Um estudo inédito da Amcham Brasil apontam que as tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros provocaram queda nas exportações para o mercado norte-americano em todos os 21 setores exportadores analisados.
Na comparação anual, com o período de agosto e novembro, a redução total das exportações brasileiras aos EUA somou US$ 1,5 bilhão após as tarifas.
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Entre os seis setores que conseguiram compensar integralmente suas perdas estão:
- produtos vegetais;
- gorduras e óleos;
- químicos;
- pedras preciosas;
- máquinas e aparelhos elétricos;
- máquinas e instrumentos mecânicos.
Mesmo nesses casos, a compensação ocorreu de forma parcial em termos de produtos e empresas, segundo a Amcham.
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Queda foi maior que no restante do mundo
Em termos relativos, a retração das exportações para os Estados Unidos foi superior à variação das vendas globais em praticamente todos os setores. A única exceção foi o segmento de material de transporte.
O dado indica que o impacto das sobretaxas foi mais intenso no comércio bilateral do que no desempenho geral das exportações brasileiras.
Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, “a diversificação é bem-vinda, mas não substitui o papel do mercado americano”.
Produtos vendidos aos EUA não são facilmente substituíveis
O estudo destaca que, em diversos setores, o crescimento das exportações para terceiros mercados ocorreu em itens diferentes daqueles tradicionalmente vendidos aos Estados Unidos, o que indica uma compensação imperfeita.
No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os EUA recuaram US$ 104,5 milhões, enquanto as vendas para o resto do mundo cresceram US$ 650 milhões.
Apesar disso, os principais produtos afetados no mercado americano não tiveram desempenho semelhante em outros destinos.
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As exportações de transformadores caíram 23,1% para os EUA e 40,9% para o restante do mundo. Já as vendas de geradores recuaram 54,6% para os Estados Unidos e cresceram apenas 2,3% nos demais mercados.
Segundo a Amcham, isso reforça que o mercado americano não é facilmente substituível, seja pelo tamanho, pela diversidade ou pelo maior valor agregado da pauta importada.
Amcham defende avanço nas negociações bilaterais por tarifas
Para a entidade, os dados indicam que os impactos das sobretaxas são difíceis de reverter apenas com a diversificação de mercados, especialmente para produtos industriais.
“O estudo sugere que não é possível compensar plenamente as vendas da maioria dos produtos exportados para os Estados Unidos por meio do redirecionamento a outros destinos”, afirma Neto.
Segundo ele, o tamanho, a escala e as características do mercado dos EUA tornam o país um destino estratégico para as exportações brasileiras, o que reforça a importância das negociações bilaterais para reduzir ou eliminar as sobretaxas.
