O PIB do Japão caiu 2,3% no terceiro trimestre, em dado revisado, ampliando o sinal de enfraquecimento da atividade e reforçando a pressão por novas medidas de estímulo em meio à aproximação da decisão de juros do Banco do Japão (BoJ), conforme divulgado pelo governo nesta segunda-feira (8).
A revisão refletiu uma redução maior nos investimentos das empresas e nos gastos com habitação. Na leitura preliminar, a trajetória era menos negativa, especialmente no investimento corporativo. O consumo das famílias, porém, foi revisado para cima.
Economistas consultados pela Reuters projetavam queda de 2% e avaliam que o recuo tende a ser revertido no quarto trimestre. O impacto sobre a decisão de política monetária do (BoJ), no entanto, deve ser limitado.
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Governo utiliza dado fraco como base para novo pacote
Os novos dados da economia japonesa reforçam o pacote de estímulos anunciado no mês passado pela primeira-ministra Sanae Takaichi. O programa reúne 17,7 trilhões de ienes (US$ 114 bilhões) em gastos adicionais.
Entre as medidas estão subsídios às tarifas de energia, cortes de impostos e iniciativas de apoio salarial direcionadas principalmente às pequenas empresas.
O governo estima que o pacote pode acrescentar cerca de 1,4 ponto percentual ao crescimento anualizado do PIB por ano, durante três anos, caso todas as ações previstas sejam executadas.
Mercado mantém expectativa de alta de juros em dezembro
Takaichi busca reduzir o impacto da inflação sobre as famílias, em meio a pressões sociais que influenciaram a queda de seus antecessores.
Apesar da retração da economia, analistas afirmam que o cenário não altera a expectativa de que o BoJ aumentará sua taxa básica na reunião dos dias 18 e 19 de dezembro. Segundo especialistas, o ajuste está dentro do que o governo considera aceitável.
Investimentos de empresas e demanda interna recuam
O consumo privado, responsável por mais da metade da economia japonesa, cresceu 0,2%, após revisão para cima ante 0,1%, impulsionado por novos dados sobre gastos com refeições fora de casa.
Já o investimento das empresas caiu 0,2%, revertendo a estimativa inicial de alta de 1,%, enquanto economistas esperavam expansão de 0,4%.
A demanda externa subtraiu 0,2 ponto percentual do PIB no trimestre, enquanto a demanda interna retirou 0,4 p.p., pior que a projeção preliminar de 0,2 p.p.
Tarifas dos EUA e regras ambientais afetam a atividade
O setor externo foi pressionado pela tarifa-base de 15% aplicada pelos Estados Unidos, oficializada em setembro sobre quase todas as importações japonesas, após proposta inicial mais elevada para automóveis e outros bens.
No mercado doméstico, a construção residencial recuou após a adoção de regras mais rígidas de eficiência energética em abril. A queda, no entanto, foi revisada de 9,4% para 8,2%.
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Economia deve se recuperar, mas com ritmo contido
Analistas acreditam que o Japão voltará a registrar crescimento no quarto trimestre, sustentado por recuperação gradual do consumo. Entretanto, as tarifas americanas tendem a pressionar as exportações e limitar o avanço.
“Há demanda por investimentos digitais e tecnologias que poupem mão de obra”, afirmou Masato Koike, economista sênior do Sompo Institute Plus. “Mas lucros corporativos mais fracos devem segurar o ritmo de expansão.”


