A Warner Bros. Discovery (NASDAQ: WBD) informou nesta quinta-feira (23) que seus acionistas aprovaram a venda da companhia para a Paramount Skydance, em uma operação combinada avaliada em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 545 bilhões).
A proposta, estruturada como uma fusão, representa um movimento que pode reconfigurar a indústria global de entretenimento, ao unir ativos relevantes de mídia, cinema e streaming em um único grupo.
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A empresa resultante da combinação incluirá canais como CNN e CBS, além de ativos como HBO e Nickelodeon. Também fará parte do portfólio um conjunto de franquias de Hollywood, como Harry Potter, Game of Thrones, Universo DC, Missão Impossível e o personagem Bob Esponja.
Às 15h10 (horário de Brasília), os papéis da Warner (WBD) caíam 0,75%, negociadas a US$ 27,12 em Nova York.
No Brasil, o BDR apontava impacto menor, com recuo de 0,04%, a R$ 135,04 na B3.
Disputa entre Paramount e Netflix pela Warner marca negociação
O acordo com a Paramount encerra uma longa disputa pela aquisição da Warner, que incluiu concorrência direta com a Netflix no início deste ano.
Em um primeiro momento, a Warner havia concordado em vender seus estúdios e a HBO Max por US$ 27,75 por ação à Netflix. Em resposta, a Paramount lançou uma oferta hostil, buscando adquirir a totalidade da companhia diretamente junto aos acionistas.
Em fevereiro, a Paramount venceu a disputa ao apresentar uma proposta de US$ 31 por ação, que não foi igualada pela Netflix.
Venda da Warner levanta debate político e regulatório
Além dos aspectos concorrenciais, o acordo também deve ser analisado sob o ponto de vista político. O texto destaca que os vínculos do novo grupo com a Casa Branca devem ser alvo de atenção.
A transação ocorre em um momento de dificuldades no setor de mídia, o que amplia o nível de escrutínio sobre seus possíveis impactos.
A combinação de dois grandes estúdios tradicionais, somada a diversas redes de TV a cabo sob um mesmo controle, pode levantar preocupações concorrenciais. Do ponto de vista regulatório, a operação ainda depende de aprovação. A Warner Bros., no entanto, afirmou esperar concluir o acordo no terceiro trimestre.
Fusão enfrenta resistência de artistas e sindicatos
A proposta de compra pela Paramount enfrenta oposição dentro da indústria. Mais de 1.000 profissionais, entre atores, diretores e roteiristas, assinaram uma carta contra a operação, mencionando preocupações com a perda de empregos e aumento de custos, além da redução das opções para os consumidores.
“Essa transação consolidaria ainda mais um cenário de mídia já concentrado, reduzindo a concorrência em um momento em que nossas indústrias — e o público que atendemos — menos podem arcar com isso”, afirma o documento.
Na carta consta ainda que “O resultado [da fusão] será menos oportunidades para criadores, menos empregos em todo o ecossistema de produção, custos mais altos e menos opções para o público nos Estados Unidos e ao redor do mundo.”
Durante todo o processo, sindicatos de Hollywood também manifestaram preocupações de que a fusão resulte em perda de empregos, em um setor que já passou por cortes relevantes nos últimos anos.
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Paramount antecipa compromissos da nova empresa
O CEO da Paramount, David Ellison, afirmou que a companhia pretende lançar 30 filmes por ano nos cinemas.
Segundo ele, a empresa continuará investindo tanto em produções para cinema quanto para televisão, além de manter a plataforma de streaming HBO dentro da nova estrutura.











