto ante julho, revertendo a queda de 0,5% registrada no mês anterior. O resultado foi sustentado pelas vendas online, mesmo diante da aceleração da inflação no país. Na Alemanha, os preços ao produtor subiram 4,6% em agosto na comparação anual, marcando o quinto mês consecutivo de alta e o avanço mais intenso desde abril de 2023. A pressão veio principalmente da energia, cujos preços aumentaram 8,3% em 12 meses, ante 3,8% em julho, refletindo a alta de óleo mineral, nafta, óleo de aquecimento e combustíveis automotivos.
Brasil destaca IGP-M e exportações de carne para a China
No Brasil, o destaque da agenda fica com a segunda prévia do IGP-M de setembro, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que servirá como um indicador do comportamento da inflação ao longo do mês até aqui.
Entre os compromissos das autoridades, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participa às 8h30 de um encontro na Genial Investimentos. Às 10h30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da apresentação das forças de segurança que atuam no estado do Rio de Janeiro.
No setor externo, a antecipação dos embarques de carne bovina brasileira para a China pode acelerar o preenchimento da cota de importação de 2027. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, os volumes destinados ao cumprimento da cota do próximo ano podem atingir o total de 1,128 milhão de toneladas até março ou abril, caso o ritmo de embarques seja antecipado.
Em entrevista a jornalistas, Perosa afirmou que os embarques de carne bovina brasileira destinados ao cumprimento da cota de 2027, que prevê tarifa menor de 12%, devem começar em novembro de 2026.
Destaques do mercado corporativo
- TIM Brasil: aprovou o cancelamento de 13,2 milhões de ações mantidas em tesouraria, adquiridas no programa de recompra aprovado em 12 de fevereiro de 2025. A operação não altera o capital social da companhia, que passa a ser dividido em 2.378.925.889 ações ordinárias.
- Copel: aprovou o pedido de cancelamento de sua listagem no Latibex, segmento da Bolsa de Madri voltado a empresas latino-americanas. A decisão considera o baixo volume de negociações e a reduzida liquidez dos papéis.
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