A China ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão de superávit comercial anual. Entre janeiro e novembro, o país acumulou um saldo positivo de US$ 1,08 trilhão, segundo dados da Administração Geral de Aduanas chinesa.
Nos primeiros 11 meses de 2025, as exportações cresceram 5,4%, chegando a US$ 3,4 trilhões, enquanto as importações caíram 0,6%, para US$ 2,3 trilhões.
Após se consolidar como fabricante de produtos de baixo custo, a China aumentou sua capacidade de produção para segmentos de alta tecnologia. Hoje, empresas chinesas têm participação na produção global de painéis solares, veículos elétricos e semicondutores usados em produtos do dia a dia.
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Tarifas dos EUA não contiveram o avanço da China
Mesmo com tarifas elevadas impostas pelos EUA — que chegaram a ultrapassar 100% em alguns produtos — o fluxo de exportações chinesas permaneceu aquecido. As tarifas médias aplicadas giram em torno de 37%, mas, em vez de restringir as vendas externas, elas impulsionaram o redirecionamento dos embarques para outras regiões.
As exportações para África, Sudeste Asiático e América Latina cresceram com força ao longo do ano, compensando a queda de 29% das vendas para os EUA registrada em novembro. Parte desse movimento também decorreu do aumento das exportações para a União Europeia, que avançaram 15% no mesmo período.
Europa sinaliza possíveis reações
A ampliação do superávit e o avanço das empresas chinesas em setores estratégicos elevaram as preocupações na Europa. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a União Europeia pode adotar novas barreiras tarifárias se a China não reduzir sua vantagem competitiva, citando inclusive a desvalorização do yuan — que recuou cerca de 10% frente ao euro neste ano.
Países de várias regiões, incluindo Ásia, América Latina e Oriente Médio, também estudam medidas de defesa comercial, diante do aumento das importações de produtos chineses.
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Organizações empresariais têm alertado para o desequilíbrio crescente. Segundo Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, o desequilíbrio medido em volume é ainda maior: para cada contêiner enviado da Europa à China, quatro seguem no sentido contrário.


