As negociações de contratos futuros nos Estados Unidos foram interrompidas na manhã desta sexta-feira após uma falha nos data centers usados pelo CME Group, maior operador de bolsas de derivativos do mundo.
O problema ocorre em um novo dia de liquidez reduzida, por conta do feriado de Ação de Graças (ontem), e afeta contratos de ações, moedas, Treasuries e commodities.
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O último registro antes da interrupção mostrava leve alta nos índices futuros: S&P 500 (+0,1%), Nasdaq (+0,2%) e Dow Jones (+0,11%).
As bolsas norte-americanas reabrem hoje em sessão mais curta até 15h (horário de Brasília), e não há indicadores econômicos ou discursos de dirigentes do Fed no calendário, o que reduz a chance de choques adicionais enquanto o problema é resolvido.
Problema atinge plataforma Globex e impede formação de preços
Em comunicado, o CME informou que a paralisação foi causada por falhas de resfriamento em data centers operados pela CyrusOne. Esses centros sustentam a Globex, plataforma que processa milhões de contratos de futuros praticamente 24 horas por dia.
A situação gerou preocupação entre operadores, principalmente porque os futuros funcionam como uma referência antecipada para o comportamento dos mercados antes da abertura regular. Sem esses dados, mesas de ações, derivativos e câmbio relatam operar “às cegas”.
Traders também apontam risco adicional porque esta semana marca a rolagem de contratos — o momento em que investidores migram posições do contrato atual para o próximo vencimento.
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Impacto em Treasuries, câmbio, ouro e petróleo
A falha interrompeu totalmente a negociação de futuros de Treasuries, embora os mercados de títulos na Europa e no Reino Unido continuem funcionando normalmente. A EBS, plataforma usada no mercado global de câmbio, também foi afetada, mas a CME informou que essas operações já foram retomadas.
No início das operações em Londres, o ouro registrou ampla variação nas cotações, com diferença entre compra e venda até 20 vezes maior que o usual. Petróleo nos EUA e óleo de palma negociado na Malásia também sofreram impacto.
Liquidez evapora e operações migram para outras plataformas
Segundo informações do jornal O Globo, traders relataram redirecionamento de negócios para plataformas alternativas ainda operantes, mas com liquidez mais baixa. Sem o CME, que concentra grande parte do volume global, cresce o risco de movimentos bruscos caso algum evento relevante ocorra no dia.
Analistas alertam que a interrupção prolongada pode aumentar a volatilidade justamente em um mês marcado por oscilações nos índices americanos. O S&P 500, que chegou a cair 4,7% em novembro por dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros do Federal Reserve, vinha reduzindo perdas nos últimos dias.
