O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, estendeu os ganhos na sessão desta terça-feira (25), encerrando em alta de 0,41%, aos 155.910 pontos, impulsionado pela expectativa de corte de juros nos Estados Unidos.
As apostas de que o Federal Reserve (Fed) corte juros na próxima reunião em dezembro aumentou o apetite por risco dos investidores estrangeiros, favorecendo o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil.
O desempenho do índice, no entanto, foi limitado pelo cenário fiscal brasileiro, com a previsão de votações importantes no Senado e o agravamento da disputa entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e o Palácio do Planalto em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em destaque no Ibovespa, a Petrobras registrou perdas de 0,96% (ON) e 0,80% (PN), acompanhando a queda do petróleo no exterior; enquanto a Vale subiu 0,78%.
As ações do setor financeiro tiveram performance mista, com destaque para Banco do Brasil, que fechou em alta de 1,95%. Entre as maiores altas, Usiminas liderou o ranking com ganho de 6,43% e a Braskem (-3,72%) liderou as perdas do dia.
Já o dólar fechou em queda pelo mesmo fator que motivou o avanço do Ibovespa na sessão, a queda dos juros nos EUA e consequente redução da atratividade dos títulos americanos, encerrando o dia em queda de 0,34% ante o real, cotado a R$ 5,37.
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No mercado internacional, a agenda econômica desta quarta-feira (26) destaca a divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego e do Livro Bege, que podem confirmar as apostas em corte de juros no mês que vem, que estão em 85%, de acordo com o CME.
Nesta terça-feira, a sinalização de um possível novo presidente do Fed favorável a cortes de juros levou os mercados a praticamente precificarem uma redução nas taxas em dezembro.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, pediu cautela ao mercado sobre a sucessão de Powell, afirmando que as decisões de Trump são imprevisíveis. Já Bessent, informou que ainda fará a entrevista final com os cinco candidatos ao comando do Fed.
No Brasil, o IPCA-15, considerado prévia da inflação oficial, deve posicionar a trajetória da Selic e sinalizar um possível corte de juros em janeiro, após o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, animar o mercado ao dizer que “aumentar o juro não está mais no cenário-base [do BC] e que questão agora é entender quando será o processo de corte.”
Além das apostas nos juros, o cenário fiscal rouba a cena, com a aprovação unânime pelo Senado nesta terça-feira do PLP que regulamenta a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde, com aposentadoria integral e paridade, podendo ocorrer a partir de 50 anos (mulheres) e 52 anos (homens).
O projeto, que segue para a Câmara, prevê regras de tempo mínimo de atuação e pode gerar impacto fiscal superior a R$ 40 bilhões em dez anos. O governo já sinalizou possível veto, e até judicialização no STF, caso a proposta avance sem mudanças.
Em entrevista à Globonews nesta manhã, o secretário de Tesouro Nacional, Rogério Ceron, declarou que a decisão do Senado abre precedente para criar exceções para grupos aposentarem mais cedo e vai contra a tendência mundial de ampliação da idade para aposentadorias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona hoje a lei que isenta do Imposto de Renda (IR) quem recebe até R$ 5 mil por mês e concede descontos para rendas de até R$ 7.350.
A medida, que entra em vigor em 1º de janeiro e cumprirá a principal promessa de campanha do presidente, deve beneficiar cerca de 16 milhões de pessoas.
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Manchetes desta manhã
- Moraes declara fim do processo da trama golpista, e Bolsonaro começa a cumprir pena de 27 anos (Valor)
- Base para prisão definitiva de Bolsonaro é consolidada no STF, mas tem jurisprudência questionada (Folha)
- ‘Pautas-bomba’ no Congresso podem custar mais de R$ 100 bi aos cofres públicos em dois anos (Estadão)
- Às vésperas da Black Friday, Mercado Livre enfrenta maior ofensiva das rivais Amazon, Shein e Shoppe pelo Brasil (O Globo)
- Resultado do Fed no combate à inflação é o pior desde início dos anos 1980 (Valor)
Mercado global
As Bolsas da Europa avançam seguindo o desempenho positivo de Wall Street e da Ásia, embaladas pelo otimismo em relação a um possível corte de juros pelo Fed em dezembro, enquanto aguardam o Orçamento de Outono do Reino Unido.
O foco dos mercados estará no orçamento do governo britânico. A ministra das Finanças, Rachel Reeves, deverá anunciar novos aumentos de impostos diante de uma provável revisão para baixo das perspectivas econômicas do Reino Unido.
Na Ásia, os índices encerraram mais uma sessão em alta, impulsionadas pelo otimismo de corte nos juros dos EUA.
