A Netflix Inc. (NASDAQ: NFLX) anunciou nesta quinta-feira (23) a aprovação de um novo programa de recompra de ações de US$ 25 bilhões. A decisão ocorre após a divulgação de resultados e uma perspectiva financeira frustrante derrubarem os papéis da gigante do streaming.
O novo plano se soma a uma autorização anterior, anunciada em dezembro de 2024, que ainda contava com cerca de US$ 6,8 bilhões disponíveis até 31 de março. Segundo comunicado da empresa, o programa adicional não possui data de validade.
A Netflix vem intensificando esse movimento. Apenas em março, foram recompradas 13,5 milhões de ações, ao custo aproximado de US$ 1,3 bilhão.
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Após o anúncio da recompra, as ações subiram cerca de 1,3% no pré-mercado em Nova York, mas o movimento foi reduzido à leve alta de 0,04% às 12h40 (horário de Brasília).
No Brasil, os papéis da empresa negociados por meio de BDRs na B3 caíam 0,86%, negociados a R$ 9,24.
Recompra ocorre após projeções frustrantes e mudanças na liderança
O anúncio sobre a recompra de ações ocorre poucos dias após a Netflix divulgar seu relatório trimestral e projeções futuras, que frustraram as projeções dos investidores.
Mesmo com receita acima do esperado no primeiro trimestre, a manutenção da projeção anual foi mal recebida. No after market, as ações caíram cerca de 10%. Desde a divulgação dos resultados, em 16 de abril, os papéis acumulam queda superior a 13%.
Além disso, a empresa informou que o presidente do conselho e cofundador Reed Hastings deixará o cargo, informação que também afetou as projeções.
Estratégia muda após negociações no setor
A ampliação da recompra ocorre após a Netflix abandonar, no início do ano, uma proposta de US$ 72 bilhões envolvendo ativos de estúdios e streaming da Warner Bros. Discovery.
A empresa também havia desistido, em fevereiro, de uma disputa pelo controle de negócios de streaming e estúdios, em meio a preocupações de investidores com o nível de endividamento que poderia ser assumido em um eventual acordo.
As ações vinham sendo pressionadas durante meses de negociações com a Paramount Skydance, contexto no qual a companhia recebeu uma multa rescisória de US$ 2,8 bilhões.
Netflix negocia estúdio histórico por valor reduzido
Segundo informações publicadas pela Times Brasil, a Netflix está em negociações para adquirir o Radford Studio Center, em Los Angeles, por menos de um terço do valor de sua última venda, em 2021, quando o ativo foi negociado por US$ 1,85 bilhão.
O estúdio chegou ao mercado após sua proprietária, a Hackman Capital Partners, entrar em inadimplência de US$ 1,1 bilhão em dívidas. O ativo foi transferido a credores liderados pelo Goldman Sachs após a empresa não conseguir refinanciar os compromissos.
O preço final da possível aquisição ainda não foi definido, e o acordo não foi concluído, segundo pessoas com conhecimento das negociações.
Queda na ocupação pressiona setor de estúdios
O movimento ocorre em um cenário de retração no mercado imobiliário de produção audiovisual em Los Angeles.
A ocupação média dos estúdios (soundstages) caiu para 62% no primeiro semestre de 2025, de acordo com a FilmLA. O recuo reflete juros elevados e a desaceleração das produções após as greves de roteiristas e atores em 2023.
Em setembro, o Radford estava com apenas 61% de ocupação, e cerca de metade dos contratos de locação remanescentes deve expirar ao longo deste ano.
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Empresas sem vínculo direto com grandes estúdios foram mais impactadas, à medida que produções passaram a migrar para estruturas próprias das grandes companhias.
A Hackman Capital Partners também enfrenta disputa judicial com o Deutsche Bank, que busca executar a hipoteca de outro ativo, o Kaufman Astoria Studios, em Nova York.











