O BTG Pactual avalia que o Natal de 2025 no varejo brasileiro foi marcado por consumidores mais cautelosos e tráfego fraco, tanto em lojas físicas quanto em plataformas digitais. O comportamento reflete um ambiente macroeconômico mais restritivo, que limita o ritmo de consumo.
Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que as vendas de dezembro devem ficar no mesmo nível ou abaixo do registrado em igual mês de 2024. No ano passado, a receita nominal cresceu 7,8%, enquanto o volume físico avançou pouco, sinalizando que parte do crescimento veio de preços, e não de maior quantidade vendida.
Quando ajustadas pela inflação, as projeções variam entre alta de 2,1% e queda de 2,7%. Para o BTG, esse intervalo reforça a perda de intensidade de um período tradicionalmente decisivo para o varejo, especialmente no fechamento do ano.
- Está com dúvidas sobre suas finanças? Fale agora com a Clara, a assistente virtual do Monitor do Mercado. Iniciar conversa
O banco de investimentos destaca que o desempenho mais fraco limita a capacidade do setor de compensar meses anteriores de menor faturamento, impactando resultados operacionais.
Promoções antecipadas pressionam margens
A principal novidade deste ano, segundo o BTG, foi o uso precoce e mais agressivo de promoções. Descontos acima de 25% foram observados ainda durante o período natalino. Segundo os analistas, ao deslocar o motor de vendas do volume para o preço, o varejo aumenta o risco de compressão de margem.
Juros altos e crédito caro limitam consumo no Natal
O BTG afirma que pressões macroeconômicas continuam a restringir o consumo no Natal. Juros elevados, inflação persistente e orçamento doméstico apertado incentivam um comportamento mais defensivo das famílias.
Mesmo com mercado de trabalho relativamente saudável e o pagamento do décimo terceiro salário, o crédito mais caro e restrito reduz a compra de itens de maior valor. Com isso, os gastos se concentram em bens essenciais, enquanto parte do consumo é antecipada para eventos promocionais, como a Black Friday, reduzindo a contribuição típica de dezembro.
Desaceleração afeta setores e lucros
Após resultados acima do esperado no primeiro semestre, o BTG vê agora uma desaceleração mais intensa, especialmente em vestuário e alimentação. Nesses segmentos, a concorrência por preço se intensificou, pressionando empresas com menor poder de repasse de custos.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações.
A visibilidade de lucro de curto prazo piorou para companhias com estruturas de custos mais rígidas. Ainda assim, o banco avalia que as ações do setor seguem com preços razoáveis: a mediana das 30 empresas cobertas negocia a cerca de nove vezes o preço sobre o lucro esperado para 2026.
O que pode destravar as ações de varejo
Segundo os analistas, a valorização das ações de varejo dependerá de um recuo sustentado dos juros reais de longo prazo ou de novas revisões positivas de lucro, à medida que o cenário macroeconômico se estabilize em 2026.
Até que surjam sinais mais claros de mudança, o BTG mantém foco em empresas com demanda mais resiliente, disciplina de preços e execução consistente, fatores considerados relevantes para atravessar o atual ciclo.