Em Tóquio, o índice Nikkei encerrou em alta de 1,85% com as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, garantindo que o governo adotará medidas apropriadas para estabilizar o câmbio.
Nas demais praças a sessão também foi positiva, com Shenzhen em alta de 1,02% e Hong Kong com avanço de 0,13% no Hang Seng, enquanto na Coreia do Sul o índice Kospi liderou os ganhos com alta de 2,67%. Já em Taiwan, o Taiex avançou 1,85%. A exceção foi Xangai, que encerrou com leve baixa de 0,15%.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta nesta quarta-feira, véspera do feriado de Ação de Graças, apoiados por dados mais fracos de consumo no país e pela sinalização de um possível novo presidente do Fed favorável a cortes de juros.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro +0,23%
• FTSE 100 +0,22%
• CAC 40 +0,36%
• Nikkei 225 +1,9%
• Hang Seng +0,13%
• Shanghai SE Comp. -0,15%
• MSCI World +0,22%
• MSCI EM +1,06%
• Bitcoin -0,59% a US$ 86.893,3
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Commodities
- Petróleo: segue em queda diante de preocupações com excesso de oferta e falta de impulso na demanda.
No cenário geopolítico, um possível avanço nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia poderia acelerar a retirada de sanções sobre o setor de energia russa. Além disso, investidores aguardam os dados oficiais dos estoques de petróleo dos EUA, previstos para hoje às 12h30.
O Brent/jan cai 0,35%, cotado a US$ 62,26 e o WTI/janeiro cede 0,24%, a US$ 57,81. - Minério de ferro: fechou em leve alta de 0,19% em Dalian, na China, cotado a US$ 112,59/ton.
Em Singapura, os contratos futuros sobem 0,80%, cotados a US$ 106,60/ton e mercado à vista avança 0,10%, cotado a US$ 104,95/ton.
Cenário internacional de olho no Fed
Nos EUA, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou nesta terça-feira que está finalizando a segunda rodada de entrevistas para escolher o novo presidente do Fed e que Donald Trump pode anunciar o nome antes do Natal, já que o mandato de Jerome Powell termina em maio.
Segundo a Bloomberg, Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, desponta como favorito.
Na agenda do dia, será divulgado o dado semanal de pedidos de seguro-desemprego, antecipado por conta do feriado de Ação de Graças, que manterá os mercados de Nova York fechados nesta quinta-feira (27). Também estão no radar os pedidos de bens duráveis de setembro, às 10h30, e o Livro Bege, às 16h.
No Reino Unido, o governo deve apresentar hoje entre 20 e 30 bilhões de libras em novos aumentos de impostos, diante do quadro fiscal mais frágil, crescimento econômico baixo e custos da dívida elevados.
Já no Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que o governo tomará medidas apropriadas no câmbio e avaliará se as oscilações do iene refletem os fundamentos econômicos. Além disso, indicou que a emissão de títulos do governo neste ano fiscal deve ser menor do que no ano anterior.
Cenário nacional
No Brasil, o foco está na divulgação do IPCA-15, que apontou alta de 0,20% em novembro . Ano a ano, sobe 4,50%, de 4,94%.
Às 14h30, sai o resultado primário do governo central referente a outubro, para o qual o BTG projeta superávit de R$ 36,8 bilhões, com destaque para o aumento das despesas discricionárias, que seguem em crescimento real no acumulado do ano.
Investidores também acompanham os dados de confiança da indústria, o fluxo cambial semanal e as estatísticas monetárias e de crédito de outubro, que serão divulgadas pelo Banco Central.
No cenário político, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e mais outros cinco presos por tentativa de golpe terão audiência de custódia hoje. A determinação pela audiência é do ministro do STF, Alexandre de Moraes.
A audiência, que será remota, por videoconferência, é parte obrigatória para todas as prisões no país e tem como objetivo avaliar se tudo ocorreu dentro da legalidade e regularidade processual.
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Destaques no mercado corporativo
- Casas Bahia: vai buscar o aval de debenturistas para reperfilamento de dívidas da companhia.
- JBS Viva: nasce líder global em couros, com estrutura de controle equilibrada entre JBS e Grupo Viva para acelerar expansão internacional.
- Prio: Squadra reduz participação relevante no capital da petroleira, sinalizando ajuste estratégico na exposição ao setor.
- Telefônica: confirma pagamento de JCP em 2 de dezembro, reforçando sua política consistente de remuneração ao acionista.
- Oi: Pimco zera posição e deixa o bloco acionário da operadora, em mais um passo do mercado na reprecificação do case após a reestruturação.
- BRB: Nelson Antônio de Souza assume a presidência do banco com a missão de fortalecer a presença regional e a competitividade da instituição.


