Os membros do Banco Central mantiveram o tom duro (hawkish) na ata do Copom (Comitê de Política Monetária), afirmando que seguem compromissados com a taxa Selic em 15% por um período bastante prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta.
A sinalização na ata da última reunião do ano, divulgada nesta terça-feira (16) reduziu a expectativa de um corte nos juros já em janeiro, como parte do mercado apostava.
Segundo o colegiado, o cenário atual é marcado por elevada incerteza, o que exige cautela na condução da política monetária. O comitê afirmou que seguirá vigilante e que poderá ajustar os próximos passos, inclusive retomando o ciclo de alta de juros, caso julgue apropriado.
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Projeções de inflação seguem acima da meta
O Copom manteve as projeções para a inflação acumulada em 12 meses já apresentadas no comunicado da decisão. A estimativa é de alta de 4,4% em 2025, 3,5% em 2026 e 3,2% no segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária.
Todas as projeções permanecem acima do centro da meta de inflação, que é de 3%. O cenário considera desaceleração dos preços livres — aqueles definidos pelo mercado — e dos preços administrados, como energia elétrica e combustíveis.
As estimativas partem do cenário de referência do Banco Central, que incorpora a trajetória de juros indicada pelo boletim Focus, câmbio inicial de R$ 5,35 com evolução pela paridade do poder de compra (PPC) e bandeira tarifária amarela de energia elétrica em 2025 e 2026.
Comunicação e estratégia do Copom
Na ata, o Banco Central afirmou que vem ajustando sua comunicação ao longo do ano para refletir o estágio atual da política monetária. Após um ciclo de elevação firme da Selic para conter a inflação, o comitê passou a avaliar se o nível atual dos juros é suficiente para garantir a convergência dos preços à meta.
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Segundo o Copom, essa avaliação levou à conclusão de que a estratégia de manter a taxa em patamar elevado por um período prolongado é compatível com o objetivo de estabilidade de preços, sem prejuízo à suavização das flutuações da atividade econômica.
Ata do Copom reforça que fiscal pesa na condução da política monetária
O colegiado voltou a enfatizar a importância de uma política fiscal previsível, crível e contracíclica. Na avaliação do Copom, incertezas sobre a sustentabilidade da dívida pública e o enfraquecimento do esforço fiscal podem elevar a taxa de juros neutra da economia.
A taxa neutra é aquela que não estimula nem desacelera a atividade. Quando ela sobe, a política monetária precisa ser mais restritiva para produzir o mesmo efeito sobre a inflação.
Cenário externo e mercado de trabalho
O Banco Central avaliou que o cenário internacional segue incerto, mas menos do que em meses anteriores, refletindo o fim do shutdown nos Estados Unidos e avanços em negociações comerciais. Ainda assim, o colegiado afirmou que riscos de longo prazo permanecem.
No mercado de trabalho, o Copom apontou que o quadro segue bastante apertado, embora já apresente sinais iniciais de desaquecimento. É a primeira vez que o colegiado menciona esse movimento neste ciclo de política monetária.
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Mercado diverge sobre início do ciclo de cortes após ata do Copom
Para Fernando Pontes, gestor de recursos da Avantgarde Asset Management, a ata reforça que o fator fiscal segue dominante na definição dos juros.
Segundo ele, o Banco Central mantém a Selic elevada diante das incertezas sobre a trajetória da dívida pública e a previsibilidade da política fiscal.
Já Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos, avalia que a ata consolida uma postura mais hawkish, com foco absoluto na ancoragem das expectativas de inflação.
Para ele, o Copom sinaliza que eventuais cortes de juros dependerão de evidências consistentes de convergência da inflação à meta.
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Por outro lado, o BTG Pactual acredita que o Banco Central adotou uma postura dovish (propensa ao corte de juros), promovendo ajustes em relação à ata de novembro e ao comunicado da última quarta-feira (10) que redirecionam a aposta do banco para uma maior probabilidade de início de corte de juros na reunião de janeiro.
“Entendemos que a Ata trouxe elementos mais dovish em comparação à ata de novembro e ao comunicado, frisando a evolução dos ajustes na comunicação, admitindo desaquecimento incipiente do mercado de trabalho e que há uma “interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a inflação observada””, observou Álvaro Frasson, macro-estrategista do BTG.
Na Warren Investimentos, os economistas Luis Felipe Vital e Cecília Mazzoni afirmam que o tom da ata afasta a possibilidade de um corte da Selic já em janeiro. Segundo eles, o comitê deixou claro que ainda está desconfortável com uma lista extensa de riscos inflacionários, o que adia o início da flexibilização.
Para Luis Otavio de Sousa Leal, economista-chefe da G5 Partners, a ata indica avanço na condução da política monetária. Ele destaca que o documento reforça a estratégia de manutenção dos juros e que a expectativa agora se volta para as próximas projeções de inflação do Banco Central.
Na Ativa Investimentos, o economista-chefe Étore Sanchez avalia que a ata não altera o cenário-base da instituição, que prevê o início do ciclo de cortes apenas em abril, em ritmo de 50 pontos-base. A Ativa projeta a Selic em 12% ao final de 2026.



