O mercado financeiro global enfrenta uma crescente preocupação com o “AI washing”, prática em que empresas exageram ou distorcem o uso de inteligência artificial para atrair investidores. O tema ganhou destaque na coluna de Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, na Folha de S.Paulo, repercutida pelo influenciador de investimentos Charles Mendlowicz, conhecido como Economista Sincero, no canal “Charles Wicz”, nesta terça-feira (26).
O conceito é inspirado no “greenwashing” (maquiagem verde) e descreve companhias que utilizam a narrativa tecnológica apenas para inflar seu valuation — o valor de mercado estimado da empresa — sem apresentar resultados práticos nos balanços.
Ao analisar a coluna, Mendlowicz aponta que o mercado vive um momento de desconfiança, questionando se os bilhões de dólares investidos em infraestrutura trarão o retorno prometido.
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Onda de processos envolvendo “AI Washing” nos EUA
Dados exclusivos da Howden, obtidos pelo Monitor do Mercado, revelam que, em 2025, foram registradas 17 ações coletivas (conhecidas como class actions) nos Estados Unidos contra empresas que teriam feito promessas enganosas sobre IA. Essas disputas representam quase 10% das novas ações federais envolvendo investidores e empresas listadas em bolsa (clique aqui para baixar o documento completo).
Mendlowicz destaca que o mercado começa a questionar a diferença entre a narrativa de inovação e o resultado financeiro efetivo. Segundo o influenciador, embora a IA aumente a produtividade individual, muitas empresas venderam a ideia de uma revolução nos lucros que ainda não se materializou na economia real.
Riscos de bolha e gastos bilionários
O setor enfrenta um momento de incerteza sobre a existência de uma bolha financeira. Grandes empresas de tecnologia, as Big Techs, têm investido centenas de bilhões de dólares em infraestrutura, como centros de processamento de dados e energia.
Mendlowicz aponta que, até o momento, os lucros reais estão concentrados em empresas que fornecem a infraestrutura física, como fabricantes de chips. O questionamento de investidores reside na capacidade dessas companhias gerarem retorno sobre o capital massivo que está sendo “queimado” para montar as estruturas de IA.
Outro ponto abordado por Vasconcellos é o uso da IA como justificativa para cortes de custos. Uma pesquisa feita pelo site Resume.org com gestores de recursos humanos de mil empresas indica que 42% dos gestores de RH admitem utilizar a inteligência artificial como argumento para demissões, por ser uma narrativa mais aceitável pelo mercado do que crises financeiras internas.











